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	<title>Dedo de prosa</title>
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	<description>Impressões digitais de um mineiro contador de causos...</description>
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		<title>Dedo de prosa</title>
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		<title>Aquele da descrição por meio da teledramaturgia</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jan 2012 14:04:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>patrickselvatti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Polegar]]></category>

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		<description><![CDATA[QUEM É VOCÊ? Sou uma pessoa normal, GENTE FINA, com CORAÇÃO DE ESTUDANTE. Não tive um PAI HERÓI e não tenho nenhum BEBÊ A BORDO nem TRÊS IRMÃS, mas não faço CARAS E BOCAS e nem me considero uma pessoa REBELDE. Não conheço O CAMINHO DAS ÍNDIAS, mas já fiz A VIAGEM da minha vida. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=patrickselvatti.wordpress.com&amp;blog=2089297&amp;post=551&amp;subd=patrickselvatti&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">QUEM É VOCÊ? Sou uma pessoa normal, GENTE FINA, com CORAÇÃO DE ESTUDANTE. Não tive um PAI HERÓI e não tenho nenhum BEBÊ A BORDO nem TRÊS IRMÃS, mas não faço CARAS E BOCAS e nem me considero uma pessoa REBELDE. Não conheço O CAMINHO DAS ÍNDIAS, mas já fiz A VIAGEM da minha vida. Às vezes sou um BICHO DO MATO, vivendo NO MUNDO DA LUA e ANDANDO NAS NUVENS no meio de um CORDEL ENCANTADO.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-551"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Não sou nenhum TOP MODEL, mas me considero bonito e interessante, com FINA ESTAMPA e BELEZA PURA. Tenho SEX APPEAL, a pele DA COR DO PECADO e meu PECADO CAPITAL preferido entre os SETE PECADOS é a luxúria. Luto pelo DIREITO DE AMAR sem me preocupar com O SEXO DOS ANJOS. Ah se houve O CLONE de mim para VIVER A VIDA com esse DESEJO PROIBIDO&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Mas não nasci DE QUINA PRA LUA, não sou O REI DO GADO nem a RAINHA DA SUCATA, nem vivo nenhuma vida BRILHANTE. Sabe como é A VIDA DA GENTE, né? BATENDO PONTO, derrotando COBRAS E LAGARTOS, muita MALHAÇÃO no trabalho, limpeza de casa quando A DIARISTA não vai e ainda há O OUTRO hábito: escrever. Das minhas paixões, essa é A FAVORITA. Apesar de toda essa CARGA PESADA, ainda fico SASSARICANDO pela internet, afinal, em TEMPOS MODERNOS, é lá que O AMOR ESTÁ NO AR.</p>
<p style="text-align:justify;">Na tentativa de sair da MINHA NADA MOLE VIDA, deito no DIVÃ e enfio o PÉ NA JACA. Mas não chuto cachorro VIRA LATA, não faço CAMBALACHO e nem acho que VALE TUDO para subir na vida como muita gente VAMP e DUAS CARAS que tem por aí, cuidando da VIDA ALHEIA. Aceito A VIDA COMO ELA É e quero deixar ao mundo uma herança BELÍSSIMA.</p>
<p style="text-align:justify;">Valorizo muito os LAÇOS DE FAMÍLIA. Mas AGORA É QUE SÃO ELAS: meus QUERIDOS AMIGOS e eu somos UM SÓ CORAÇÃO. Amizade é como A GRANDE FAMÍLIA e nunca deve ser COMO UMA ONDA, mas para toda a vida, como se houvesse um PACTO DE SANGUE. Deslealdade é um SUAVE VENENO que vai matando aos poucos com tanto TI TI TI, TAPAS E BEIJOS e MORDE E ASSOPRA. Assim, sem que você perceba, ERA UMA VEZ&#8230; Porque comigo é TOMA LÁ DÁ CÁ.</p>
<p style="text-align:justify;">Vou fazer uma REVELAÇÃO: sou de PASSIONE e busco minha ALMA GÊMEA. Quando me apaixono, entrego-me DE CORPO E ALMA a essa HISTÓRIA DE AMOR. Mas quando alguém quer fazer de mim uma FERA FERIDA&#8230; SAI DE BAIXO! Meu INSENSATO CORAÇÃO esquece as PROMESSAS DE AMOR e acaba me transformando em uma FERA RADICAL: mando todo mundo para O QUINTO DOS INFERNOS e crio o maior BANG BANG!!! Afinal, AMOR E REVOLUÇÃO caminham juntos e CORAÇÕES FERIDOS são perigosos.</p>
<p style="text-align:justify;">Talvez eu seja O HOMEM PROIBIDO para MULHERES APAIXONADAS. Mas, depois de viver um LOUCO AMOR e experimentar o doce e amargo SABOR DA PAIXÃO, ainda acredito em FINAL FELIZ. E EU PROMETO: no JOGO DA VIDA haverá sempre espaço para uma AMIZADE COLORIDA regada a muita CHAMPAGNE, CHOCOLATE COM PIMENTA, PÃO PÃO BEIJO BEIJO e MARRON GLACE. Dizem as más línguas que MEU DESTINO É PECAR, mas acredito que AMOR COM AMOR SE PAGA. Não dizem que OS RICOS TAMBÉM CHORAM?</p>
<p style="text-align:justify;">Estou em busca de uma VIDA NOVA. Quero iniciar uma trajetória SOB NOVA DIREÇÃO, sendo LIVRE PARA VOAR. Mesmo não sendo católico, pedi A PADROEIRA para abençoar meu caminho. Pedi também à SENHORA DO DESTINO para me tirar do LABIRINTO e colocar na minha vida um CAÇA TALENTOS que me reconheça. Ainda não encontrei O MAPA DA MINA, mas luto para não ser A PRÓXIMA VÍTIMA do eterno anonimato.</p>
<p style="text-align:justify;">DESEJO conquistar a AMÉRICA com minhas histórias. Não tenho SÉTIMO SENTIDO, nem sou O PROFETA ou O ASTRO, mas UM ANJO CAIU DO CÉU para me dizer que ainda serei CELEBRIDADE. E era um ANJO MAU. Não quero ser O DONO DO MUNDO, mas meu desejo é ter em minhas mãos o destino de várias VIDAS OPOSTAS. Este é o maior SONHO MEU e a FORÇA DE UM DESEJO como esse é capaz de mover A MURALHA que existe entre mim e esse NEGÓCIO DA CHINA. Vou até O FIM DO MUNDO se for preciso e não deixo sobrar PEDRA SOBRE PEDRA.</p>
<p style="text-align:justify;">Está ESCRITO NAS ESTRELAS: vou ser O PORTADOR de boas novas! Quero trazer FELICIDADE àqueles que me rodeiam! Ser feliz é opção: VOCÊ DECIDE! Quero ver a ESPERANÇA, a paz RENASCER na vida de todo CIDADÃO BRASILEIRO! Que esse país saia deste DEUS NOS ACUDA e torne-se não apenas um PARAÍSO TROPICAL, mas um lugar melhor para se viver &#8211; em vez desta TORRE DE BABEL onde cada um fala uma língua e deste PODER PARALELO em que o mais forte come o mais fraco na incessante CORRIDA DO OURO. Não quero ser O SALVADOR DA PÁTRIA, nem ser A JUSTICEIRA, mas gostaria de evitar a DECADÊNCIA moral da PÁTRIA MINHA. A LUA ME DISSE que precisamos mobilizar essa BRAVA GENTE para COMEÇAR DE NOVO.</p>
<p style="text-align:justify;">Faço isso POR AMOR e faria TUDO NOVO DE NOVO, mas tenho medo de um dia parar e me perguntar: QUE REI SOU EU? Não quero me ver daqui a alguns anos trancado em casa diariamente na frente de um computador, relembrando AQUELE BEIJO das minhas PAIXÕES PROIBIDAS enquanto escrevo as PÁGINAS DA VIDA.</p>
<p style="text-align:justify;">TE CONTEI?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/patrickselvatti.wordpress.com/551/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/patrickselvatti.wordpress.com/551/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/patrickselvatti.wordpress.com/551/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/patrickselvatti.wordpress.com/551/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/patrickselvatti.wordpress.com/551/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/patrickselvatti.wordpress.com/551/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/patrickselvatti.wordpress.com/551/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/patrickselvatti.wordpress.com/551/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/patrickselvatti.wordpress.com/551/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/patrickselvatti.wordpress.com/551/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/patrickselvatti.wordpress.com/551/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/patrickselvatti.wordpress.com/551/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/patrickselvatti.wordpress.com/551/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/patrickselvatti.wordpress.com/551/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=patrickselvatti.wordpress.com&amp;blog=2089297&amp;post=551&amp;subd=patrickselvatti&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Patrick Selvatti</media:title>
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		<title>Aquele das retrospectivas &#8211; novelas</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Dec 2011 15:02:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>patrickselvatti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[#post via celular 2011 foi um ano atipico na teledramaturgia brasileira. Desde sua estreia em 2010, o Canal Viva vem provocando uma revolucao boa na televisao brasileira gracas a sua iniciativa muito comemorada de reprisar grandes sucessos da Rede Globo, principalmente com o repeteco celebrado de &#8220;Vale Tudo&#8221;, de Gilberto Braga e Aguinaldo Silva. Entretanto, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=patrickselvatti.wordpress.com&amp;blog=2089297&amp;post=548&amp;subd=patrickselvatti&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">#post via celular</p>
<p style="text-align:justify;">2011 foi um ano atipico na teledramaturgia brasileira. Desde sua estreia em 2010, o Canal Viva vem provocando uma revolucao boa na televisao brasileira gracas a sua iniciativa muito comemorada de reprisar grandes sucessos da Rede Globo, principalmente com o repeteco celebrado de &#8220;Vale Tudo&#8221;, de Gilberto Braga e Aguinaldo Silva. Entretanto, em 2012, com sua sucessora &#8220;Roque Santeiro&#8221;, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, o feito fantastico nao se repetiu.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-548"></span></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Outra novela do chamado horario nobre que foi reprisada neste ano &#8211; &#8220;O Rei do Gado&#8221;, de Benedito Ruy Barbosa &#8211; tambem nao causou a comocao esperada. Uma novela boa e atual para a epoca, mas nem tanto nos dias de hoje para ser tao exaustivamente arrastada. A grande virada ocorreu somente agora, ja em dezembro, com sua substituicao pela volta de &#8220;Barriga de Aluguel&#8221;, o primeiro grande sucesso de Gloria Perez. Em 1990, a trama polemica foi exibida as 18h, causando grande discussao em todo o Pais pelo seu ineditismo. No mesmo horario, tres anos depois, veio &#8220;Mulheres de Areia&#8221;, da saudosa Ivani Ribeiro, que tambem esta de volta, so que no Vale a Pena Ver de Novo da rede aberta &#8211; com mais tititi que sua antecessora &#8220;O clone&#8221;, originalmente de horario nobre. E seus retornos bem-sucedidos vem justamente pra comprovar minha teoria: em 2011, as novelas das seis colocaram as das oito/nove no chinelo.</p>
<p style="text-align:justify;">Gilberto Braga e Aguinaldo Silva sempre foram considerados autores de sucesso garantido desde a unica parceria de ambos em &#8220;Vale Tudo&#8221;. Entretanto, 2011 nao foi o ano deles. O primeiro fez da boa promessa de &#8220;Insensato Coracao&#8221; um samba do crioulo doido, salvo do naufragio apenas pela boa composicao da protagonista-que-nao-era-mas-acabou-sendo Norma, brilhante atuacao de Gloria Pires. Ja o segundo &#8211; a empafia em pessoa &#8211; levou o pastelao das sete para o horario nobre, em &#8220;Fina Estampa&#8221;, com personagens caricatos e superficiais, tendo como unicas valvulas de escape uma dona de casa popularesca e uma bicha afetada &#8211; salvos pelas boas interpretacoes de Lilia Cabral e Marcelo Serrado. Mas salao de beleza e padaria nao avaliam qualidade. A &#8220;Insensata Estampa&#8221; de &#8220;Fino Coracao&#8221; nao tem nada. Ao contrario: sao historias mal contadas por personagens mal escritos com falas pobres e sem conteudo. Gilberto e Aguinaldo transformaram a faixa das nove horas em horario pobre.</p>
<p style="text-align:justify;">Por outro lado, duas novelas exibidas no horario das seis, de autoras relativamente jovens, chegaram de mansinho e arrebataram a audiencia e a opiniao publica. O lirismo fantasioso de &#8220;Cordel Encantado&#8221; e a poesia cotidiana de &#8220;A Vida da Gente&#8221; vieram para provar que no horario das 18 da pra se contar uma boa historia e nao precisa ser um autor consagrado no horario nobre pra ser o melhor. Que fiquem como exemplo para os autores consagrados que ai estao. Ate porque humildade nao faz mal a ninguem.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Remakes</strong><br />
Ainda na onda retro, 2011 fez bonito com o remake do grande sucesso de Janete Clair, &#8220;O Astro&#8221;, inaugurando a nova faixa de novelas, as 23h. Apesar de nao repetir o enorme suspense em torno do assassino de Salomao Hayala &#8211; que na decada de 70 mobilizou o Pais -, a refilmagem trouxe bons indices de audiencia a Globo. Tanto que ja esta garantido na grade de 2012 o remake de outro novelao. A escolhida da vez e&#8217; &#8220;Gabriela&#8221;. O unico porem esta no autor escolhido para reescreve-la: Walcyr Carrasco, outro poco de empafia que levou para os lares brasileiros aquele que pode ser considerado o grande mico de 2011: a novela &#8220;Morde e Assopra&#8221;. Vergonha alheia define aquele misto de dinossauros e robos. Mas vamos aguardar o que reserva o ano que se inicia.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/patrickselvatti.wordpress.com/548/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/patrickselvatti.wordpress.com/548/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/patrickselvatti.wordpress.com/548/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/patrickselvatti.wordpress.com/548/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/patrickselvatti.wordpress.com/548/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/patrickselvatti.wordpress.com/548/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/patrickselvatti.wordpress.com/548/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/patrickselvatti.wordpress.com/548/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/patrickselvatti.wordpress.com/548/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/patrickselvatti.wordpress.com/548/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/patrickselvatti.wordpress.com/548/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/patrickselvatti.wordpress.com/548/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/patrickselvatti.wordpress.com/548/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/patrickselvatti.wordpress.com/548/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=patrickselvatti.wordpress.com&amp;blog=2089297&amp;post=548&amp;subd=patrickselvatti&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Aquela das brasilienses &#8211; A esportista do Cruzeiro</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Aug 2011 21:42:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>patrickselvatti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mindinho]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi um daqueles momentos de arrebatamento e privação de sentidos, em que seres humanos abrem mão de todo o avanço intelectual e emocional que levaram milênios para evoluir e retornam ao estágio de animais irracionais em que, segundo a teoria da evolução, tudo começou. O homem segura a mulher pelos cabelos e beija sua boca [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=patrickselvatti.wordpress.com&amp;blog=2089297&amp;post=546&amp;subd=patrickselvatti&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Foi um daqueles momentos de arrebatamento e privação de sentidos, em que seres humanos abrem mão de todo o avanço intelectual e emocional que levaram milênios para evoluir e retornam ao estágio de animais irracionais em que, segundo a teoria da evolução, tudo começou. O homem segura a mulher pelos cabelos e beija sua boca como se quisesse engolir seus lábios carnudos e macios, enquanto vai tirando a roupa com a violência de quem deseja rasgar todo o tecido e vai conduzindo-a, ainda pelos cabelos, até o quarto. Uma espécie de estupro consentido, em que a mulher se sente a fêmea mais desejada do reino animal, no momento em que é jogada na cama por um macho faminto que arranca sua calcinha, abre suas pernas em um gesto brusco e arranca da cueca o instrumento rijo e ereto que se apresenta como uma arma nas mãos de um guerreiro a caminho da mais épica das batalhas. O homem saca da gaveta um preservativo, rasga com o dente a embalagem, e, após vestir o escudo de látex, toma posse da mulher, com volúpia, em movimentos rítmicos de penetração profunda, enquanto mantém sua presa sem defesa sob seu corpo forte. Para o homem, uma prazerosa demonstração de virilidade e de potência; para a mulher, a submissão diante de tamanha agressividade se torna o tempero do sexo.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-546"></span><br />
O gozo veio rápido, sinalizado por urros masculinos e gemidos femininos. Pedro caiu para o canto, exausto, com o suor escorrendo por sua testa e por todos os poros de seu corpo. Érica, ainda trêmula, permaneceu na mesma posição, deitada e com as pernas abertas. Ficaram alguns minutos em total silêncio. De um lado, Pedro tentava entender as razões que o levaram a agir daquela maneira tão selvagem e contrária à sua personalidade pacífica; ao seu lado, Érica, mesmo assustada com a violência do parceiro, ainda se recuperava da sensação de prazer que ele havia provocado. Os únicos sons que se faziam ouvir eram os de suas respirações ofegantes.</p>
<p style="text-align:justify;">Pedro, deitado com a cabeça no travesseiro apoiado na cabeceira da cama, levou a mão ao criado mudo, tirou um cigarro e acendeu-o, sentindo alívio imediato no ato de tragar e, em seguida, assoprar a fumaça. Estava exaurido, com a boca seca e o coração acelerado. Não tinha o fôlego exigido para aquela maratona. Naquele dia, ele havia se irritado muito com Érica após uma discussão sobre o mesmo tema: a abstinência sexual que ele estava forçando-a a fazer há mais de uma semana por alegações como cansaço, tensão e muita pressão psicológica. Ele era advogado com função mediana em um escritório de advocacia, mas tinha ambição: queria entrar antes dos 30 anos para o rol dos altos salários do judiciário e estudava desesperadamente para passar em um concurso público dali a um mês. Enquanto a libido dela só aumentava, a dele ia para o chinelo.</p>
<p style="text-align:justify;">Érica era esportista, tinha um ritmo que nem todo homem conseguia acompanhar. Malhava, corria, nadava e fazia sexo com a mesma intensidade. Para ela, tudo era esporte, em todas as modalidades ela dedicava disciplina e buscava a superação. O sexo, então, encarava como o esporte preferido. Quase uma ninfomaníaca. Ao contrário de Pedro, cuja natureza era diferente da de outros homens. Até gostava de sexo, mas não tinha como prioridade. A prática deveria ser quase que um ritual sagrado, que exigia concentração e total relaxamento. Mais mente do que corpo.</p>
<p style="text-align:justify;">Naquela noite de sábado, entretanto, Érica provocou tanto que, com raiva, Pedro se viu dando justamente aquilo que ela mais esperava dele em termos de sexo: mais velocidade e força, menos mantra e controle de respiração. Mas logo depois se arrependeu: Pedro perguntou se havia machucado a noiva e ao perceber que ela havia gostado logo se esvaiu em mil desculpas para não levar o jogo para um segundo tempo como ela gostaria.</p>
<p style="text-align:justify;">Érica queria goleada. Era do tipo de amante fogosa, que gostava de sugerir novas posições, assistir filmes de sacanagem, comprar lingeries provocantes e ligar toda noite antes de dormir pedindo para fazer sexo verbal e mandando mensagens obscenas pelo celular durante o dia. Já Pedro era o oposto: não achava graça em fazer sexo por telefone, não gostava de trocar mensagens eróticas e, na primeira vez em anos em que fugia da rotina do papai-e-mamãe, pedia desculpas formalmente à noiva&#8230; Para completar, o cara não transava sem camisinha – nunca &#8211; e, logo após o gozo, corria para se lavar.</p>
<p style="text-align:justify;">Toda dengosa, Érica foi se aninhando no peito suado do amante. Insistente, ela se pôs a acariciar o sexo adormecido do noivo, na tentativa de tirá-lo do vestiário para entrar em campo. Pedro olhou com seriedade para a noiva. “Érica, eu não sei o que deu em mim hoje, mas garanto que esse impulso selvagem não irá se repetir. Não espere de mim atitudes semelhantes às de um animal no cio”.</p>
<p style="text-align:justify;">“E eu que acreditei que, depois dessa demonstração inédita de macheza, você deixaria de ser tão careta&#8230;”, ela lamentou, jogando-se na cama, profundamente frustrada. </p>
<p style="text-align:justify;">Pedro não ouviu o último lamento de Érica. Já estava no banheiro, debaixo do chuveiro, sentindo um misto de prazer e alívio à medida que a água morna caía sobre sua pele. De fato, sentia-se sujo e precisava se lavar com muita água e sabão.</p>
<p style="text-align:justify;">*******</p>
<p style="text-align:justify;">Érica tinha 25 anos, morava no Cruzeiro com os pais, onde também ficava a academia de ginástica na qual era sócia de Ricardo, antigo colega de faculdade. Os dois tinham uma paixão em comum: o esporte. Além da sociedade profissional, eram também colegas de treino esportivo. Isso fazia com que passassem a maior parte do tempo juntos. Quando não estavam na academia, estavam praticando atividades outdoor, no Parque da Cidade, no Lago Paranoá e nas corridas que sempre acontecem em Brasília. A afinidade entre eles era visível: formavam uma dupla de sucesso no trabalho, que se complementava a olho nu e, no esporte, eram atletas extremamente disciplinados, adeptos do estilo de vida saudável, com boa nutrição e sem vícios. Não eram raras as pessoas que acreditavam que não havia apenas amizade entre Érica e Ricardo. Pareciam feitos um para o outro.</p>
<p style="text-align:justify;">Ricardo era o maior pesadelo de Pedro. Ele sabia que os atuais amigos já haviam sido namorados na época da faculdade. E sabia que, por Ricardo, Érica ainda seria sua mulher. Eles eram o extremo oposto. Pedro não era um cara feio – ao contrário, um tipo charmoso, bastante interessante -, mas Ricardo já havia sido modelo de passarela e, com Érica, formava um casal de capa de revista. Ricardo era atleta, sem vícios; Pedro, um cara sedentário, avesso a esportes, que adorava sentar numa mesa de bar, fumando um cigarro atrás do outro, bebendo cerveja e comendo petiscos gordurosos. Enquanto Pedro era um cara de classe média que ralava muito para tentar se aproximar do padrão de vida de Érica, Ricardo era um filhinho de papai bem típico, que não fez muito esforço para custear os estudos, manter um carro importado e ter seu negócio próprio. Além disso, tinha nome: era um excelente profissional, criativo, descolado, requisitado por várias grã-finas da alta sociedade brasiliense. Já Pedro era empregado, ganhava pouco, trabalhava o dia todo percorrendo fóruns e tribunais com seu carro popular pago em suaves prestações e, à noite e aos fins de semana, ainda frequentava cursinho preparatório para concurso público.</p>
<p style="text-align:justify;">Aos 28 anos, Ricardo era um excelente partido. Mas não estava a fim de levar nenhum relacionamento a sério. Ou melhor, quase nenhum: se Érica desejasse, ele largaria a vida mundana para ficar com ela. Pelo menos era o que ele vivia lhe dizendo por meio de indiretas. Mas Érica não lhe dava crédito, afinal, quando namoraram, ele a traiu diversas vezes, inclusive com suas amigas. Mas ela bem que, lá no seu íntimo, sentia saudades de Ricardo. Ele tinha sido seu primeiro amante, ensinara-lhe coisas que Pedro jamais havia sequer insinuado fazer. Era um homem muito sedutor, safado, que transpirava fortes emoções. Érica gostava disso, ao mesmo tempo em que buscava mais segurança. E isso Pedro lhe dava de sobra.</p>
<p style="text-align:justify;">Só que ela não sabia lidar com um inimigo estranho: Pedro carregava consigo um sentimento de inferioridade em relação a ela. Érica vinha de uma família rica, estava acostumada com o bom e o melhor que o dinheiro pode usufruir. E era uma mulher linda, gostosa, cheirosa, bem vestida e bem relacionada: uma profissional de sucesso, muito bem sucedida, tida como referência no mercado, bajulada por todos os lados, principalmente pelos homens mais bonitos e igualmente ricos da Capital Federal. Em especial Ricardo, um cara que, por onde passava, arrancava suspiros: tinha grana, estética, status e muita fama.</p>
<p style="text-align:justify;">Era um paradoxo. Pedro tinha tanto medo de perder Érica para alguém melhor que se intimidava na hora de satisfazê-la sexualmente. Ele mesmo não entendia como ela poderia estar com ele tendo tantos caras “melhores” ao seu redor.</p>
<p style="text-align:justify;">
*******</p>
<p style="text-align:justify;">Alguns semanas depois, Érica decidiu fazer uma surpresa para Pedro. O noivo estava na reta final do concurso para o qual estava estudando arduamente e ela achava que ele precisava relaxar um pouco. Afinal, concursando estressado não faz boa prova. Um pouco antes das cinco horas da tarde, Érica saiu da academia e foi ao supermercado fazer as compras que necessitava para o jantar que pretendia fazer. Antes de seguir para o apartamento do noivo, lembrou-se de que havia esquecido o vídeo especial que havia comprado para assistir a dois e retornou à academia. Quando se aproximou da porta do escritório, Érica presenciou uma cena que afetaria tanto sua mente quanto seu corpo: Ricardo, sentado em uma poltrona reclinável, com a calça arriada e as pernas abertas, gemia baixinho, e acariciava os cabelos de Angelina – a nova secretária, recém-contratada -, que estava ajoelhada entre suas pernas.</p>
<p style="text-align:justify;">Érica deixou o local sem ser vista. A caminho do prédio de Pedro, sentia um misto de sensações: embora estupefata pela surpresa diante do que seus olhos viam, existia também uma grande excitação. Desde o fim de seu relacionamento com Ricardo – que já fazia aniversários – estava certa de que havia tomado uma decisão consciente e irrevogável e, em nenhum momento, duvidou de que Pedro era o homem de sua vida, capaz de lhe oferecer toda a estabilidade que almejava. Mesmo assim, Érica sentiu-se, naquele momento, traída pelo ex-namorado e sócio. Em seu mais íntimo, ainda sentia que toda aquela paixão que haviam vivido na época da faculdade não havia morrido. E nem poderia: além de ter em Ricardo um amigo, nunca se esqueceria de que ele havia sido o seu primeiro homem. E que homem! Ele sempre foi o tipo que deixava qualquer mulher enlouquecida de desejo, satisfazendo-as tanto antes, quanto durante e depois. Essa característica, entretanto, era sua maior qualidade e seu maior defeito: a consciência de que era bom naquilo que fazia o envaidecia a ponto de não recusar nenhum rabo de saia.</p>
<p style="text-align:justify;">Se não fosse pela insegurança que assombrava a sua vida durante o tempo em que namoraram, Érica jamais teria desistido de Ricardo. No começo, chegou a sentir a falta do jeito malandro dele em fazer que risse e chorasse na mesma noite, mas logo foi seduzida pela serenidade de Pedro. Mas, naquela tarde, quando seus olhos lhe trouxeram à memória a capacidade que Ricardo possuía de deixar uma mulher literalmente de joelhos, Érica viu suas pernas tremerem e suas entranhas serem invadidas por uma onda de calor. Sentia certa inveja de Angelina. E também uma revolta &#8211; afinal, a moça declarava aos quatro ventos que era evangélica e iria se casar tão virgem quanto vira ao mundo e, no entanto, estava ali, como uma prostituta desavergonhada!</p>
<p style="text-align:justify;">Para piorar a situação, ao chegar ao apartamento de Pedro, não obteve dele a recepção que imaginava. Ele estava mais chato que de costume, empenhado em permanecer entre suas apostilas, cigarros e café. Quase não esboçou algum resquício de apetite pelo jantar que ela estava disposta a preparar, muito menos pela sobremesa que ela tinha em mente.</p>
<p style="text-align:justify;">Mesmo estando chateada, Érica concordou em cuidar sozinha do jantar enquanto Pedro terminava seu estudo. Na verdade, estava frustrada, já que o jantar era apenas um pretexto para criar um clima romântico que favorecesse aquilo que realmente estava desejando: uma vivência sexual que não acontecia desde aquela noite de sábado. Naquela ocasião, foi presenteada pela inédita atuação, digamos, mais desenvolta de Pedro e, estranhamente, eles nunca mais fizeram nem da maneira tradicional com a qual já havia se acostumado. A única vez em que tentaram, Pedro simplesmente havia negado fogo. Argumentou que ela estava indo com muita sede ao pote, intimidando-o.</p>
<p style="text-align:justify;">Pensando nisso, com o nível de progesterona ainda em alta, Érica abandonou os preparativos do jantar. Pedro estava tão compenetrado na digitação &#8211; dando intervalos frequentes ora para consultar alguns livros que estavam abertos sobre a bancada ora para pegar o cigarro que queimava no cinzeiro e levar à boca – que nem percebeu a chegada da noiva, que o enlaçou por trás com os braços.</p>
<p style="text-align:justify;">“Você não quer dar uma paradinha?”, ela perguntou, toda dengosa, beijando-lhe o pescoço. Ele negou, mas ela insistiu, dizendo que tinha uma surpresa para ele. Érica foi enérgica. “Pare só uns minutinhos, Pedro. Garanto que você vai gostar”. Pedro parou de escrever e virou a cadeira giratória, ficando de frente para a noiva. “Você não ia fazer o jantar?”, ele quis saber. Ela, então, acenou que queria lhe oferecer um tira gosto antes. Mandou que se levantasse e fechasse os olhos.</p>
<p style="text-align:justify;">Pedro não parecia estar muito disposto a satisfazer nenhuma vontade de Érica, mas obedeceu. De pé e com os olhos fechados, quando se deu conta, já estava com o short arriado e com o sexo adormecido na boca da noiva, que se ajoelhara aos seus pés para chupá-lo. Sua primeira reação foi de espanto. Pedro tentou se soltar de Érica, mas ela segurava seu membro com tanta vontade que parecia estar disposta a arrancá-lo de seu corpo com os dentes. Como se Érica insistisse em chupá-lo, Pedro decidiu relaxar e permitir que ela fosse até o fim. De certa forma, aquele gesto causava-lhe cócegas que oscilavam entre o prazer e o incômodo. Érica persistiu em seu gesto considerado obsceno pelo noivo. No entanto, ao perceber que Pedro não reagia de forma positiva aos estímulos provocados por sua língua, soltou-se dele com raiva, cuspindo no tapete felpudo toda a saliva que havia acumulado em sua boca. </p>
<p style="text-align:justify;">Iniciaram nova discussão. Érica não entendia o que acontecia com Pedro. Se fosse outro, já estaria dentro dela. “Você perdeu o desejo por mim de vez!”, ela insistiu. “Fale a verdade! Antes, mesmo careta, cheio de preocupações com a higiene, você ainda comparecia&#8230; Agora, nem papai-e-mamãe no escuro!”</p>
<p style="text-align:justify;">Pedro tentou ser o agente apassivador da história. “Olha, vamos fazer o seguinte: eu vou continuar estudando, você volta para a cozinha, termina de preparar nosso jantar, eu tomo um banho, nós jantamos juntos, tomamos o vinho que você trouxe e talvez até possamos assistir um filme na tevê&#8230;”, ele sugeriu.</p>
<p style="text-align:justify;">“Um filme na tevê?”, ela se indignou. Pedro disse que iria passar um filme ótimo, romance, do jeito que ela gostava&#8230; Ela ficou furiosa. “Pedro Rodrigues, eu estou cansada de assistir ao romance dos outros. Quero viver a minha história agora, está ouvindo? Cansei de ser espectadora enquanto os outros trepam e gozam do jeito que quiserem&#8230; Quer saber de uma coisa? Foda-se tudo! Termine seu estudo, fume seus cigarros malditos, faça você o seu estrogonofe, assista você o filme que quiser&#8230; já que, para você, o melhor é ser espectador e não protagonista dessa história”</p>
<p style="text-align:justify;">“Aonde você vai?”, ele quis saber, vendo que ela saía pegando sua bolsa e seu casaco sobre o sofá.</p>
<p style="text-align:justify;">“Procurar alguém para fazer comigo um filme de sexo selvagem e muita sacanagem, do jeito que o diabo gosta!”</p>
<p style="text-align:justify;">Érica saiu do apartamento batendo a porta. Pedro deu um sorriso irônico e acendeu um cigarro, bem mais preocupado com seu estudo do que com o ataque histérico da noiva.<br />
Enquanto Pedro prosseguia em seu trabalho no computador, dando pouca ou nenhuma importância ao seu desabafo, Érica circulava pela cidade sem rumo. Quando se viu, já estava em frente à casa de Ricardo. Ao ver que era a sócia quem tocava o interfone, ficou bastante surpreso, já que, àquela hora, ela deveria estar em seu jantar romântico no apartamento do Pedro. Alterada, visivelmente, Érica disse que precisava conversar seriamente com ele.</p>
<p style="text-align:justify;">Ricardo havia acabado de sair do banho, ainda estava cheirando a sabonete e xampu, de short e sem camisa, terminando de se enxugar. Foram para a cozinha, onde ele terminava de preparar o peixe assado que comeria no jantar. Ele bebia uma taça de vinho, ofereceu e ela aceitou. Érica não era adepta a bebidas alcoólicas. Quando bebia, era porque estava realmente nervosa.</p>
<p style="text-align:justify;">Érica foi logo dizendo que tinha visto tudo entre ele e a Angelina. Ricardo tentou se explicar, mas ela não quis ouvir. Ia explicar o que? Que foi atacado pela falsa virgem? Ele negou que tivesse sido atacado&#8230; e também que Angelina era uma falsa virgem.</p>
<p style="text-align:justify;">“Ah, não? Vai me enganar que ela continua virgem depois do que eu vi entre vocês”, ela retrucou. Ele disse que o que ela tinha visto foi apenas o que aconteceu. Angelina continuava virgem: queria apenas saber como era fazer sexo oral para não decepcionar o futuro marido. Angelina era um caso específico de uma moça de criação religiosa que cresceu acreditando que o certo era se casar virgem com o primeiro namorado, mas, que, como qualquer outra mulher, tinha desejos, vontades, curiosidades que o noivo não concordava em desvendar antes do casamento diante de Deus. Não a condenava por querer conhecer algumas coisas, realizar algumas vontades&#8230; Ela desejava aprender algumas coisas para não chegar totalmente inocente na lua de mel e entregar-se para valer ao homem que amava. E ia se casar virgem porque também sonhava em se tornar mulher nas mãos do marido.</p>
<p style="text-align:justify;">Na boca de dentes alvos de quem nunca fumou, um sorriso malicioso. Ricardo olhava para Érica como se admirasse uma atriz de teatro dramático, andando pela cozinha tentando dominar sua emoção. Sentiu vontade de rir ao constatar o óbvio. Ela estava com ciúmes.</p>
<p style="text-align:justify;">Érica negou. Por que teria ciúmes? Ele não era nada seu, nem Angelina&#8230; Ou melhor: ele era seu sócio e ela, funcionária deles. Mas que isso: uma moça que se dizia virgem, evangélica e fiel. Ao noivo e a Deus. Ricardo admitia que ela teria todas as razões para recriminá-los, mas sua atitude não era simplesmente de profissional preocupada com a reputação de seu estabelecimento. Ela insistia que não estava com ciúmes. Amava Pedro, iriam se casar, ela estava e era muito feliz&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Ricardo, então, provocou-a. Disse que mesmo conhecendo-a intimamente, sempre respeitou o fato de ela ter decidido se relacionar com um cara como Pedro, que, apesar de não ser o amante com o qual ela sempre sonhou, estava dentro do seu ideal de homem correto para construir uma vida. E mais: sabia que ela tinha ido procurá-lo porque ficou impressionada com a cena que viu e, como seu noivo não a valorizava como fêmea, sentiu desejo de ser dele, Ricardo, novamente. Ela sabia que não ficaria frustrada, porque ele sabia fazer exatamente como ela gostava.</p>
<p style="text-align:justify;">Érica esbofeteou Ricardo. Sentia-se ofendida. Estava furiosa, com a respiração ofegante. Levantou a mão para novo tapa, mas Ricardo a segurou. Como se ela começasse a esmurrá-lo, ele prendeu-a com força contra a parede e, sentindo-a cada vez mais acuada, beijou-a com som e fúria. A união daqueles corpos estava situada no limite mais tênue da luta violenta e das preliminares do sexo que aconteceria em seguida. Bastaram apenas alguns minutos de insistência para que Ricardo vencesse a resistência inicial de Érica, que colocou seu corpo totalmente à sua disposição para que ele conduzisse o que se seguiria, da maneira que bem lhe aprouvesse.</p>
<p style="text-align:justify;">E o que se seguiu foi uma cena de pornografia, aos moldes dos filmes eróticos que geralmente são exibidos nas madrugadas de sábado. Após o encontro de línguas ávidas, Ricardo virou Érica de costas para si e jogou seu corpo sobre a mesa da cozinha, com a barriga e os braços apoiados no mármore frio; por trás dela, levantou sua saia, abaixou a calcinha, apertou com força a carne de sua cintura e deu início ao processo acelerado de penetração que fez com que ela se contorcesse em uma sessão múltipla de orgasmo como havia anos não experimentava.</p>
<p style="text-align:justify;">Tão logo viu o gozo chegar, Érica agarrou-se ao corpo de Ricardo e chorou copiosamente em seu ombro, deixando que suas lágrimas escorressem pelo peito do amante. Em seguida, como se estivesse respondendo a uma programação informatizada, Érica se afastou, dando-lhe as costas com frieza. Ricardo bem que tentou conversar, mas ela não quis saber de papo. Pegou sua bolsa e saiu com a mesma rapidez com que entrou.</p>
<p style="text-align:justify;">Érica não dormiu naquela noite. No dia seguinte, nem bem o sol nasceu, já estava no apartamento de Pedro, que ainda dormia. Ao abrir os olhos, ele estranhou a expressão séria e preocupada da noiva, dizendo-lhe que precisavam ter uma conversa muito séria. Ainda sonolento, o advogado pediu que esquecesse o que havia acontecido na noite anterior. Tiveram uma discussão boba, reconhecia que ela tinha motivos para estar chateada, mas o seu concurso já seria naquele fim de semana, em breve estariam casados, ele se sentiria mais seguro após a entrada no Judiciário e tudo iria se acertar. E ela foi logo confessando que, saindo de seu apartamento, foi ao encontro de Ricardo.</p>
<p style="text-align:justify;">Érica deu-lhe as costas, envergonhada. “Eu estava muito chateada com você, Pedro. Eu tenho desejos, sou mulher&#8230; Estou me sentindo rejeitada, como se eu não mais despertasse o seu desejo de homem. Está sendo difícil ficar todo esse tempo sem sentir que você me deseja. Ontem, foi a gota que faltava”</p>
<p style="text-align:justify;">“Érica, o que você foi fazer na casa do Ricardo?”, ele inquiriu.</p>
<p style="text-align:justify;">Érica se virou. “Juro que não fui lá com más intenções. Saí daqui tão mal, tão arrasada, que peguei o carro e fui dirigindo sem rumo. Quando me vi, já estava lá&#8230;”</p>
<p style="text-align:justify;">Pedro já havia entendido tudo. Pela primeira vez, parou para refletir em tudo o que estava acontecendo. Érica já havia demonstrado, inúmeras vezes, seus sentimentos e sua certeza de que o desejava para ser seu homem. Naquele momento, deu-se conta de que não bastava apenas marcar a data do casamento e morar sob o mesmo teto: era preciso amá-la como merecia e, acima de tudo, respeitar suas carências e seus desejos de mulher.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao se dar conta do que havia ocorrido, Pedro não pronunciou ruído sequer; caminhou até a varanda e agarrou-se mais uma vez ao cigarro para buscar a calma. “Você não vai dizer nada?”, ela quis saber, indignando-se com a falta de reação do noivo diante da evidente traição. Pedro manteve o silêncio, dedicando exclusividade de atenção ao cigarro que fumava.</p>
<p style="text-align:justify;">Érica estava inconformada. “Não vai querer saber como foi, por que eu te traí? Não vai me xingar, me bater, me expulsar da sua vida?”, ela perguntou, sem obter resposta alguma. “Então eu venho aqui e digo que me entreguei a outro homem e você se limita a fumar seu maldito cigarro?” E pediu: “Pedro, não me decepcione mais. Eu só vim aqui lhe contar porque tinha a esperança de que, diante de uma traição, você sairia desse lugar de passividade em que se encontra e tomaria uma atitude de homem”</p>
<p style="text-align:justify;">Pedro atirou o cigarro da janela. “Que atitude você espera de mim?”, ele quis saber, virando-se com raiva e tomando-a pelos braços. “Que eu meta a mão na tua cara, te chame de vagabunda, te pegue pelos braços e te entregue de volta para seu pai?”</p>
<p style="text-align:justify;">“Talvez! Quem sabe, assim, eu sairia dessa história com a sensação de que estava enganada a seu respeito e passaria a acreditar que existe sangue correndo nas suas veias?”</p>
<p style="text-align:justify;">Pedro sentia vontade de fazer exatamente o que Érica parecia desejar. A raiva que estava lhe consumindo após a constatação de que havia sido traído era grande o suficiente para colocar em prática toda a agressividade que trazia em seu sangue. Entretanto, existia a quase certeza de que a maior culpa daquela história era justamente sua. Tinha consciência de que havia praticamente entregue a noiva de bandeja para Ricardo quando deixou de corresponder às suas expectativas acreditando que a aliança no dedo esquerdo e a festa de casamento supririam todas as suas carências. Érica já estava gritando há dias por atenção e ele não soubera ouvir.</p>
<p style="text-align:justify;">Pedro só precisava saber de uma coisa: o que havia levado a procurar outro homem foi a displicência dele ou o sentimento de que ele não era homem para ela? Érica foi sincera.</p>
<p style="text-align:justify;">“Ricardo sabe como ser um bom amante. Mas eu continuo sem enxergar em seu perfil nenhuma característica do homem que eu quero que seja pai dos meus filhos. Só que eu também não posso abrir mão da minha sexualidade para ter ao meu lado um homem fiel e leal que eu sei que nunca vai me trair”</p>
<p style="text-align:justify;">“Érica, escute o que eu vou dizer”, ele pediu, mostrando-se compreensivo e desejando compreensão. “Eu tenho consciência do quanto eu errei com você. Admito que tentei corrigir um erro superando minha insegurança e marcando a data do nosso casamento. Mas acabei cometendo outro erro não sendo o amante que você deseja ter”</p>
<p style="text-align:justify;">Érica limitou-se a encará-lo, como quem está na expectativa para ouvir o seu nome ser sorteado para um grande prêmio.</p>
<p style="text-align:justify;">“É por esse motivo que eu tenho a hombridade de não condená-la pelo seu gesto desesperado. Talvez não seja esta a atitude que você esperava que eu tivesse, mas eu não posso fazer outra coisa a não ser sugerir que passemos uma borracha por cima disso tudo, dando continuidade à decisão que tomamos de nos casar e fazendo de tudo para corrigirmos nossos erros”</p>
<p style="text-align:justify;">Para confirmar com atos o que dizia com palavras, Pedro nem mesmo deixou Érica dar sua opinião e calou-a com um beijo repleto de sofreguidão, enquanto suas mãos afoitas iam apertando o seu corpo para junto do seu. Por sua vez, Érica não sabia o que dizer, o que pensar, como agir.</p>
<p style="text-align:justify;">Com os braços, Pedro conduziu Érica até a cama sem desgrudar os lábios dos seus e, ao deitá-la sobre o colchão, foi desabotoando sua blusa. Em seguida, Érica se viu sendo virada de bruços, enquanto o noivo soltava seu sutiã e punha-se a lamber delicadamente a pele de suas costas, fazendo com que sentisse todos os seus poros se arrepiarem ao simples toque de sua língua.</p>
<p style="text-align:justify;">Para terminar de despi-la, Pedro virou Érica novamente. Frente a frente, ele foi tirando a calça dela, enquanto beijava seus pequeninos seios e ia descendo pela sua barriga, até estacionar o rosto no aglomerado de pêlos negros bem desenhados. Após uma troca de olhares bem significativos, Pedro imaginou que Érica fosse uma manga bem suculenta e, literalmente, lambuzou-se com a fruta, sugando seu sumo até o caroço.</p>
<p style="text-align:justify;">Naquele momento, Érica sentiu-se mulher nas mãos de Pedro, como talvez nunca tivesse sentido em todos os anos de relacionamento, sendo explorada com propriedade em todos os seus pontos mais sensíveis e com a sensação de que seria possuída por um homem que demonstrava ser um macho preparado para satisfazer seus instintos de fêmea.</p>
<p style="text-align:justify;">Pela primeira vez, Pedro penetrou Érica sem preservativo.<br />
 </p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
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		<title>Aquele dos pecados da Capital</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Aug 2011 19:11:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>patrickselvatti</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;">*conto publicado originalmente na revista Meia Um. Confira o arquivo digital <a title="Meia Um" href="http://www.meiaum.com.br/arquivos/edicao/pdf380f526f53f7fb7a9988d846163569e7.pdf"><span style="color:#800000;">aqui</span></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">Naquela segunda-feira, Eunice levantou da cama antes mesmo do sol nascer. Despertou o marido, Agenor, que insistia em roncar feito um porco enrolado no cobertor, e foi para a cozinha preparar o café. Enquanto a água fervia, tratou de acordar as três filhas e arrumá-las para a escola. Correu para cozinha e arrumou a marmita do marido enquanto coava o pó de café. Após liberar a família, Eunice se arrumou rapidamente e seguiu para a parada de ônibus. Eram seis e meia da manhã. Ainda enfrentaria uma hora de viagem até o Plano Piloto e um dia de muito trabalho como empregada doméstica. Entretanto, naquela parada de ônibus lotada de Samambaia, nem sinal de qualquer transporte. Um estudante com o smartphone na mão avisou: os motoristas e cobradores do transporte público fizeram uma paralisação parcial de 30% da frota de veículos.</p>
<p style="text-align:justify;"> <span id="more-540"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto caminhava para a estação do metrô, Eunice foi pensando no quanto a vida era injusta. “Já que tinha que ser pobre, como eu queria ter nascido inteligente ou pelo menos bonita para ter arrumado um marido melhor&#8230;”</p>
<p style="text-align:justify;">Sua prima Lurdinha não teve estudos, mas era formosa, loira, boazuda, e conseguiu casar com um professor universitário que lhe dava vida de princesa. “Ah, a Lurdinha&#8230; Essa sim tem uma vida que pediu a Deus!” Era bem cuidada, usava roupa de boutique, fazia o cabelo e as unhas uma vez por semana e estampava nos olhos a sua felicidade conjugal&#8230; E o melhor: morava num bom apartamento no Cruzeiro, não andava de ônibus e seu trabalho era de recepcionista de um hotel de luxo. Esse sim era um emprego que Eunice gostaria de ter. E não passar o dia limpando sujeira da casa dos outros. Como tinha inveja da prima!</p>
<p style="text-align:justify;">Eram dez da manhã quando Eunice chegou ao trabalho, no final da Asa Norte. Naquele horário, já deveria estar com o serviço adiantado. Antes de começar a preparar o almoço, limpava a cozinha, colocava roupas para lavar e faxinava parte do apartamento. Naquele dia, todo o processo atrasaria. Pelo menos os patrões, seu Jairo e dona Irene, já haviam saído para seus respectivos trabalhos. O problema era o filho do casal. Àquela hora, Luis Felipe ainda estava na cama. E ficaria por ali até bem depois do almoço. O rapaz tinha dezenove anos &#8211; típico jovem mimado de classe média alta brasiliense – e não estudava.</p>
<p style="text-align:justify;">“Pô, eu mereço um pouco de descanso e diversão depois de dedicar quase 90% da minha vida a um banco de escola”, ele argumentava, entre uma saída e outra.</p>
<p style="text-align:justify;">A verdade é que Luis Felipe nem mesmo sabia que carreira gostaria de seguir. Qualquer coisa que passasse pela sua cabeça trazia consigo uma carga pesada de chateações. Ideal era ganhar muito dinheiro com pouco esforço. Graças a um bom relacionamento da família com um deputado distrital, estava nomeado com um cargo até razoável no governo. Recebia em torno de R$ 1,5 mil por mês (quase que o dobro do salário de Eunice), mas só aparecia mesmo no local de trabalho duas horas por dia para assinar a folha de ponto. E mesmo assim ainda reclamava da burocracia brasileira, que exigia do cidadão certas obrigações muito provincianas.</p>
<p style="text-align:justify;">Naquela segunda-feira, Luis Felipe saiu do quarto por volta do meio-dia e meia. E resmungando, irritado porque a empregada estava fazendo muito barulho. Havia chegado quase de manhã em casa, após uma boa noitada com os amigos em uma festa privada numa chácara no Lago Oeste. A cabeça estava pesada, precisava de um tipo de sossego que, não encontrando em seu próprio lar, teria que buscar no clube, só de sunga, tomando um bom drinque na beira da piscina.</p>
<p style="text-align:justify;">Deitado na confortável rede da varanda, Luís Felipe pegou o seu I-Phone e chamou o táxi que o levaria ao clube. Não estava a fim de dirigir. Dez minutos depois, o carro já estava na entrada do seu bloco. Do lado de fora, o motorista, um homem negro de óculos de aviador e colar de prata aparecendo da camisa de botões abertos, fumava um cigarro, enquanto do carro vinha o som animado de Zeca Pagodinho.</p>
<p style="text-align:justify;">“Vamos lá, meu camarada. Toca pro Iate Clube e pode deixar o som rolando que eu tou na onda do deixa-vida-me-levar&#8230;”</p>
<p style="text-align:justify;">********</p>
<p style="text-align:justify;">Para uma segunda-feira, Kleber estava muito bem-humorado. Tinha uma razão: a ausência de ônibus circulando fazia os taxistas faturarem bastante. Além disso, estreava seu carro novo, um belo possante que havia acabado de tirar da concessionária. Não era nenhum carro importado, mas tinha seus méritos: popular zero quilômetro, com ar-condicionado, trio elétrico, direção hidráulica e DVD portátil. Depois de dez anos de muita ralação pelas ruas do Distrito Federal, muito passageiro chato e muita privação na vida pessoal, o dinheiro poupado finalmente se revertia na realização de seu sonho.</p>
<p style="text-align:justify;">Após o deslocamento de aproximadamente dez quilômetros da 215 Norte até o Iate Clube, Kleber retornou ao Plano Piloto passando pela Esplanada dos Ministérios. E a sorte parecia estar ao seu lado: na altura do Ministério da Justiça, um homem trajando terno e gravata estava parado ao lado de um carro com o pneu furado, enquanto seu chofer procedia o conserto.</p>
<p style="text-align:justify;">“Segue para o setor hoteleiro”, ordenou o novo passageiro, aparentemente apressado e impaciente, falando ao celular com alguém que o aguardava ainda mais impaciente do outro lado. Pelo boton que aquele homem carregava no paletó, Kleber deduziu que se tratava de um deputado. Para lucro do taxista e prejuízo do passageiro sisudo, o trânsito na Esplanada dos Ministérios estava tumultuado naquela tarde. Os carros andavam a passos lentos, parando a cada instante. Numa dessas paradas, em frente à Rodoviária do Plano Piloto, Kleber freou, mas o carro que o seguia não acompanhou o movimento, chocando-se em sua traseira.</p>
<p style="text-align:justify;">Kleber soltou um palavrão e desceu do carro, sem se importar com o passageiro que conduzia. No veículo de trás, ainda pôde ver a motorista falando ao celular. Era uma mulher de aproximadamente cinquenta anos, muito bem vestida, de óculos escuros enormes e lenço de seda envolvendo o pescoço. Ao ver o estrago provocado na traseira de seu carro novo, o taxista não se controlou. O sangue subiu e ele começou a brigar com a mulher que havia provocado a colisão. Estava visivelmente transtornado, o rosto vermelho feito pimentão, as mãos tremendo. De sua boca, saíam palavrões impublicáveis.</p>
<p style="text-align:justify;">A mulher desceu do carro e, cheia de classe em cima do salto altíssimo, diante do tom agressivo e ofensivo daquele homem, começou a responder com autoridade e altivez. Ambos achavam-se no direito da posição de vítima e ninguém queria assumir o prejuízo do outro.</p>
<p style="text-align:justify;">“O senhor, por favor, abaixe o tom de voz que eu não sou surda”, ela foi logo exigindo.</p>
<p style="text-align:justify;">“Não mesmo, porque se fosse surda a madame não estaria falando ao celular enquanto dirigia. Mas pelo visto é cega e muito ruim de roda”</p>
<p style="text-align:justify;">“O senhor não sabe com quem está falando!”</p>
<p style="text-align:justify;">Silvia Junqueira era uma dessas figuras conhecidas na alta sociedade brasiliense. Era ex-mulher de um ex-ministro da época do ex-presidente do século passado. Teve seu apogeu no período em que Brasília ainda era só o centro da nobreza tupiniquim e, sim, já foi considerada uma locomotiva do high society brasiliense. Mas atualmente vivia dos recortes de jornais antigos e das inúmeras intervenções cirúrgicas de caráter estético a que já havia se submetido em nome da vaidade. Entretanto, ainda se sentia como se estivesse no crème de la crème da Côrte. Altiva, esnobe, pedante, olhava os outros sempre por cima. Soberba era seu nome.</p>
<p style="text-align:justify;">Kleber já estava furioso por causa do prejuízo em seu carro e ficou mais ainda quando aquela mulher esnobe e preconceituosa o ofendeu. A essa altura, o trânsito que, já estava lento, parou totalmente. Enquanto os dois motoristas envolvidos na batida discutiam, os condutores dos outros veículos começaram a buzinar e vociferar: que eles se dirigissem ao acostamento para que a passagem fosse liberada.</p>
<p style="text-align:justify;">O caos estava instalado. Em alguns minutos, a polícia militar apareceu para colocar ordem. Alheio às argumentações descompensadas dos dois condutores envolvidos na colisão, o parlamentar identificou-se e disse que estava envolvido inocentemente em uma confusão que estava impedindo-o de estar em uma reunião importantíssima com outros pares. Constrangido, o policial pediu desculpas ao parlamentar e prontificou-se a conduzi-lo até seu destino enquanto o colega resolveria o acidente de trânsito. Entrou na viatura sob protestos dos outros condutores, principalmente Kleber, que não receberia um centavo pela sua desastrosa corrida. E tudo indicava que ele ainda teria muita dor de cabeça para garantir o conserto do seu carro.</p>
<p style="text-align:justify;">********</p>
<p style="text-align:justify;">Apesar do inconveniente ocorrido no táxi que o conduziria até seu destino, o deputado federal Álvaro Pimenta conseguiu chegar à reunião com menos de uma hora de atraso ao horário previsto. Na verdade, tratava-se de um encontro secreto com um importante membro do governo do seu estado de origem em uma suíte daquele grande complexo hoteleiro de luxo no início da Asa Sul. O homem – um senhor gordo de meia-idade &#8211; já estava esperando-o, impaciente, com um cigarro preso na boca e um copo de uísque na mão. Licurgo entregou, então, ao deputado uma mala cheia de dólares. Era o pagamento por parte do governo de seu estado de origem por ter votado a favor de um projeto do interesse do partido.</p>
<p style="text-align:justify;">“Está tudo aqui”, disse Pimenta, cheirando as cédulas verdinhas, com os olhos brilhando em forma de cifras. “Avise ao governador que mês que vem haverá reajuste de 10%, ok?”</p>
<p style="text-align:justify;">Licurgo sentiu-se aliviado ao se livrar de Álvaro. Tinha cumprido a missão que o levara a Brasília. Resolvido seu único compromisso, restava-lhe agora continuar usufruindo o que, na opinião dele, a cidade tinha de melhor: a gastronomia. Do popular ao sofisticado, os cardápios brasilienses não deixavam a desejar.</p>
<p style="text-align:justify;">O roteiro gastronômico iniciou cedo. De táxi, Licurgo seguiu para a Asa Sul, onde pôs fim ao seu jejum – porque amendoim e barrinha de cereal oferecido pelo catering dos vôos não contam – numa requintada padaria. Enquanto lia o caderno de política, degustou diversos tipos de pães doces e salgados, com recheios diversos como manteiga, requeijão, queijo, presunto, patês alternados e ovos com bacon. Na hora do almoço, a dúvida ficou entre churrascaria e cantina, mas foi convencido por um amigo a se render à famosa buchada de bode preparada pelos nordestinos na feira do Núcleo Bandeirante. De sobremesa, lambeu os beiços com o robusto petit gateau de uma famosa lanchonete da cidade. E ainda encontrou espaço no estômago para comer dois pasteis de queijo na rodoviária, com caldo de cana.</p>
<p style="text-align:justify;">Para o jantar, Licurgo não pensou duas vezes: o rodízio de churrasco era a melhor opção. Foi caminhando até a churrascaria gaúcha estrategicamente instalada ao lado do seu hotel. Sentou-se em uma mesa sozinho e iniciou o seu ritual de glutonaria: comeu massa e uns quitutes japoneses e, para arrematar, não rejeitou nenhum tipo de carne suculenta que passava pela sua frente, com aquele odor apetitoso.</p>
<p style="text-align:justify;">“Pode me servir de tudo: coraçãozinho, frango, picanha, maminha&#8230;”</p>
<p style="text-align:justify;">Com cinquenta e seis anos, Licurgo era obeso, consumidor de dois maços de cigarros diários, apreciador do bom uísque e totalmente avesso a qualquer prática esportiva. Hipertenso, diabético e portador de outras bombas relógio tiquetaqueando dentro do coração. Trabalhando com uma política sempre em crise, então, o infarto era algo iminente.</p>
<p style="text-align:justify;">“Por favor, alguém me ajude!”, gritou a jovem recepcionista ao ver aquele homem enorme de gordo caído na entrada do hotel.</p>
<p style="text-align:justify;">Lurdinha estava assustada com a cena que havia acabado de presenciar. No chão, ao lado do corpo de Licurgo, gorfos de comida. Por sorte, havia um médico entre os hóspedes do hotel e o socorro foi imediato. Em instantes, a ambulância chegou, levando-o para o hospital.</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto rezava para que o pobre homem não abotoasse o paletó de madeira, ligou para casa. “Estou traumatizada, meu benzinho. Não sei por que, mas senti uma vontade enorme de ouvir a voz do meu maridinho”</p>
<p style="text-align:justify;">Por telefone, de casa, no Cruzeiro, Guilherme tranquilizou a esposa. “Meu amor, o plantão está só começando. Há ainda uma noite inteira de trabalho e esse episódio precisa ser esquecido. Fique bem. Estou com saudades, benzinho”</p>
<p style="text-align:justify;">Após encerrar a ligação, Guilherme retornou ao computador. Já havia concluído o trabalho acadêmico, acessou a internet.</p>
<p style="text-align:justify;">Guilherme tinha um bom casamento com Lurdinha. Era apaixonado pela esposa e sentia-se realizado sexualmente com ela. Tinha ao seu lado uma mulher bonita, carinhosa, cheirosa e até certo ponto safada. Transavam diariamente, às vezes até mais de uma vez por dia. Entretanto, aquele homem de trinta e poucos anos, bonito que só, sentia falta de algo que nenhuma mulher poderia lhe dar.</p>
<p style="text-align:justify;">Era inconfessável, mas Guilherme sentia atração por outros homens. O que guardava para si era muito forte e precisava extravasar. E a maneira que encontrava para não se sufocar com seu desejo era justamente aquele: buscando prazer na internet todas as noites, enquanto a esposa trabalhava. Mas não se considerava infiel. Sua safadeza resumia-se exclusivamente ao mundo virtual. Na internet, permitia-se tudo: sem revelar sua verdadeira identidade, despia-se de qualquer pudor e entregava-se ao mais extremo prazer possível por meio de uma câmera acoplada ao computador. Adorava a sensação de seduzir, provocar, dizer obscenidades, acariciar seu corpo visualizando um homem desconhecido que, do outro lado da tela, também se oferecia ao voyeurismo.</p>
<p style="text-align:justify;">Após a satisfação física e emocional, adormecia feliz. E pela manhã, quando Lurdinha chegava em casa, Guilherme a recebia com intensa paixão. Era um marido sem defeitos, afinal.</p>
<p style="text-align:justify;">********</p>
<p style="text-align:justify;">Na manhã seguinte, enquanto Lurdinha se debruçava em sua ilusão, na mesma hora, Eunice saía para trabalhar e seguia viagem, de ônibus, em pé. Ao seu lado, estava Kleber que, sem carro, ia ao encontro de Silvia Junqueira na delegacia onde estava presa por desacato à autoridade. No caminho, lia no jornal popular a notícia de que, antes de morrer, o assessor político Licurgo Castanheira havia confessado a entrega de mensalão para o deputado Álvaro Pimenta. Já no apartamento da Asa Norte em que Eunice trabalhava, Luís Felipe não acordaria tão cedo &#8211; havia passado a madrugada trocando obscenidades virtuais com um homem que se identificara apenas como Professor Casado.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim, um novo dia começava. Pronto para o deleite de novos pecados na capital.</p>
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		<title>Aquele do insensato coração (ou os finais de novela previstos em sinopse)</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Aug 2011 13:32:59 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Geralmente, os autores ja escrevem as sinopses de suas novelas com comeco, meio e fim ja planejados. Eu sou assim. Porque escrever uma sinopse e&#8217; como escrever um livro. Admiro Gilberto Braga porque ele consegue ser fiel a sua sinopse mesmo novela sendo obra aberta. O final de Insensato Coracao, comparado com o seu comeco, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=patrickselvatti.wordpress.com&amp;blog=2089297&amp;post=536&amp;subd=patrickselvatti&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Geralmente, os autores ja escrevem as sinopses de suas novelas com comeco, meio e fim ja planejados. Eu sou assim. Porque escrever uma sinopse e&#8217; como escrever um livro. Admiro Gilberto Braga porque ele consegue ser fiel a sua sinopse mesmo novela sendo obra aberta. O final de Insensato Coracao, comparado com o seu comeco, mostra que ja estava definido que Wanda mataria Norma por seu louco amor dedicado ao filho Leo.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-536"></span>Wanda nunca enxergou a falha de carater de Leo. Sempre protegeu o seu bebezinho do mundo injusto. Fato que ela mataria aquela que ameacou destruir sua vida: Norma. Dinheiro nenhum do mundo a faria permitir que aquela mulher vingativa destruisse seu filho mais que amado. Era de Wanda o insensato coracao que deu titulo a novela. E Gilberto Braga somente explicou isso no final. O que ja estava claro na primeira cena. Quem nao lembra, reveja o primeiro bloco.<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://patrickselvatti.wordpress.com/2011/08/21/aquele-do-insensato-coracao-ou-os-finais-de-novela-previstos-em-sinopse/"><img src="http://img.youtube.com/vi/EeGd1yHmYVc/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">Pedro e Marina nao emplacaram porque o foco nunca foi eles. Protagonistas de fato foram Leo, Wanda e Norma. Um homem mau carater amado loucamente por dois insensatos coracoes. Gilberto sempre repetiu que a espinha dorsal dessa novela era a relacao familiar. E eu me lembro que ja se falava que haveria um &#8220;quem matou Norma?&#8221; antes mesmo da novela estrear. E so revendo o primeiro capitulo hoje que eu me toquei de que tudo que se desenrolou agora sempre fez sentido. O telespectador comum nao compreende justamente por ser uma obra aberta. As interpretações geralmente comprometem a sinopse original.</p>
<p style="text-align:justify;">Por isso admiro o Gilberto (apesar de achar que ele se perdeu nessa novela pelo excesso de personagens). A Gloria Perez, por exemplo, leva em conta as interpretacoes. Marcio Garcia nao rendeu e seu Bahuan perdeu espaco pro Raj do Rodrigo Lombardi, que tinha sua morte prevista na sinopse original de Caminho das Indias. Ja o Manoel Carlos se pauta pelo que ouve dos telespectadores nas padarias e farmacias do Leblon. Por isso, nao matou a Eduarda como previu na sinopse original de Por Amor. E deixou que a Helena de Viver a Vida virasse coadjuvante em detrimento do drama da cadeirante Luciana.</p>
<p style="text-align:justify;">O unico autor que eu acredito seguir a linha Gilberto Braga de fidelidade as sinopses e&#8217; Silvio de Abreu. Suas tramas sao tão bem amarradas do inicio ao fim quanto às do colega &#8220;da elite carioca&#8221;. Desde o inicio de Passione, Abreu ja sabia que Clara mataria Saulo. E ha quem diga que a morte da mocinha Diana tambem ja estava na sinopse.  No último capítulo, ficou claro que Clara tinha motivos para ser como era. Houve quem pedisse pra ela ficar boazinha e ser feliz ao lado de Totó, mas isso complicaria toda a estrutura da trama que criou.  Da mesma forma, houve quem criticasse a morte da Norma. Eu mesmo jurava que ela nao tivesse morrido!!!! Como assim, matar a protagonista?</p>
<p style="text-align:justify;">Nem Silvio nem Gilberto atenderam aos apelos populares. Atitudes louváveis, porque sao arriscadas. Novela nao e&#8217; como um filme e, por ser obra aberta, o público rejeita certos desfechos. Se Maya terminasse a novela Caminho das Indias com Bahuan, o publico perdoaria Gloria Perez? E se Eduarda tivesse morrido em Por Amor, como seria quando Maneco fosse caminhar pelo Leblon?</p>
<p style="text-align:justify;">Gilberto Braga mais uma vez pagou pra ver. Pena que os últimos capítulos foram corridos demais para que ele pudesse deixar mais claro o seu intuito ao escolher Wanda, desde o início da trama, para ser a assassina de Norma - a protagonista predestinada a morrer no final da novela.</p>
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		<title>Aquele das brasilienses &#8211; A internauta de Águas Claras</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jul 2011 17:30:14 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Selma era filha de um fazendeiro de gado no Pantanal, e, apesar de ter sido criada entre boiadeiros, gostava das coisas urbanas: adorava filmes alternativos, ouvia Amy Winehouse e Lady Gaga em vez de Luan Santana e Paula Fernandes, devorava os livros do Harry Potter e tinha muito talento pra manejar tecnologia. Veio para Brasilia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=patrickselvatti.wordpress.com&amp;blog=2089297&amp;post=520&amp;subd=patrickselvatti&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Selma era filha de um fazendeiro de gado no Pantanal, e, apesar de ter sido criada entre boiadeiros, gostava das coisas urbanas: adorava filmes alternativos, ouvia Amy Winehouse e Lady Gaga em vez de Luan Santana e Paula Fernandes, devorava os livros do Harry Potter e tinha muito talento pra manejar tecnologia. Veio para Brasilia para fazer faculdade de comunicação social, com habilitação em publicidade, mas queria mesmo era ser astrônoma: dizia que se interessava muito por tudo que se referia aos astros, ao sistema planetário de um modo geral. Tinha 22 anos, era do signo de aquário com ascendente em capricórnio e lua em touro. Selma acreditava piamente na existência de vida fora da Terra e jurava já ter visto um disco voador.</p>
<p style="text-align:justify;">Morava na Capital Federal já fazia uns dois anos, dividindo um apartamento com uma amiga em Águas Claras. Mas se quisesse encontrá-la, era só procurar em qualquer uma dessas redes sociais possíveis e imagináveis. Internauta de nome e sobrenome, Selma fazia exposição de sua vida vinte quatro horas por dia. Com um smart phone na mão, revelava cada passo por meio do Foursquare, fazia comentários do seu dia a dia no Twitter, publicava foto de tudo no Facebook e mantinha sua conta no Orkut por causa das comunidades que curtia. Mas seu maior prazer cibernético estava em participar de sites de encontros sexuais. Para isso, ela criou um perfil fake, até para sair um pouco de sua rotina, e também preservar sua identidade. Era moderninha, mas nem tanto. Pescou uma foto qualquer de mulher no Google, criou o nome de Bianca, disse que era astrônoma. E foi nessa brincadeira que sua vida realmente passou por uma revolução astral.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-520"></span>Foi pela internet que Selma conheceu João Paulo, um jornalista de 28 anos, sub-editor de cultura de um jornal mediano de Brasília. Encantou-se pela sua conversa sem saber como era sua aparência física: ele gostava de ouvir jazz, curtia filosofia e era fa de Harry Potter. Apesar de todos os recursos atuais, Selma queria mesmo manter o ar de mistério. E João Paulo entrou na brincadeira: como não fazia parte de nenhuma rede social, seria fácil manter seu anonimato. Descreveu-se como um cara não muito bonito, alto demais para o seu peso, os cabelos bem pretos, sobrancelha grossa, nariz comprido, boca grande e rosto quadrado. João Paulo disse que tinha a pele amorenada e muitos pêlos pelo corpo. Falou ainda que usava óculos de grau de armação quadrada e preta, gostava de deixar a barba por fazer e não tinha nenhum sinal no corpo além de umas pintas nas costas e na virilha. Apesar da impressão de estar envolvida com um macaco branco, magro, alto e nerd, “Bianca” não se acovardou: gostou mesmo foi de saber que ele era do signo de touro.<br />
“Como minha lua é em touro e a lua define a parte sentimental, vamos nos dar bem”, ela explicou. E acrescentou: “Além do mais, taurinos são muito bons de cama&#8230;”</p>
<p style="text-align:justify;">Marcaram encontro para um sábado à tarde, no parque de Águas Claras, bem em frente ao apartamento que Selma dividia com sua amiga. A descrição que João Paulo tinha era de uma moça de pele branca, cabelos levemente ruivos, curtos, algumas sardas espalhadas pelo corpo, uma lua rodeada de estrelas como tatuagem no ombro esquerdo e um piercing no umbigo. Não era muito alta nem muito baixa e, sim, “bem mais magra do que desejava”. Naquele dia, ela estava usando um vestido lilás, com uma flor pendurada na orelha direita. Ele se aproximou de mansinho, bastante nervoso, um pouco trêmulo.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao vê-la de frente, João Paulo teve certeza: “Bianca” era exatamente como ela havia imaginado. Selma também se agradou daquele cara que usava sandália franciscana, calça de sarja branca folgada e camiseta preta lisa, com um colar de pedaços de madeira no pescoço, os óculos de armação preta nos olhos e uma bolsa de couro a tiracolo. A barba estava por fazer e os cabelos um pouco desengrenhados. Uma mistura de Christian Slater em <em>Entrevista com o vampiro</em> com o Antonio Banderas em <em>Mulheres à beira de um ataque de nervos</em>, ela própria descreveria mais tarde.</p>
<p style="text-align:justify;">Conversaram sobre tudo, reafirmaram afinidades. Os olhares denunciavam o encanto. Estava rolando quimica, mas o beijo demorou para acontecer. E veio em tom de comedia. Depois que separaram os lábios, Selma olhou para João Paulo e ficou rindo. Ele estranhou, perguntou se o gosto de cigarro estava muito forte, pôs outra balinha na boca para aliviar. Fumava muito, esse era seu maior vício, não conseguia largar. Mas “Bianca” disse que não se importava com o gosto, até curtia, mesmo não fumando. Estava rindo porque ele passava a língua no céu da boca&#8230; e dava cócegas. Joao Paulo ficou rubro de vergonha.</p>
<p style="text-align:justify;">Se o primeiro beijo foi aquela tragicomédia, não precisa nem dizer que a primeira transa foi um caos. Primeiro, a dificuldade de João Paulo, tímido, em tomar a iniciativa, principalmente por estar no apartamento dela &#8211; ele tinha dificuldade em se adaptar fora do seu habitat natural. Depois, o jornalista não estava conseguindo desatar o sutiã de Selma e, quando finalmente o tirou, apertou o seio dela com muita força na tentativa de acariciá-lo. No quarto, ao deitar na cama, ele bateu a cabeça na quina. Depois, Joao Paulo se enrolou na hora de colocar o preservativo, gastando uns tres diferentes antes mesmo de iniciar a penetracao. E, para fechar com a pior chave, na ansiedade, o ejacular veio rápido demais. Mas, no final, deu tudo certo: Selma gozou com o auxilio dos seus dedos e relaxou, satisfeita, em seu peito enquanto Joao Paulo se aliviava do clima tenso dando baforadas para o ar.</p>
<p style="text-align:center;">*****</p>
<p style="text-align:justify;">Há muito tempo Selma procurava um homem como João Paulo. Que a fizesse rir, que a entendesse, que gostasse das mesmas coisas. Estava cansada de homens vazios que a reviravam na cama, mas nao levavam sua mente ao orgasmo. No sexo, João Paulo era desajeitado, mas sua ternura a encantava. Se fosse outro que gozasse antes da hora, certamente teria deixado-a no se-vira-sozinha.</p>
<p style="text-align:justify;">Entretanto, naquela mesma noite, Selma foi com a melhor amiga em uma boate que havia sido fechada para a despedida de solteira de uma colega do trabalho. Ja estava combinado, nao podia faltar: ia ter strip tease e tudo! O champanhe e a vodca eram algo como água em início de coquetel. Beberam taças e mais taças. Selma nao se fez de santa: entrou no clima, desceu ate o chao e subiu no palco para dançar com os gogo-boys. Eram três, um de cada tipo: loiro tipo europeu, moreno de pele clara e negro by Africa. Selma escolheu o loiro: tinha olhos verdes, era alto, musculoso, usando uma sunga branca minúscula que revelava um conteúdo bem recheado na frente e no verso; na lateral do seu dorso, uma serpente tatuada que descia até a coxa.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois do show, o dançarino procurou Selma: começaram a conversar, a beber, a dançar&#8230; Ela estava em estado de ebriedade. Sorria muito, falava bobagens com a lingua bem dormente, tuitava&#8230; Quando viu, Selma já estava no banheiro masculino, vazio por causa da ausência de homens no local. Deu pro dançarino em cima da pia.</p>
<p style="text-align:justify;">No dia seguinte, além da ressaca, Selma tinha acordado com uma grande culpa pelo que havia acontecido. Por mais que estivesse encantada com João Paulo, com seu papo e até com seu beijo, aquele gogo-boy havia agitado sua cabeça e, principalmente,  seu corpo. Ela gostava de sexo. Gostava de homens com boa pegada, que a faziam ver estrelas quando a levavam ao orgasmo. Com João Paulo o lance era mais sentimental. Mas estava realmente encantada. Era melhor esquecer e levar adiante o namoro. Muita confusão em sua cabeça.</p>
<p style="text-align:justify;">Naquele domingo, Selma e João Paulo encontraram-se no fim da tarde. Tomaram um café juntos, viram o novo filme do Woody Allen e terminaram a noite em um clima de luz de velas. João Paulo estava mais desenvolto. O sexo foi poético e sensual.</p>
<p style="text-align:justify;">Porém, alguns dias depois, Selma reencontrou o gogo boy. Ele trabalhava em uma loja no shopping de Águas Claras. Igor estava saindo para o almoço; chamou Selma para tomar um sorvete de iogurte. O rapaz era bonito demais. Estava usando uma calça jeans bem ajustada no corpo e uma camiseta branca que realçava seus moldes bem definidos.</p>
<p style="text-align:justify;">Muitos músculos, pouco cérebro. O problema era que Igor não conseguia levar um papo mais cabeça. Nem tentava. Era extremamente ignorante de qualquer cultura. Tinha 25 anos e havia largado a escola aos 15, depois de repetir várias séries. Só falava sobre academia, esporte, sexo&#8230; Aquela boca não pronunciava nada de útil. Mas, quando se deu conta, Selma estava sendo beijada por ela, sedenta, agressiva, doce&#8230;  Em instantes, os dois estavam transando de novo, desta vez no banheiro do shopping!!! E foi ainda melhor que da primeira vez, porque o risco de alguém pegar era bem maior&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Igor era desses que sempre tinham uma camisinha no bolso, mas nunca com validade vencida. Tinha facilidade para fazer sexo ocasional. O cara era algo entre o céu e o inferno. Um sujeito safado, forte, agressivo. Na cama, um macho que conhece e utiliza bem cada órgão de seu corpo: a mão que segura com firmeza, a boca que parece querer engolir, o nariz que cheira a pele com desejo, o sexo que invade e possui de forma completa, veloz e segura, numa agressão amortecida de suavidade&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;E ainda um espetáculo de beleza. Louro, alto, forte, tatuado, bem-dotado&#8230; Leonino típico, vaidoso, exibido, garanhão. Um deus grego, um apolo que deixa qualquer mulher com água na boca!&#8221;, definiria Selma em seu Twitter, no ápice do êxtase, enquanto voltava para casa, sem calcinha &#8211; que acabou ficando com Igor. O corpo estava quente, as pernas moles. Tomou um banho longo e adormeceu.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando acordou, recebeu um tweet romântico de João Paulo. Não, Selma não queria abrir mão de João Paulo. Os momentos que passava com ele eram perfeitos, maravilhosos. Aquele taurino com lua em escorpião, doce, carinhoso, sensível, meticuloso&#8230; Meio atrapalhado, mas sempre preocupado com o seu bem-estar, com o seu prazer&#8230;. João Paulo era inteligente, era culto, entendia as coisas que ela pensava, compartilhava as suas idéias&#8230; “E toda mulher sabe o poder afrodisíaco de uma boa conversa. Não basta saber usar a cabeça de baixo, se a de cima não funcionar legal”, ela havia postado no seu Facebook, para mais de dez mulheres curtirem. E Igor, o que tinha de belo tinha de burro. Não sabia nem falar direito, quanto mais escrever. Mas quando tirava a roupa&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Selma decidiu fazer um teste. Precisava avaliar melhor os dois pretendentes antes de escolher. Ambos queriam namorá-la, mas, para não ser leviana, decidiu abrir o jogo: revelou para ambos que estava envolvida com outro cara e não conseguia ainda optar por apenas um. João Paulo ficou triste: estava realmente apaixonado, queria um namoro sério, cheio de poesia. Apesar de um pouco frustrado, Igor se abalou menos: competitivo, estava disposto a tudo para provar que era a melhor escolha.</p>
<p style="text-align:justify;">A internet foi a solução encontrada. Com João Paulo, agora já com a câmera aberta, Selma namorava por meio de conversas inteligentes, engraçadas e um pouco de sacanagem, mas bem leve, sem ao menos exibir nudez. Já com Igor não rolava conversa: era putaria do início ao fim, com direito a muitas palavras obscenas e nenhuma roupa. Em ambos casos, Selma gozava e ia dormir com sensação de felicidade e bem-estar. Mas a dúvida persistia e seu prazo estava próximo do fim. &#8220;Preciso chegar a uma posição definitiva. Por que pra mulher é tão difícil fazer uma escolha?&#8221;, desabafava para seus mais de mil seguidores.</p>
<p style="text-align:center;">*****</p>
<p style="text-align:justify;">Algum tempo depois, Selma chamou seus  pretendentes à realidade. Encontrou-se com os dois ao mesmo tempo, em seu apartamento. Precisava estar diante deles de forma pessoal e simultânea para ter um veredito claro. E ter seus dois homens ao seu alcance foi uma sensação extremamente confortável. Seu desejo era unir as qualidades e os defeitos de ambos em um só: Igor era um macho sexualmente atraente e um poço de safadeza; João Paulo era charmoso, tinha estilo, inteligência e poesia.</p>
<p style="text-align:justify;">Já para eles&#8230; a situação não era nada confortável. Igor, ao se deparar com seu oponente, cresceu como um pavão. Não se imaginava perdendo mulher para um nerd. E essa foi a mesma sensação de João Paulo: mexendo muito na armação de seus óculos, concluiu que a derrota para o rival era certa. Os atributos físicos daquele homenzarrão eram imbatíveis&#8230; A diferença era de uns dez quilos de massa muscular e pelo menos uns cinco centímetros de comprimento&#8230; Entretanto, Igor deu uma boa balançada ao perceber a afinidade intelectual que existia entre Selma e João Paulo.</p>
<p style="text-align:justify;">Selma mandou os dois esquecerem as medidas. Tamanho nem sempre era documento e nem quantidade significava qualidade. Não escolheria por quem tinha pau ou cerébro maior. Metaforicamente, definiu as diferenças dos rapagões da seguinte forma: enquanto Igor a levava para perto do Sol, com todo o seu calor, João Paulo a conduzia para a Lua, calma e cheia de brilho. Desde pequena, sempre gostou muito do dia, para brincar, andar a cavalo, correr pelo mato, tomar banho de rio&#8230; Mas a noite a fascinava, com sua magia, seu encanto, seu brilho e seus mistérios.  E concluiu: “Só que até hoje eu não sei dizer qual desses dois eu gosto mais: do Sol ou da Lua. Como vou saber de qual de vocês dois eu quaro mais?”</p>
<p style="text-align:justify;">Selma não achava justo. Estava decidida a não decidir nada. “Por que eu posso ter o sol e a lua no mesmo dia e não posso ter vocês dois comigo também?”<br />
“Como assim?”, foi a pergunta uníssona.<br />
“Eu gosto de vocês dois com a mesma intensidade, cada um com seu jeito. Um para o dia, o outro para a noite, como o sol e a lua. Se vocês gostam de mim de verdade, vão ter que aceitar que eu fique com OS DOIS!”</p>
<p style="text-align:justify;">Como era de se esperar, nem João Paulo nem Igor quiseram dar o braço a torcer. Ambos eram machistas demais para aceitar a ideia de dividir a mulher com outro. E ela decidiu que ou eram dois ou era nenhum. E nem adiantaria um querer abrir mão dela pelo outro. Selma havia deixado bem claro que queria os dois juntos.</p>
<p style="text-align:justify;">“E agora? O que faremos?”, quis saber João Paulo, acendendo um cigarro já do lado de fora.<br />
“E se a gente aceitasse a proposta dela?”, ele sugeriu, arrancando a camisa e inflamando os músculos dos bíceps.<br />
“Você não está falando sério&#8230;”<br />
“Se eu gosto dela pra valer e tu diz que também não quer ficar sem ela&#8230;”<br />
“Você toparia dividir a mulher com outro cara?”<br />
“Já dividi tantas&#8230;e já fui dividido tantas vezes&#8230;”<br />
“Não sei se aguentaria saber que a garota que eu gosto está transando com um saradão bem-dotado&#8230;”<br />
“Também não gosto da ideia de saber que a minha gata está cheia de denguinhos com outro cara, ainda mais sabendo que tu é mais papo-cabeça que eu”<br />
“Ou nós dois ficamos com ela&#8230; ou a gente perde ela pra outro”</p>
<p style="text-align:justify;">João Paulo e Igor se olharam. Sem dizer mais nenhuma palavra, levantaram-se e correram juntos para o apartamento de Selma. Quando ela abriu a porta, eles foram logo avisando que aceitavam a proposta.</p>
<p style="text-align:justify;">Selma abriu um largo sorriso. O combinado foi o seguinte: ela ficaria com Igor às segundas, quartas e sextas e com João Paulo, às terças, quintas e sábados.</p>
<p style="text-align:justify;">“Domigo eu descanso, porque ninguém é de ferro. E vocês dois deverão se comportar. Se eu sonhar que um de vocês está me traindo com outra, acabo com tudo”</p>
<p style="text-align:justify;">A convivência a dois não é tarefa fácil. Com uma terceira pessoa na relação, a dificuldade fica ainda mais evidente. E essa passou a ser a realidade daquele trio inusitado. O ciúme tornou-se incômodo quando um sabia que a namorada estava com o outro. Em sua casa, estudando para concurso ou escrevendo matéria, João Paulo não conseguia se concentrar; na loja, Igor estava perdendo vendas pela falta de atenção.</p>
<p style="text-align:justify;">Um belo dia, domingo, Selma veio com a novidade: queria ficar com os dois ao mesmo tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">“Menage a trois nunca foi um problema para mim”, disse João Paulo, “mas desde que não haja dois homens e apenas uma mulher”<br />
“Com duas mulheres, de boa. Já fiz e acho massa! Mas essa tal de homenagem-a-sei-lá-quem aí não faz minha cabeça, não&#8230;”, argumentou Igor.</p>
<p style="text-align:justify;">A idéia não agradou aos homens de início, mas Selma exigiu e logo eles foram se acostumando. Aceitaram, desde que não houvesse qualquer tipo de contato entre os dois membros do sexo masculino. Literalmente. Assim, João Paulo e Igor se revezariam entre lábios, seios e vagina de Selma. Foi uma divisão bem democrática. Enquanto um a penetrava, o outro era chupado por ela. No final, todo mundo gozou e não houve qualquer tipo de trauma para ninguém. Os três ficaram satisfeitos. A novidade os deixou bem excitados.</p>
<p style="text-align:justify;">No dia seguinte, Selma determinou: “Vamos sair agora mesmo, para comprar uma cama que caiba nós três. A partir de agora, seremos três o tempo todo”</p>
<p style="text-align:justify;">Selma, João Paulo e Igor passaram a dormir na mesma cama. E assim foram vivendo, de forma harmônica e consensual. Em poucos meses, o trio dividia o mesmo teto. Selma postava fotos do trio no Facebook, narrava as peripécias a três no Twitter. Andavam pelas ruas abraçados, de mãos dadas. Selma beijava um, beijava outro. Quem via não conseguia acreditar. E eles se divertiam como crianças.</p>
<p style="text-align:center;">*****</p>
<p style="text-align:justify;">Até que, após seis meses de relação, Igor veio com a novidade: havia recebido uma proposta para trabalhar como modelo em São Paulo. Queria que os companheiros o acompanhassem. Selma até que toparia, se João Paulo também fosse. Mas o jornalista havia acabado de passar em um concurso público, não poderia sair de Brasília.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim, Igor bateu asas e voou. Iria desfilar na Fashion Week. E o relacionamento de Selma e João Paulo não resistiu à ausência do terceiro vértice. Ela já havia se acostumado demais em estar com os dois juntos que, ao se ver sozinha com apenas um, não conseguia se entregar da mesma forma. As qualidades de um compensavam os defeitos do outro. Selma adorava a inteligência, o romantismo e a timidez de João Paulo, mas sentia falta da burrice do Igor, do seu corpo apolíneo e daquele sexo mais selvagem que só ele sabia fazer. O próprio João Paulo sentia a ausência do “sócio”. Por incrível que pareça, dividir a mesma mulher com Igor lhe dava segurança. Afinal, sua presença era a garantia de que Selma não buscaria fora de casa aquilo que ele não poderia suprir.</p>
<p style="text-align:justify;">Aquela história a três terminava sem mágoas e ressentimentos. João Paulo e Igor seriam grandes amigos &#8211; cada um do seu jeito &#8211;  e torceriam para que Selma encontrasse logo o seu homem ideal, aquele que reuniria, em uma só pessoa, todas as qualidades que eles possuíam.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim, &#8220;Bianca&#8221;, então, retornou à internet.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/patrickselvatti.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/patrickselvatti.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/patrickselvatti.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/patrickselvatti.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/patrickselvatti.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/patrickselvatti.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/patrickselvatti.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/patrickselvatti.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/patrickselvatti.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/patrickselvatti.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/patrickselvatti.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/patrickselvatti.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/patrickselvatti.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/patrickselvatti.wordpress.com/520/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=patrickselvatti.wordpress.com&amp;blog=2089297&amp;post=520&amp;subd=patrickselvatti&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Aquele das brasilienses &#8211; A beata de São Sebastião</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jul 2011 00:12:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>patrickselvatti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mindinho]]></category>
		<category><![CDATA[beata]]></category>
		<category><![CDATA[são sebastião df]]></category>
		<category><![CDATA[sexo com padre]]></category>

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		<description><![CDATA[Carolina tinha 33 anos de idade e estava decidida a nunca se casar e sair de casa. Não era nenhum exemplo de beleza feminina, mas também não era feia por natureza. Ela gostava de se vestir de uma maneira que a deixava ainda menos bonita: além de precisar usar óculos de grau com armação grossa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=patrickselvatti.wordpress.com&amp;blog=2089297&amp;post=517&amp;subd=patrickselvatti&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Carolina tinha 33 anos de idade e estava decidida a nunca se casar e sair de casa. Não era nenhum exemplo de beleza feminina, mas também não era feia por natureza. Ela gostava de se vestir de uma maneira que a deixava ainda menos bonita: além de precisar usar óculos de grau com armação grossa e aparelho fixo nos dentes, seus cabelos negros e anelados estavam sempre presos e suas roupas eram sempre marcadas pelo avesso da sensualidade: vestidos longos sem molde no corpo esguio ou calças largas.  Nem parecia ser filha de uma especialista em beleza feminina. A mãe, Teresa, era uma senhora esbelta e vaidosa, dona do salão de beleza mais famoso de São Sebastião. Vestia-se bem, tinha os cabelos sempre em penteados joviais e maquiagem bem feita. Frequentava academia de ginástica, saía pra tomar cerveja com as amigas e para dançar forró e música sertaneja. Foi numa dessas que conheceu o Fabio, um rapaz de 30 anos por quem era loucamente apaixonada. Para desespero de Carolina, que não aprovava nem um pouco a postura libertina da mãe. Por sua vez, a maior tristeza de Teresa era ter consciência de que, mesmo que quisesse, a filha não conseguiria arrumar um marido nunca.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-517"></span><br />
Quando era mais jovem, na época em que fazia o curso de magistério, Carola – como passou a ser chamada na adolescência – era romântica, sonhadora, vivia se apaixonando por rapazes bonitos e inteligentes. Aos 17 anos, bem que chegou a namorar um rapaz. Elias não era nenhum galã de novela, mas era um tipo simpático e trabalhador que parecia ter caído do céu, de tão bom e puro.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de poucos meses de namoro, Elias e Carolina ficaram noivos e marcaram a data do casamento. A própria Teresa dizia que o futuro genro não existia, de tão precioso. Parecia uma reencarnação de seu marido &#8211; o que deixou Teresa encantada.  O falecido Jonas era um homem de virtudes praticamente estampadas em sua feição, o que fazia com que fosse admirado pela família, pelos amigos, vizinhos e colegas de trabalho. Funcionário de carreira de um grande banco, Jonas era conhecido por sua honestidade e plenitude de caráter. Sem vícios, vivia para o trabalho e para a família. O máximo que fazia era se encontrar com alguns amigos na barbearia, onde, enquanto faziam cabelo, barba e bigode, ele discutia política com a visão mais idealista já vista naquela região.</p>
<p style="text-align:justify;">Por forças do destino, Jonas morreu muito jovem, aos trinta e poucos anos. Sua morte foi justificada pelos amigos como um castigo de Deus à humanidade, que não merecia viver com um ser humano tão especial. O marido de Teresa foi vítima de um acidente de trânsito, quando saía do banco, deixando a esposa grávida e ainda cuidando da filha, então com cinco anos. Diante da cruel realidade, que lhe reservava uma vida de privações, Teresa enfrentou a batalha de criar sozinha a filha. E agora se sentia feliz por Carola ter encontrado um rapaz como Elias para lhe garantir um bom futuro. Tratava a namorada com o cuidado de quem acarinha um bebê ou rega uma flor delicada. Esse, ela dizia, jamais vai trair a mulher!<br />
Ledo engano. Nas vésperas do casamento, Carola descobriu que Elias, na verdade, já era casado e tinha três filhos. Além disso, já era a terceira em quem o desgraçado aplicava o conto do vigário. Depois disso, Carola criou pavor tão grande dos homens que nunca mais namorou. Era completamente virgem naquela idade. Desde então, sua vida passou a ser ainda mais desinteressante. Professora formada, seus dias se resumiam na alfabetização de crianças e no auxílio aos trabalhos da igreja. Passava quase o dia todo na paróquia frequentada pela comunidade daquela região de São Sebastião.<br />
Mesmo incomodada com sua solteirice, Teresa não perdia muito tempo se preocupando com a vida de Carola. A justificativa era o fato de sentir na igreja a garantia de que a filha estaria sempre bem. Dizia que havia se casado com Jesus Cristo. “Minha vida é dedicada a servir ao Senhor”, repetia sempre.</p>
<p style="text-align:justify;">O Padre Emílio era um velho amigo da família. Primo de segundo grau de Jonas, batizou a sua filha Carolina, que agora era a sua principal assistente no trabalho paroquiano – e ela tinha por ele um amor extremamente paternal. Até que, muito doente, já atingido pela idade avançada, Padre Emílio teve que aposentar a batina, abandonando a liderança da igreja. E Carola não gostou nada de saber que um novo pároco viria para aquela comunidade. Já estava tão acostumada com seu bom e velho pastor&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">O substituto de Padre Emílio causou mesmo muito choque em sua chegada. Em vez de batina, Padre Santiago usava calça jeans e camisa de manga comprida com os botões fechados até a gola. Os cabelos levemente grisalhos destoavam do rosto de feições joviais. O sacerdote era um homem bonito, de quase quarenta anos, que colecionava uma série de admiradoras por onde passava. Seu carisma era uma forte arma de sedução, que ele usava para converter pecadores. Mas não eram raras as mulheres que consideravam um desperdício um homem tão bonito fazer votos de castidade. E nem homens a criar profunda antipatia pelo risco que corriam por causa de seu charme.</p>
<p style="text-align:justify;">Entretanto, Santiago Piovate fazia jus à sua fama de santo homem. Na vocação religiosa desde a infância, nunca havia conhecido nenhuma mulher sexualmente. Em seus sermões, combatia veementemente a prática desordenada do sexo e levava a ferro e fogo muitos dogmas da Igreja Católica. Era totalmente contrário, por exemplo, à utilização de métodos anticoncepcionais como preservativo e pílulas. Por várias vezes, encabeçou manifestações públicas na Esplanada dos Ministérios contra a votação de leis que autorizassem a união civil entre pessoas do mesmo sexo e o aborto em caso de estupro ou má formação do feto. Ultimamente, era um bravo defensor da proibição das experiências com célula-tronco.<br />
Para Carola, especialmente, Padre Santiago chegou a São Sebastião trazendo sensações inusitadas. Ela não era mais a mesma. Estava desconsertada. Na missa, não conseguia mais se concentrar da mesma forma: Carola olhava fixamente para o padre e, quando se via, estava tendo pensamentos que antes não poderia imaginar. Sentia-se pecadora por olhar para aquele homem com desejo! Mas era um desejo que nem mesmo ela conseguia traduzir em palavras&#8230; O corpo tremia, o coração acelerava, a mão suava frio. Em casa, à noite, sentia um calor que não parecia normal. Sempre recatada em suas vestes até mesmo para dormir, ardia-se em chamas se não arrancasse toda a roupa. Tomava banho frio e de nada adiantava. Com o ventilador ligado em seu rosto, ajoelhava-se no milho e punha-se a rezar o terço, repetidas vezes, até adormecer.</p>
<p style="text-align:justify;">De repente, Carolina parou de ir à igreja. Ninguém entendia o porquê. Teresa, indagava, mas a filha não se abria. Foi preciso chamar o Padre Santiago em casa para conversar com ela. Na cabeça daquela mãe preocupava e bem-intencionada, só ele poderia dar um jeito naquela situação. </p>
<p style="text-align:justify;">Sem a menor malícia, Teresa saiu, deixando a filha a sós com o padre em casa. Carolina não queria ficar sozinha com Santiago, mas também não podia transparecer que o motivo de sua transformação era justamente aquele homem. Chegou a pedir a mãe para não sair, mas Teresa nem cogitou a possibilidade. Afinal, tinha certeza que uma conversa privada com o padre resolveria a situação. Pelo menos com Padre Emílio isso sempre funcionava.</p>
<p style="text-align:justify;">Apesar do que se esperava, Padre Santiago também estava desconsertado com a presença de Carola. Quem ele via ali na sua frente não era mais uma paroquiana que prestava serviços na igreja e agora estava fugindo de sua seara como ovelha desgarrada. Quem estava ali era uma mulher diferente da que ele havia conhecido assim que chegou naquela comunidade. E, depois que parou de frequentar a igreja, Carola deixou também de lado os cabelos presos e, naquele dia, não estava conseguindo localizar os óculos de grau. Pela primeira vez, ele observava que os olhos dela eram verdes.</p>
<p style="text-align:justify;">Não houve declaração, nem convite. Aconteceu. Carolina e Santiago se beijaram. Naquela hora nenhum dos dois estava preocupado com tabus. Era um momento muito forte, de uma relação muito intensa, por isso, não teve conflito. Como Eva, Carola entregou-se ao fruto proibido.</p>
<p style="text-align:justify;">Após a consolidação do amor, Carola adormeceu nos braços de Santiago. Quando despertou, entretanto, não encontrou mais aqueles braços acolhedores. No lado vazio, mas ainda quente, da cama havia um bilhete. “Sou padre. É a minha vocação. O que aconteceu foi uma fraqueza”, dizia Santiago, com sua própria letra.</p>
<p style="text-align:justify;">Carola chorou, ficou arrasada. Já estava apaixonada. Jamais passou pela sua cabeça que ele tinha sido safado, porque aconteceu algo muito especial entre eles, que não tinha explicação. Simplesmente surgiu um sentimento forte. Tão forte que aquela história não terminaria com aquele bilhete. Para Santiago, a vida não poderia seguir seu caminho normal depois do que havia acontecido. Antes de ser um padre, era um homem.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de alguns dias, Santiago procurou Carola. Ficaram juntos outras vezes. Mas aqueles encontros não eram tão simples. A culpa logo começou a aparecer. Santiago era um homem sério e muito comprometido com o que fazia. Era ético e aquela vida dupla estava acabando com ele. Ficou com aquele dilema, se torturando. Santiago estava entre a paixão que tinha por uma mulher e a sua vocação sacerdotal. A relação passou a ser cercada de angústia. A vocação e a fé eram muito rígidas.</p>
<p style="text-align:justify;">Logo Carola receberia a notícia de que o Padre Santiago havia viajado. Foi enviado a uma missão especial no interior de Goiás, sem data para voltar. Outro pároco estava chegando a São Sebastião para assumir temporariamente aquela comunidade. Carola entrou em desespero. Sabia que aquilo ia além do que aparentava. Santiago tinha fugido. Sem se despedir, sem deixar uma carta, um e-mail. A barra era pesada demais e ele não havia suportado.</p>
<p style="text-align:justify;">Carola estava certa de que nunca mais viria Santiago. Logo agora que estava para lhe dar a notícia que mudaria suas vidas. O amor deles geraria uma nova vida. Mas agora, nada mais fazia sentido. Aquela gravidez não tinha mais razão de ser. Carola dava razão a Santiago: o que havia entre eles não era abençoado por Deus. E um filho gerado pelo pecado não poderia vir ao mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">A decisão pelo aborto foi tomada cheia de certezas. Carola não queria que rigorosamente ninguém soubesse nem de sua gravidez nem de seu envolvimento com o Padre Santiago. Tratou de tudo sozinha. Encontrou uma clínica de aborto na internet, marcou a consulta e levantou o dinheiro necessário por meio da venda de um anel. Rezou bastante, fez jejum e promessas até que chegou o dia de cometer o segundo pecado que, em sua mente, apagaria o primeiro.</p>
<p style="text-align:justify;">Para a mãe, disse que iria a uma consulta médica normal. Chamou um táxi e seguiu para o seu destino. No banco de trás do carro, protegida pelos óculos escuros, chorou enquanto rezava o seu terço desesperadamente. No meio do caminho, porém, antes de sair de São Sebastião, Carola ordenou que o taxista retornasse. Queria voltar para casa. Saiu do carro e dirigiu-se à igreja. Lá, encontrou o novo padre. Não era um senhor idoso como Emílio, mas também não era jovem e charmoso como Santiago. A ela pouco importava sua aparência física. O que Carola queria era se confessar.</p>
<p style="text-align:justify;">Diante do confessionário, Carola falou: Estou grávida. E o pai é um anjo.</p>
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		<title>Aquela das brasilienses &#8211; A adúltera da Ceilândia II</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Jun 2011 21:11:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>patrickselvatti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mindinho]]></category>

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		<description><![CDATA[Tudo começou em uma noite quente de verão. Aquela foi uma das raras vezes em que Inácio não recebeu a visita de nenhuma mulher desde a morte de Norma, há cerca de um ano. O mecânico era um sujeito de 40 anos, com uma aparência rude e viril que servia de grande atrativo para as [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=patrickselvatti.wordpress.com&amp;blog=2089297&amp;post=512&amp;subd=patrickselvatti&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Tudo começou em uma noite quente de verão. Aquela foi uma das raras vezes em que Inácio não recebeu a visita de nenhuma mulher desde a morte de Norma, há cerca de um ano. O mecânico era um sujeito de 40 anos, com uma aparência rude e viril que servia de grande atrativo para as mulheres da vizinhança da Ceilândia. Por diversas vezes, Fátima observou que várias das vizinhas que se diziam amigas de sua mãe em vida estavam frequentando sua casa mais vezes após sua morte. Principalmente Katia, a virtuosa vizinha de parede que batia no peito para se vangloriar de nunca ter tido outro homem além do marido e de ser a mulher mais séria que se tinha notícia. As visitas aconteciam principalmente à noite, quando Inácio já estava em casa, de volta do trabalho. O pretexto era sempre saber como pai e filha estavam após a morte inesperada de Norma e o desaparecimento de Ângelo, ainda tão menino, solto pelo mundo, coitado. As mulheres apareciam sempre com uma cesta, vasilhame ou prato contendo comida, como bolos, tortas, sopas, sanduíches e outras iguarias que faziam com que Inácio se regozijasse em sua gula animal. Gula esta que não era saciada somente pela boca.</p>
<p style="text-align:justify;">Nem a presença de Fátima em casa impedia que Inácio retribuísse as gentilezas das vizinhas. E não precisava nem fazer na frente da moça; esperta, mesmo fechada em seu quarto, ela percebia o clima que pairava no ar sempre que uma ou outra mulher aparecia e os gemidos que ouvia por trás da porta aguçavam sua curiosidade.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-512"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Naquela noite, com o calor invadindo o seu corpo, Inácio não conseguia dormir. Levantou-se, foi à janela, fumou um cigarro. Como se ainda sentisse com um calor infernal, tomou uma ducha gelada. Com a toalha enrolada na cintura, foi à cozinha e tomou dois copos de água bem gelada. Voltando para o quarto, parou em frente ao quarto de Fátima. A visão da enteada, dormindo de camisola fresca, com as pernas à mostra, fez com que Inácio a desejasse como nunca havia desejado nenhuma outra mulher. Quando flagrou ela e Ângelo juntos, agiu sinceramente como um pai defendendo uma filha inocente que estava sendo deflorada – tanto que expulsou o próprio filho de casa, sem o menor remorso. Mas naquele momento, não era a filha inocente que estava à sua frente. Sem pensar duas vezes, Inácio entrou no quarto, sentou-se na beira da cama e acordou Fátima. Homem experiente e sem pudores, logo nos primeiros meses de viuvez, mesmo com as visitas frequentes das “amigas” de sua falecida esposa, Inácio não resistiu ao desejo que estava consumindo seus instintos de macho: colocar a filha no lugar da finada mãe. Ao abrir os olhos e se deparar com o padrasto acariciando sua coxa, Fátima sorriu, sinalizando que autorizava.</p>
<p style="text-align:justify;">De filha a esposa. Aos quinze anos de idade, Fátima já vivia maritalmente com o ex-padrasto Inácio, embora para a sociedade agissem como pai e filho. Estava apaixonada, vivendo uma lua de mel que parecia eterna. De Ângelo, havia ficado apenas uma delicada lembrança.</p>
<p style="text-align:justify;">Até que, certo dia, o telefone tocou. Era Ângelo do outro lado da linha. Depois de tanto tempo, ele fazia contato, dizendo que estava com saudade e queria vê-la. Fátima ficou apreensiva, não demonstrou tanta receptividade. Só de imaginar o que Inácio poderia fazer se soubesse desse ressurgimento&#8230; Após o telefonema, porém, ficou intrigada. Não conseguiu pensar em outra coisa o dia todo. Quando Inácio chegou em casa, percebeu que ela estava estranha. Durante o jantar, mal tocou na comida. Fátima bem que tentou, mas não conseguiu comer. Por sua vez, Inácio comia por três pessoas. E se lambuzava como uma criança. Depois, levantava-se da mesa e ia para a sala, onde ligava a televisão e, esbaldando-se no sofá, acendia um cigarro e ordenava a mulher que lhe trouxesse cerveja.</p>
<p style="text-align:justify;">Na cozinha, enquanto lavava as louças, Fátima continuou pensando no telefonema de Ângelo. Durante muito tempo, chegou a se esquecer dele, acreditando até que pudesse ter morrido. Mas agora que sabia que estava vivo e chegou a ouvir sua voz, a coisa era bem diferente. Era como se aqueles quatro anos não tivessem se passado. Sentia-se novamente como naquela noite em que se entregara pela primeira vez ao ainda menino que fora criado como seu irmão, antes de ocorrer a desgraça que tirou a vida de sua mãe. Sentiu novamente um calor muito intenso subir pelas suas pernas. Pela primeira vez em quase dois anos, sentia-se novamente uma mulher, desejando ardentemente um homem. Tinha a nítida impressão que há muito tempo não sabia o que era isso. Não podia negar que, por muito tempo, o seu corpo pegava fogo por Inácio.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas essa sensação durou pouco tempo. Bastou ele começar a tratá-la com violência para seu tesão acabar. Naquela noite mesmo, quando Inácio a procurou na cama, Fátima agiu de forma mecânica, como se aquele homem fosse um dos seus amigos desconhecidos. Em sua mente, veio a imagem de Ângelo com diversas indagações do tipo: Como será que ele está hoje? Será que ele está mais bonito? Será que ele está forte como o pai?</p>
<p style="text-align:justify;">Quando telefonou para Fátima, Ângelo sabia que o pai não iria recebê-lo dentro de casa novamente. Por isso, preferiu sondar o ambiente antes de aparecer. Dois dias depois, nem esperou o sol nascer, pegou um ônibus em direção a Ceilândia. De longe, ficava observando a casa onde Inácio e Fátima viviam sozinhos após a morte de Norma. Disposto a descobrir o que havia acontecido na sua ausência, resolveu investigar. Para se esconder de Inácio, que acabava de sair de casa e ia para a parada de ônibus, Ângelo entrou no bar que ficava bem na esquina da quadra, certo de que o proprietário não o reconheceria. Chegou no balcão, pediu um copo de café com leite, acendeu um cigarro e ficou conversando amenidades com o proprietário do bar até que conseguiu conduzir o assunto para a questão que tanto o intrigava. Lá descobriu toda a verdade sobre a relação de Fátima com seu pai.</p>
<p style="text-align:justify;">Ângelo não conseguia acreditar. Conhecia bem o caráter do pai, mas jamais imaginara que ele pudesse explorar a própria enteada. Aquela notícia fez o seu sangue ferver. Seria capaz de enfrentar Inácio naquele momento. E saiu do bar com tal intuito. Por sorte, assim que pisou a rua, Ângelo viu que o pai já havia entrado no ônibus em direção ao trabalho. Esperou o tempo de o coletivo sair da quadra e foi bater na porta de sua casa.</p>
<p style="text-align:justify;">Pensando que era o marido que havia esquecido alguma coisa, Fátima correu para atender, usando somente calcinha e sutiã. Ao rever o “irmão”, ficou bastante surpresa. Sua primeira reação foi pedir a ele para ir embora. Mas logo cedeu a sua insistência e permitiu que ele entrasse em casa. Ângelo ficou encarando Fátima. Estava encantado com a transformação que havia acontecido em seu físico. A menina que deixara para trás havia se transformado em mais do que uma moça bonita: era uma mulher completa. Mas existia algo em seu aspecto que não havia mudado: a aparência angelical estampada em seu rosto de menina.</p>
<p style="text-align:justify;">Por sua vez, Fátima pôde obter respostas das indagações que fizera na noite em que recebera o seu telefonema. Ângelo realmente não lembrava em nada o Ângelo que conheceu, aquele menino imberbe com quem experimentou o sexo pela primeira vez. Estava ainda mais bonito, mais alto e mais forte, assumindo um porte físico viril semelhante ao do pai. A barba por fazer dava-lhe um aspecto ao mesmo tempo maduro e rústico que a atraíam muito em um homem. Não à-toa, sentira uma forte atração por Inácio. Aliás, a atração por Ângelo no passado era apenas um reflexo do que sentia pelo seu pai. Agora, no entanto, via o rapaz pela primeira vez como o homem que sempre desejou. Sem pensar duas vezes, pediu para que ele a beijasse.</p>
<p style="text-align:justify;">O pedido de Fátima saiu de sua boca como uma ordem. Como já estava se segurando para não lhe roubar um beijo, Ângelo obedeceu prontamente. Fazia tempo que Fátima não era beijada de uma maneira que fizesse com que suas pernas tremessem. E foi esse tremor que fez com que tomasse uma decisão.</p>
<p style="text-align:justify;">Aconteceu ali mesmo, na sala, para ser mais exato, em cima do sofá. Fátima e Ângelo se entregaram ao desejo como dois animais no cio. Nenhum dois era mais inocente como na primeira vez em que se entregaram um ao outro e deixaram o tesão acontecer da forma mais natural possível, beirando mesmo a selvageria. Mas havia paixão de ambas as partes. Quando os seus corpos se uniram, Fátima e Ângelo entenderam quanto se gostavam. O prazer sexual havia sido muito bom, mas o carinho que aconteceu depois foi bem melhor para ambos.</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto se vestia, Ângelo ouvia atentamente a narrativa de Fátima. À medida que sua interlocutora contava os detalhes de sua convivência com Inácio, a raiva que sentia pelo pai ia só aumentando. Fátima viu um ódio muito grande nos olhos de Ângelo. Sabia que ele seria bem capaz de matar o próprio pai e teve medo do que poderia acontecer.</p>
<p style="text-align:justify;">Ângelo e Fátima passaram a se encontrar todos os dias. Certa tarde, Ângelo chegou na casa de Fátima e teve uma grande surpresa ao verificar os hematomas que a amante exibia em seu rosto. Fátima não conseguiu esconder a verdade por muito tempo. Desconfiado de que ela estava lhe traindo com outro homem, Inácio resolveu tirar satisfações e a discussão terminou em violência. Ângelo prometeu que não deixaria aquilo barato. Fátima começou a chorar, implorando para que Ângelo deixasse tudo como estava. Tinha muito medo de que Inácio lhes fizesse mal. O casal se abraçou e começou a pensar em uma maneira de livrá-la daquela prisão.</p>
<p style="text-align:justify;">Naquela manhã, como fazia diariamente, Inácio saiu de casa bem cedo para trabalhar. Saía de casa por volta de sete horas e retornava somente às dezoito horas. Para almoçar, levava marmita, que Fátima preparava todo dia de manhã. Ficava, portanto, o dia todo fora. Na parada de ônibus, Inácio percebeu que duas senhoras cochichavam olhando para ele. A única coisa que conseguiu ouvir foi que “a pouca-vergonha naquela casa iria piorar com a volta do filho pródigo”. Se o ônibus não estivesse passando naquele exato momento, certamente teria se aproximado das mulheres para tirar satisfações. Como não o fez, embarcou, rumo ao trabalho, intrigado com o que havia acabado de ouvir. Aquela história de “filho pródigo” não saía de sua cabeça. Inácio não estava conseguindo trabalhar. Poderia ser que tudo não passasse de uma conversa de suas mulheres desocupadas, mas a ideia de que Ângelo pudesse estar de volta o deixou muito intrigado. Tanto que, pouco antes do horário de almoço, pegou um ônibus.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando Inácio parou em frente à casa onde vivia com Fátima eram pouco mais de duas horas. As janelas estavam todas fechadas. Sem fazer muito barulho, Inácio entrou em casa pela porta dos fundos, que estava trancada. Dentro da cozinha, nenhum sinal de Fátima. Já na sala, sentiu um cheiro forte de cigarro. Caminhando em direção ao quarto, deparou com a cena: Fátima e Ângelo estavam dormindo na cama de casal; estavam vestidos e abraçados.</p>
<p style="text-align:justify;">Ângelo acordou. Ao ver Inácio, quase não acreditou. Imediatamente, Fátima também acordou e saltou da cama. Inácio partiu para cima de Ângelo com toda sua ira. Fátima interveio, pedindo-lhe para não usar violência. A resposta de Inácio foi um tapa que a fez girar. Agora foi a vez de Ângelo se encher de uma raiva tão intensa que o levou a pular sobre Inácio com um soco que acertou em cheio o seu nariz. Com o nariz ainda sangrando, Inácio voltou-se para Ângelo com toda raiva e, bufando de ódio, devolveu-lhe o soco, porém, com mais força.</p>
<p style="text-align:justify;">Sob protestos de Fátima, Inácio e Ângelo iniciaram luta violenta. O filho, no começo, até que conseguiu revidar os golpes desferidos pelo pai, mas, apesar de já ser um homem feito, não conseguiu dominar a situação. Inácio era muito mais forte e, quando a luta já havia ido parar na sala, imobilizou Ângelo e começou a espancá-lo. Batia forte e nem os gritos de Fátima o fizeram parar. Desesperada, ela começou a esmurra-lo pelas costas, mas nada era o suficiente para detê-lo. Enquanto isso, dá-lhe soco no rosto de Ângelo. Sem pensar em outra coisa que não fosse salvar o amante, Fátima acabou apelando para um gesto inconseqüente: ao ver o pedaço de pedra que servia para segurar a porta do quarto, ela o pegou e imediatamente golpeou duas vezes a cabeça de Inácio. Com um corte profundo no couro cabeludo jorrando sangue, Inácio caiu, desacordado.</p>
<p style="text-align:justify;">Mesmo estando ainda atordoado pela violência dos socos que havia recebido, Ângelo levantou-se para socorrer o pai. E logo constatou o que havia acontecido. Fátima estava em estado de choque, alheia à citação de Ângelo, ainda segurando a arma do crime ainda suja de sangue. “Eu o matei”, ela repetia, em desespero. “Ele ia matar você e eu o matei” Ângelo abandonou o corpo do pai e foi ao encontro de Fátima. “Nunca mais diga essas palavras”, ele falou, em tom de ordem, tirando a pedra de sua mão. “Tu vai fazer exatamente o que eu lhe disser”</p>
<p style="text-align:justify;">Fátima estava muito nervosa. Ângelo, com uma presença de espírito inusitada para uma situação como aquela, foi até a cozinha e preparou um copo de água com açúcar. Mais calma, Fátima, da forma mais automática possível, telefonou para a polícia e repetiu as palavras de Ângelo. A pessoa que atendeu ainda insistiu em obter informações, mas, diante da pressão imposta por Ângelo, ela apenas chorou e implorou para que o seu chamado fosse atendido com urgência.</p>
<p style="text-align:justify;">Por volta de quinze minutos depois, o barulho das sirenes se fez ouvir em toda a quadra com a chegada instantânea da polícia e da ambulância. Fátima abriu a porta e, enquanto os peritos removiam o corpo de Inácio, Ângelo assumiu a autoria do crime, narrando com detalhes tudo o que havia acontecido naquela casa desde o momento em que ele e o pai se mudaram para lá. E deixou bem claro que matou o próprio pai por amor a Fátima. Após se despedir de Fátima com um beijo sinceramente apaixonado, Ângelo foi algemado e levado pelos policiais. Depois de receber curativo nos ferimentos em seu corpo, seria encaminhado ao presídio onde aguardaria pelo julgamento.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">Luta corporal entre pai e filho acaba em morte na Ceilândia. Inácio Soares, 40, foi morto com um golpe na cabeça pelo filho Ângelo Batista Soares, 18. Os dois iniciaram a luta por causa da menor F. A. X, 16. A jovem era enteada de Inácio, mas vivia maritalmente com ele após a morte da mãe. Segundo depoimento do autor do crime, ele e a jovem foram criados como irmãos, mas se envolveram sexualmente na adolescência. Ângelo, que já tem passagem pelo Caje, disse ainda que é apaixonado por F. A. X e matou o pai para liberta-la de seu comportamento violento e doentio. F. A. X diz que se envolveu com Inácio porque se apaixonou, mas deixou de amá-lo depois que passou a ser maltratada. Declarou ainda que Ângelo sempre foi o seu príncipe encantado.</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Inácio Soares foi enterrado no dia seguinte. Na cerimônia fúnebre, poucos amigos vieram se despedir. Fátima cumpriu bem o seu papel de viúva, mas não derramou sequer uma lágrima. Algumas mulheres presentes choravam tanto que pareciam ser as legítimas viúvas. De volta para casa, Fátima trancou a porta da rua e foi para a sala, trazendo nas mãos o jornal que tinha na capa a manchete sobre a morte de Inácio. Lamentava profundamente não poder ver nem sua fotografia nem seu nome completo publicado em nenhum jornal por ser menor de idade. O momento em que deu entrevista aos repórteres foi o melhor de sua vida. Depois de olhar com frieza o local onde Inácio caíra morto, Fátima passou os olhos pelos retratos que estavam sobre a estante. Quando passou a viver maritalmente com Inácio, ele rasgou todas as fotos de Ângelo que existiam na casa e a própria Fátima fez questão de retirar todas as fotos em que a mãe posava como esposa de Inácio. Naquele momento, agora que Inácio estava morto, a atitude de Fátima foi recolher todas as fotos em que posava ao seu lado e queimá-las em uma bacia com álcool. Após a sessão de queima de arquivo, Fátima ligou o aparelho de som e dirigiu-se ao banheiro. Depois de despir o vestido preto, ligou o chuveiro e tomou o mais demorado banho de sua vida. Fátima foi para o quarto, parou em frente ao enorme espelho que havia pendurado na parede e ficou bastante tempo observando o seu corpo nu. Por alguns minutos, acariciou toda a sua pele do rosto, descendo para os seios, passando pela barriga até chegar à sua vagina coberta por bens delineados pêlos negros. Em seguida, Fátima dirigiu-se à cama de casal onde sua mãe vivera durante alguns anos com Inácio e que, após a sua morte, passou a ser ocupada pela filha. Lá, esparramou-se por todo o colchão e, ainda acariciando-se, celebrou a sua liberdade com um gozo maravilhoso vindo em forma de deliciosas risadas e de um orgasmo fabuloso que jamais havia experimentado. Nem com Inácio, nem com Ângelo.</p>
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			<media:title type="html">Patrick Selvatti</media:title>
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		<title>Aquele das brasilienses &#8211; A adúltera da Ceilândia I</title>
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		<pubDate>Fri, 27 May 2011 21:40:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>patrickselvatti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mindinho]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">O destino não quis que a mineira Norma Cristina dos Anjos se transformasse em uma atriz de sucesso, conforme era seu sonho. A mudança para Brasília, o casamento com um homem 30 anos mais velho, Salvador, e o nascimento de sua filha, Fátima, no entanto, não a impediram de continuar alimentando a fantasia de que um dia estaria atuando na televisão ou no cinema. Assim como fazia na juventude no interior de Minas, Norma adorava ir ao cinema, não perdia um capítulo das novelas e tinha como maior diversão ficar no salão de beleza comentando as últimas novidades do mundo artístico. Graças ao casamento com um alto servidor do Senado, a diferença era que, em vez de emitir seus comentários enquanto cuidava das unhas de outras mulheres, agora era a sua vez de se sentar como uma madame para receber todo o tipo de tratamento de beleza. Salvador não era rico, mas tinha uma casa confortável no centro da Ceilândia e seu maior prazer era proporcionar à esposa tudo o que sua vaidade de mulher invocava. Era ainda jovem, balzaqueana, tinha mesmo que se manter linda.</p>
<p style="text-align:justify;">Norma era freguesa assídua daquele que ela considerava o melhor salão da região e cuja proprietária, Sueli, havia se tornado sua melhor amiga e confidente. Foi lá que ela viu, através do espelho, pela primeira vez o homem por quem seria loucamente apaixonada. Era Inácio, o irmão de Sueli que estava morando em sua casa havia alguns dias.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-504"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Desde o dia em que o viu pela primeira vez, a imagem de Inácio não saiu da cabeça de Norma. Por diversas vezes, ela o encontrou em vários lugares, como no salão de Sueli, na oficina mecânica onde ele trabalhava, em supermercados e mesmo na rua. Em todas essas vezes, Inácio demonstrou o seu interesse e Norma, embora não apontasse sinais mais ousados, nunca se mostrou ofendida ou insatisfeita com suas cantadas.</p>
<p style="text-align:justify;">Inácio era o tipo de homem que acendia o fogo de Norma. Certo dia, sabendo que Sueli não estaria em casa, ela cedeu ao desejo que estava incendiando sua pele e foi bater à sua porta. Como Norma havia previsto, Inácio atendeu; havia acabado de chegar do trabalho, estava usando apenas o macacão de mecânico, aberto e exibindo o peito coberto de pêlos. Ao ver sua musa, Inácio abriu um largo sorriso.       </p>
<p style="text-align:justify;">Norma entrou e sentou-se no sofá da sala. Inácio postou-se ao seu lado e, depois de alguns minutos de silêncio, iniciaram diálogo longo e descontraído sobre assuntos diversos. Enquanto ela falava pelos cotovelos sobre sua vida desde os tempos de menina em Minas, Inácio ia apreciando com os olhos cada parte de seu belo corpo, começando pelos cabelos de índia, passando pelo colo repleto de sardas que, pelo decote do vestido, mostrava parte de seus seios fartos e bem redondinhos, até as pernas roliças e amorenadas.</p>
<p style="text-align:justify;">A proximidade de Inácio, o seu hálito quente, a visão de seu peito e sua mão forte e áspera entre suas pernas estavam deixando Norma bastante excitada. Estava quase cedendo ao beijo quando a porta se abriu e Sueli entrou em casa. Disfarçaram, Inácio pediu licença e foi para seu quarto. Mas Sueli percebeu o interesse que era mútuo e cada vez mais intenso entre os dois. Não falou nada com nenhum deles, mas fez com que a notícia chegasse aos ouvidos de Salvador.</p>
<p style="text-align:justify;">Norma era casada com um homem por quem nutria sentimentos muito fortes e sinceros de carinho e gratidão. Mas amor, paixão e tesão, por mais que tentasse, Salvador não conseguia despertar na mulher. Como era um homem com mais de 60 anos, com idade para ser seu pai, Salvador tinha consciência de que Norma precisava de um homem mais jovem para se satisfazer como mulher. Por esse motivo, não tinha nem um tipo de ciúmes quando a esposa saía de casa sempre bem vestida, maquiada e perfumada.     </p>
<p style="text-align:justify;">Salvador era um homem bastante astuto e observador. Sabia que, apesar da liberdade que dava a Norma, ela não era mulher de sair com outros homens. Isso o incomodava, pois ele tinha certeza de que a mulher vencia os seus desejos em nome do respeito que nutria por ele. Por isso, quando soube do seu interesse por Inácio, decidiu convida-lo para jantar em sua casa.</p>
<p style="text-align:justify;">Durante o jantar na companhia de Norma e de Salvador, em que a pequena filha do casal estava presente, Inácio se comportou socialmente. Em nenhum momento, Salvador agiu como se soubesse do seu real interesse por Norma. Passou o tempo todo avaliando o homem a quem tinha intenção de entregar sua mulher e, após o jantar, depois de tomar um café, Salvador deu sinais de que estava disposto a facilitar o encontro dos amantes.</p>
<p style="text-align:justify;">Salvador, então, retirou-se, despedindo-se da esposa com um leve beijo na testa e levando a pequena Fátima nos braços. Norma e Inácio sentiram-se, então, à vontade para conversar o que bem quisessem.</p>
<p style="text-align:justify;">Naquela noite, no entanto, em respeito ao lar, Norma não permitiu que Inácio a tocasse, embora sua carne estivesse em chamas. Na saída, Inácio não resistiu e tomou-a em seus braços para um beijo ardente, com a promessa de que eles se encontrariam o mais rápido possível para se entregarem ao desejo que os consumia.</p>
<p style="text-align:justify;">Três dias depois, Sueli viajou as pressas para acudir uma parenta enferma. Tão logo se viu só em casa, Inácio ligou para Norma, convocando-a para ir ao seu encontro. Apesar do desejo que a consumia, Norma ainda tinha muitos receios de trair o marido e negou-se veementemente a se encontrar com Inácio. Percebendo o clima, o próprio Salvador incentivou-a a ir à casa de Sueli para saber se o irmão dela estava precisando de alguma coisa.</p>
<p style="text-align:justify;">Diante da aprovação de Salvador, Norma dirigiu-se à casa de Sueli. Ainda hesitante, ela bateu na porta. Ao abrir, Inácio estava trajando o mesmo macacão de mecânico da outra noite, só que com a parte superior totalmente aberta. Preparava-se para o banho; o cheiro de suor e graxa ainda exalava de seu corpo.</p>
<p style="text-align:justify;">Norma exibia um belo sorriso em seus lábios bem pintados de rosa, com os longos cabelos caindo sobre seus ombros e os seios como que saltando do decote do vestido laranja. O perfume que exalava de sua pele era doce e suave e as unhas do pé e da mão estavam bem pintadas de um rosa bem claro.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao vê-la, Inácio entendeu o que aquilo significava e, com um sorriso safado, abriu passagem para a bela mulher. Assim que Norma entrou, a porta se fechou atrás de si.</p>
<p style="text-align:justify;">A partir dali, duas vezes por semana, Norma e Salvador recebiam Inácio para jantar em sua casa. Nessas ocasiões, o casal apenas trocava beijos e carícias na sala, enquanto Salvador e a filha dormiam no quarto. Para que os amantes pudessem extravasar seus instintos mais eróticos, iam a um discreto motel nos fins de tarde. E ninguém, nem mesmo Sueli, sabia de nada.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa situação se tornou rotineira durante semanas. Até que Salvador apareceu com uma novidade após o costumeiro jantar. Pela primeira vez, falou abertamente do envolvimento de Norma e Inácio. Disse que, durante muito tempo, fez vista grossa sobre o relacionamento deles e declarou que estava decidido a facilitar as coisas para que eles não precisassem se encontrar pelas ruas e dar margem ao falatório da vizinhança. Entendendo o recado, Norma ficou emocionada e abraçou o terno marido.</p>
<p style="text-align:justify;">Naquela noite, Salvador, que ja tinha a saude debilitada por um enfisema pulmonar,  deu o seu último suspiro de vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Cerca de três meses após a morte de Salvador, Norma assumiu seu romance com Inácio. Sueli reagiu com indignação à notícia. Sentia-se traída. Profundamente magoada, a cabeleireira deixou bem claro que era contra aquela união e desejou felicidades ao novo casal, que não entendia a razão de tanto drama. Nas ruas, os comentários foram os piores possíveis. A vizinhança toda acusou Norma de ter arranjado outro homem antes mesmo de o marido fechar os olhos para sempre. Muitos viraram-lhe a cara, chamando-a de adultera da Ceilandia.</p>
<p style="text-align:justify;">A pequena Fátima também reagiu de forma negativa quando Inácio foi apresentado como seu novo pai. Surpresa com a novidade, a menina de dez anos correu para o quarto e escondeu-se embaixo da cama. Não foi fácil para Norma convencer a filha de que Inácio seria seu novo marido, mas isso não a impediu de levá-lo para morar na casa onde havia vivido durante anos com o finado Salvador. Marido amoroso, atencioso, mais velho, era mais um pai para Norma do que um amante. Servidor do Senado, deu-lhe uma vida confortável e tranquila, mas nunca conseguiu realizá-la como mulher. Agora, Norma poderia finalmente ter uma vida financeiramente confortável graças a farta pensão do marido e movida pela paixão ao lado de um homem por quem era loucamente apaixonada.</p>
<p style="text-align:justify;">Para Inácio, não foi tarefa simples conquistar o carinho e o respeito da enteada. Durante um bom tempo, prevaleceram a vergonha e o medo. Fátima mal olhava o padrasto nos olhos. E, como se não bastasse, quando ele chegava em casa, à noite, a menina corria para o colo da mãe e não permitia que ele se aproximasse. Até para dormir, ela fazia questão de estar junto a mãe em sua cama. Todas as noites, Inácio somente se deitava depois que Fátima pegasse no sono e fosse levada nos braços para o seu quarto.</p>
<p style="text-align:justify;">No início, Norma entendia a atitude da filha; dizia que a menina era muito carente e apegada ao falecido pai. Mas isso começou a deixar Inácio profundamente irritado, a ponto de ameaçar ir embora, acabando o relacionamento, se Norma não fizesse a filha entender qual era o seu papel dentro daquela casa. Com muito medo de perder o homem por quem estava completamente apaixonada, Norma chamou a filha para uma conversa bastante difícil e avisou que ela não poderia mais dormir na cama dela.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois daquele dia, Fátima passou a dormir em seu próprio quarto. Já era quase uma moça, semi adolescente. O difícil foi convencê-la a aceitar, amar e respeitar Inácio como pai. Norma acreditava que a dificuldade da filha estava em substituir um pai tão amoroso como Salvador. Pouco tempo depois, em uma noite de chuva forte, por causa das trovoadas que ecoavam pelo seu quarto com a mesma intensidade dos raios que iluminavam sua cama, Fátima se encolheu de medo e cobriu a cabeça. Tremendo muito, tomou coragem e foi ao quarto da mãe com o objetivo de pedir para dormir com ela.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim que se aproximou do quarto onde dormia o casal, Fátima viu que a porta estava entre aberta e fechada. Como escutou alguns gemidos, antes de entrar, chegou o rosto na pequena parte em que a porta estava aberta e pôde ver a cena que jamais sairia de sua mente: deitada na cama, completamente nua, com a cabeça apoiada sobre um travesseiro, as pernas abertas e erguidas, Norma gritava, enquanto Inácio, forte como um touro, igualmente nu, parecia estar machucando-a, pois segurava as suas pernas no alto enquanto movimentava o seu quadril violentamente.</p>
<p style="text-align:justify;">Atemorizada, Fátima começou a chorar, pedindo para que o padrasto largasse sua mãe. Ao perceber a presença da filha, Norma se cobriu e foi ao encontro da filha, que abraçou a mãe, feliz por ter em seus braços. Inocente, Fátima achava que o padrasto estava machucando-a. Utilizando uma pedagogia patética, Norma explicou à filha que a cena que ela havia presenciado era normal, pois ela somente estava cumprindo suas obrigações de esposa. Fátima perguntou por que ela gritava tanto e a mãe explicou que aquilo que estava fazendo era só expressão de seu prazer; parecia ser ruim para as mulheres, mas, na verdade, era muito bom. Avisou: um dia, quando chegasse à idade certa, seria sua vez de fazer o mesmo&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Fátima não esqueceu aquele episódio. Mais do que isso: não eram raras as vezes que se lembrava da cena que ficara gravada em sua mente. E, nessas horas, a lembrança dos olhares do padrasto fazia com que suas pernas tremessem de medo.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o clima familiar, aos poucos, foi ficando mais harmônico. E a chegada de Ângelo contribuiu positivamente para a aceitação da nova família por parte de Fátima. Ângelo era um menino de doze anos, filho de Inácio com uma mulher que havia morrido recentemente, cabendo ao pai seguir com a criação dele. Sem alternativa, Norma se viu no dever de receber o garoto em casa. Afinal, se o novo marido tratava Fátima como se fosse sua filha, por que não retribuir? Já para a menina, sempre sozinha, foi muito bom ganhar um irmão de presente.</p>
<p style="text-align:justify;">Entretanto, ao contrário da ligação afetuosa entre Norma e Fátima, não existia nenhum traço de afeto entre Inácio e Ângelo, com quem ele nem convívio havia tido. Ela não conseguia entender como um pai poderia ser tão seco e rude com o próprio filho, mesmo que não houvesse uma intimidade entre eles. Por sua vez, Ângelo se mostrava rebelde e relutante a qualquer carinho do pai que a vida toda lhe fora tão ausente.</p>
<p style="text-align:justify;">Entre Fátima e Ângelo, entretanto, a ligação foi imediata. Em casa, as duas crianças viviam agarradas; quando iam para a escola, a relação de proximidade era a mesma. A relação dos novos irmãos era de muita intimidade. Dormiam juntos no mesmo quarto e a própria Norma não tinha pudor de colocar os dois nus na frente um do outro. Inácio não era muito a favor desse tipo de intimidade, mas a mulher via com bons olhos essa aproximação, pois acreditava que eles precisavam agir como irmãos, já que viviam como uma família.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas havia um “entretanto”. O tempo foi passando e a idade de Fátima e Ângelo, aumentando.  Ela já tinha doze anos e ele, catorze, quando a pureza que existia entre os irmãos foi inevitavelmente dando lugar à malícia. Já eram praticamente adolescentes e ambos começaram a ver seus corpos com outros olhos. A iniciativa veio do lado masculino e o feminino apresentou bastante abertura.</p>
<p style="text-align:justify;">Durante muitos dias, Fátima foi resistente. Ângelo provocava, insistia, às vezes até forçava uma situação. Mas a garota se segurava; beijava de língua, trocava carícias, permitia todas as preliminares. Queria avançar no jogo, mas ficava temerosa: tinha medo de doer, de sangrar, de engravidar e, principalmente, dos pais descobrirem.</p>
<p style="text-align:justify;">Até que, certa noite, quando Inácio e Norma anunciaram que iriam para uma festa, Ângelo preparou o território para o ataque. Sem os pais em casa, Fátima não escaparia. Ele não sabia, mas a garota também estava cheia de más intenções. Sentia-se pronta para deixar de ser virgem.</p>
<p style="text-align:justify;">Naquela noite, chegando em casa, Inácio e Norma perceberam que Ângelo não estava dormindo no sofá da sala. Enquanto o marido ia conferir se o filho havia pego sua moto, Norma seguiu um forte impulso e foi diretamente para o quarto de Fátima. Ao abrir a porta, deparou-se com a cena: os dois irmãos estavam ali, completamente nus, em cima de sua cama. Fátima gemia baixinho, enquanto Ângelo se movimentava ritmadamente sobre ela. Norma deu um grito e Inácio veio de imediato.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi a moça quem viu os pais, na porta. Sua primeira reação foi empurrar Ângelo. Mas já era tarde demais. Antes mesmo de perguntar o que estava acontecendo, Inácio partiu para cima do filho, dando-lhe socos e pontapés. Fátima, desesperada, começou a gritar, tentando evitar que o irmão apanhasse muito. Norma não resistiu à forte dor que se abateu em seu peito e caiu no chão. Inácio parou de bater no filho para socorrer a mulher. Tarde demais. Apesar de mulher jovem ser, Norma era hipertensa, e, vítima de um ataque cardíaco fulminante, morreu de desgosto ao presenciar aquela cena que considerava incestuosa.</p>
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		<title>Aquele das brasilienses &#8211; A consumista do Lago Norte</title>
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		<pubDate>Sun, 22 May 2011 13:47:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>patrickselvatti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olívia tem 21 anos e não representava até então nenhuma figura ímpar, singular. Ao contrário: como ela, sempre foi muito fácil de ser encontrada por aí. Estava sempre acessível nos lugares mais badalados de Brasília, cercada por suas amigas, igualmente ricas e esnobes, ou pelos pais milionários e bem relacionados. Seja na faculdade de Moda, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=patrickselvatti.wordpress.com&amp;blog=2089297&amp;post=499&amp;subd=patrickselvatti&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Olívia tem 21 anos e não representava até então nenhuma figura ímpar, singular. Ao contrário: como ela, sempre foi muito fácil de ser encontrada por aí. Estava sempre acessível nos lugares mais badalados de Brasília, cercada por suas amigas, igualmente ricas e esnobes, ou pelos pais milionários e bem relacionados. Seja na faculdade de Moda, no barzinho bem frequentado, na boate do momento ou numa lancha no Lago Paranoá, aproveitava a vida e seus prazeres sem nenhum limite. Nascida em berço de ouro, habitando luxuosa mansão no Lago Norte e viajando com os pais pelos principais lugares do mundo, tinha praticamente tudo o que precisava: roupas, bolsas, sapatos, smartphone sempre com bateria carregada, mais de mil contatos nas redes sociais e tudo que colaborasse para com a sua missão na terra: ser bela, consumista e bajulada. Chegava a pagar, sem culpa, R$ 5 mil em uma única bolsa. Desembolsava pequenas fortunas para desfilar modelitos de grifes como Gucci, Prada, Dolce &amp; Gabbana, Calvin Klein, Emporio Armani, Citizens of Humanity, comprado nos endereços mais caros de Nova Iorque, Paris, Milão, Londres, Dubai e onde precisasse ir para comprar um sapato exclusivo. Submeteu-se até mesmo a cirugias plásticas sem necessidade: um conserto banal no nariz e uma lipoaspiração para queimar gordurinhas que um mês de academia resolveria. Sentir prazer sempre, evitando qualquer tipo de chateação. O hedonismo como estilo de vida.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-499"></span><br />
Porém, apesar da embalagem linda, perfumada, bem vestida e bajulada, por dentro Olívia era pobre, feia, infeliz e desprezada por si mesma. Os pais eram uns hipócritas que tentavam lhe cobrar responsabilidades ao passo em que eles mesmos nunca foram o menor exemplo de moral e dignidade: enquanto o pai vivia envolvido com corrupção e adultério explícitos, a mãe reinava absoluta em um mundinho muito particular de boutiques caras, salões de beleza e comprimidos para não engordar e para conseguir dormir em paz. As amigas eram garotas invejosas e maledicentes que não perdiam a oportunidade de roubar seus namorados. Já esses nem podiam ser chamados de namorados&#8230; Nenhuma de suas experiências amorosas deu certo, ou porque o cara não queria assumir nenhum compromisso ou porque ela mesma se cansava e partia pra outra com a mesma destreza com que combinava a bolsa com os sapatos ou com os óculos. Entretanto, Olívia nunca passou de uma patricinha como muitas que vemos por aí, tanto na ficção como nas revistas de celebridades, envolvida com moda, baladas e namoros tumultuados. Agora, porém, a vida real a conduziu para um estágio mais barra pesada que os filmes da Sessão da Tarde podem não mostrar.</p>
<p style="text-align:justify;">Olívia é filha de um desses homens fortes e influentes por trás de um grande político. Não é necessariamente quem aparece nos jornais, não é ele quem ganha os louros da fama e muito menos as maiores remunerações, mas tem trânsito livre nas principais residências e gabinetes de Brasília e possui conta bancária bem movimentada que sustenta os seus sórdidos pecados, as futilidades abstratas da esposa e os pecados fúteis da única filha. Em um desses escândalos de corrupção política, Jonas, o pai de Olívia, caiu, já que, nessas horas, quem entra pelo cano é quem põe a mão na massa. Filmado recebendo uma mala de dinheiro como propina, o assessor do deputado teve seu nome e sua imagem expostos nas páginas dos jornais do Brasil inteiro. Para completar, uma de suas amantes veio a público contar detalhes sórdidos de sua vida íntima, devastando toda a família.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao contrário da mãe, que caiu em profunda depressão e nunca mais quis sair de casa, Olívia se jogou ainda com maior intensidade nas ruas. Se antes ia para a faculdade apenas para manter o status e atualizar-se sobre o assunto preferido, agora nem isso. A balada passou a ser de segunda a segunda, trocando o dia pela noite. Cigarro, bebida e muita cocaína e preservativos para apimentar a noite. Bebia vodca e champanhe como água, dançava como uma insana na pista, beijava vários rapazes em uma única balada, dava para pelo menos um deles por noite sem culpa ou envolvimento. Nem ela mesma alimentava expectativas de um dia seguinte: ver a luz do sol nascer no fim de uma noite de delícias era o seu desespero, que vinha junto com a ressaca e o medo do que a vida real lhe reservava.</p>
<p style="text-align:justify;">Numa dessas longas noites, Olívia cruzou seu caminho com o de Dominic. Famoso playboy de Brasília, milionário, lindo de morrer, charmoso pelo seu próprio estilo de vida, sempre rodeado de belas mulheres, dirigindo carros importados conversíveis, fechando boates e abrindo todas as pernas que desejava. Mas para Olívia não havia nenhum atrativo naquele belo plástico francês que embalava um produto brasileiro de péssima qualidade. Dominic tinha fama de canalha, conhecido especialmente por maltratar e humilhar as meninas com quem saía. Para ele também Olívia era apenas mais uma garotinha gostosinha e cheirosinha que ele usaria e descartaria no dia seguinte como a própria camisinha que usaria para comê-la.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas Olívia e Dominic contrariaram as expectativas. Descobriram juntos que possuíam em comum a paixão e o desprezo pelos pais, pelos amigos, pela sociedade que os rodeava. Assim como ela, ele também era um jovem órfão de pais vivos. Filho de diplomata francês que rodava o mundo em missão, Dominic vivia sozinho em um grande apartamento com todo conforto que somente muito dinheiro pode proporcionar, mas não tinha exatamente aquilo de que mais precisava e que nenhuma fortuna pode oferecer: o amor. Aos 22 anos de idade, ainda não sabia o que era ser adulto.</p>
<p style="text-align:justify;">Para escapar dos holofotes do escândalo político que se abateu sobre sua vida, o pai de Olívia havia deixado o País. Com a mãe enclausurada na sua depressão, agora com o amparo de Dominic, Olívia se afundou ainda mais na balada, regada a música eletrônica, champanhe e cocaína. O casal se tornou a grande sensação da noite brasiliense. Camarotes vips nas casas noturnas, festas privadas na lancha ou no apartamento de Dominic, fotos e mais fotos nos sites mais badalados. Iam juntos do paraíso ao inferno em um piscar de olhos.</p>
<p style="text-align:justify;">E o inferno parecia atrair com mais força. Numa dessas madrugadas, Olívia e Dominic tiveram uma violenta discussão. Estavam em uma dessas chácaras no setor de mansões afastadas, próximo à barragem do Paranoá. Sedutor, charmoso, don-juan, o rapaz não fazia muito esforço para despertar a cobiça de outras garotas, mesmo as que se diziam amigas de Olívia. Naquela festa, uma ex-namorada ressurgiria das cinzas, recém-chegada da Europa. E Dominic parecia estar bastante empolgado com sua presença. Olívia não gostou nada e entrou em campo para marcar seu território. Atrevida, jogou champanhe na cara de sua suposta rival.</p>
<p style="text-align:justify;">Dominic precisou retirar Olívia da festa pelos braços. Saíram batendo boca, entraram no carro aos berros, seguiram se degladiando pela estrada escura que ligava a chácara onde estavam ao Lago Norte. Ao volante, Dominic fumava e virava uma garrafa de vodca na boca enquanto Olívia esbravejava sua raiva. Em determinado momento, ela abriu a porta do carro e ameaçou se jogar. Tentando impedi-la, Dominic perdeu o controle da direção e o carro se desgovernou. Para desviar de outro carro que vinha em direção oposta, chocou-se fortemente em um muro. Olívia se jogou antes da colisão, que, aliada à mistura da brasa do cigarro com o álcool, provocou uma forte explosão.</p>
<p style="text-align:justify;">Dominic morreu na hora, chamuscado com seu caríssimo carro importado. Já Olívia foi levada inconsciente para o hospital mais próximo. Ao acordar, não sentia os movimentos abaixo do pescoço. Exames comprovaram que ela havia sofrido lesão medular gravíssima. Olívia estava tetraplégica.</p>
<p style="text-align:justify;">Jonas, o pai, voltou para Brasília imediatamente. Não estava se importando para os escândalos de corrupção em que estava metido: sua prioridade agora era não medir esforços para que a filha tivesse o melhor atendimento médico. Olívia foi submetida a cirurgia que lhe possibilitaria talvez recuperar seus movimentos. Mas não era somente as pernas e os braços que Olívia havia parado de sentir. Era como se o coração e a alma tivessem deixado de existir também. A morte de Dominic doía tanto quanto pensar que talvez não voltasse a ser normal um dia. Por isso, de início, Olívia não manifestou desejo de se curar. Gostaria de morrer também.</p>
<p style="text-align:justify;">Nessa fase, quem despertou para a vida foi a mãe de Olívia. Vendo a filha necessitando exclusivamente de seus cuidados, Anita deixou de lado sua depressão e agarrou com unhas e dentes a enfermidade de Olívia para curar a si mesma. Era como se ela voltasse a ser um bebê, dependendo da mãe para tomar banho, se alimentar e fazer suas necessidades. Aquela mulher fútil e frágil transformava-se em guerreira para poder fazer a filha reagir.</p>
<p style="text-align:justify;">Olívia foi obrigada a se entregar ao tratamento, primeiramente no Sarah Kubistchek, em seguida, no exterior. Aos poucos, com muita dedicação, empenho e vontade de viver, a garota foi apresentando resultados. Em alguns meses de muita fisioterapia especializada nos Estados Unidos, logo já estava conseguindo se sentar em uma cadeira especial.</p>
<p style="text-align:justify;">
De volta a Brasília, Olívia se viu obrigada a retomar a vida. Com a mesma indecisão que pautava as escolhas de suas roupas e acessórios, Olívia optou por uma cadeira de rodas amarela. E, com ela, foi com a mãe fazer compras no Iguatemi, encarando um shopping pela primeira vez após o acidente. E Olívia logo viu que, pela primeira vez, as portas das lojas não se abririam com tapete vermelho para ela. Olhares estranhos, cochichos e as dificuldades para se provar uma roupa em um estabelecimento não preparado para receber um cadeirante. Nesse dia, Olívia redescobriu o seu estilo de se vestir, já que ficava sentada constantemente: se antes o objetivo era se exibir, agora o conforto falava muito mais alto no momento de montar o look. Na vez que insistiu em usar uma calça mais justa, foi acometida por uma escara causada pela pressão constante que impedia a circulação.</p>
<p style="text-align:justify;">Olívia também retornou à faculdade. Para uma garota considerada das mais lindas e badaladas da cidade, bajulada, invejada e festejada, não foi fácil retornar à vida pública naquela situação. A mãe levava e buscava, no carro adaptado para conduzir uma cadeirante. Mas, certo dia, Olívia quis ousar. Ela, que sempre teve o conforto à sua disposição, quis saber como pessoas na mesma situação que ela, mas sem as mesmas condições, faziam para se locomover. A menina rica e mimada quis andar de transporte coletivo pela primeira vez em toda a sua vida. Foi sentir, de perto, como era andar de ônibus estando em uma cadeira de rodas. E horrorizou-se com o que viu pelas ruas da capital do País: ausência de rampas de acesso, poucos veículos adaptados, motoristas impacientes, ou seja, quase nenhum preparo para quem necessita de cuidados especiais.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas Olívia encarou com muita garra e disposição a nova etapa de sua vida. As mesmas que sempre teve para deliciar-se com os prazeres do mundo do consumo de luxo e da luxúria. Hoje, ela sabe que não seria a mesma se não passasse por esse aprendizado para entender o sentido da vida. A menina que vivia para ser bela e consumista agora se via diante de uma situação de extrema vulnerabilidade. Seu dinheiro e sua beleza eram rigorosamente insignificantes diante da fragilidade de sua condição como cadeirante. Se antes era desejada pelos homens mais belos e abastados da cidade – e chegava a esnobar alguns dos mais cobiçados -, agora rezava para que pelo menos um ser do sexo masculino existente na Terra desejasse namorá-la naquele estado.</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto o seu príncipe encantado não aparecia, hoje, Olívia se dedica ao trabalho gratificante de oferecer solidariedade aos novos pacientes que chegam com frequência ao Sarah e muitas vezes não possui o mesmo poder aquisitivo que tanto lhe beneficiou. Numa dessas, o príncipe apareceu. O oposto de Dominic: não tão belo, bem menos charmoso e com família de classe média. Mas João Lucas – estudante de fisioterapia &#8211; apaixonou-se por Olívia, enxergando nela um interior bem diferente do que as limitações externas ofereciam. Se antes a moça era bela por fora e deficiente por dentro, agora a situação era inversa. Olívia tornara-se um outro tipo de pessoa.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim, ela hoje entende que foi preciso que aquela Olívia anterior ao acidente morresse juntamente com Dominic para que ela pudesse compreender que mais do que consumir os prazeres que o mundo pode oferecer, sua missão está em fornecer carinho e solidariedade para que outros seres humanos tivessem uma vida melhor.</p>
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