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2011 foi um ano atipico na teledramaturgia brasileira. Desde sua estreia em 2010, o Canal Viva vem provocando uma revolucao boa na televisao brasileira gracas a sua iniciativa muito comemorada de reprisar grandes sucessos da Rede Globo, principalmente com o repeteco celebrado de “Vale Tudo”, de Gilberto Braga e Aguinaldo Silva. Entretanto, em 2012, com sua sucessora “Roque Santeiro”, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, o feito fantastico nao se repetiu.
Outra novela do chamado horario nobre que foi reprisada neste ano – “O Rei do Gado”, de Benedito Ruy Barbosa – tambem nao causou a comocao esperada. Uma novela boa e atual para a epoca, mas nem tanto nos dias de hoje para ser tao exaustivamente arrastada. A grande virada ocorreu somente agora, ja em dezembro, com sua substituicao pela volta de “Barriga de Aluguel”, o primeiro grande sucesso de Gloria Perez. Em 1990, a trama polemica foi exibida as 18h, causando grande discussao em todo o Pais pelo seu ineditismo. No mesmo horario, tres anos depois, veio “Mulheres de Areia”, da saudosa Ivani Ribeiro, que tambem esta de volta, so que no Vale a Pena Ver de Novo da rede aberta – com mais tititi que sua antecessora “O clone”, originalmente de horario nobre. E seus retornos bem-sucedidos vem justamente pra comprovar minha teoria: em 2011, as novelas das seis colocaram as das oito/nove no chinelo.
Gilberto Braga e Aguinaldo Silva sempre foram considerados autores de sucesso garantido desde a unica parceria de ambos em “Vale Tudo”. Entretanto, 2011 nao foi o ano deles. O primeiro fez da boa promessa de “Insensato Coracao” um samba do crioulo doido, salvo do naufragio apenas pela boa composicao da protagonista-que-nao-era-mas-acabou-sendo Norma, brilhante atuacao de Gloria Pires. Ja o segundo – a empafia em pessoa – levou o pastelao das sete para o horario nobre, em “Fina Estampa”, com personagens caricatos e superficiais, tendo como unicas valvulas de escape uma dona de casa popularesca e uma bicha afetada – salvos pelas boas interpretacoes de Lilia Cabral e Marcelo Serrado. Mas salao de beleza e padaria nao avaliam qualidade. A “Insensata Estampa” de “Fino Coracao” nao tem nada. Ao contrario: sao historias mal contadas por personagens mal escritos com falas pobres e sem conteudo. Gilberto e Aguinaldo transformaram a faixa das nove horas em horario pobre.
Por outro lado, duas novelas exibidas no horario das seis, de autoras relativamente jovens, chegaram de mansinho e arrebataram a audiencia e a opiniao publica. O lirismo fantasioso de “Cordel Encantado” e a poesia cotidiana de “A Vida da Gente” vieram para provar que no horario das 18 da pra se contar uma boa historia e nao precisa ser um autor consagrado no horario nobre pra ser o melhor. Que fiquem como exemplo para os autores consagrados que ai estao. Ate porque humildade nao faz mal a ninguem.
Remakes
Ainda na onda retro, 2011 fez bonito com o remake do grande sucesso de Janete Clair, “O Astro”, inaugurando a nova faixa de novelas, as 23h. Apesar de nao repetir o enorme suspense em torno do assassino de Salomao Hayala – que na decada de 70 mobilizou o Pais -, a refilmagem trouxe bons indices de audiencia a Globo. Tanto que ja esta garantido na grade de 2012 o remake de outro novelao. A escolhida da vez e’ “Gabriela”. O unico porem esta no autor escolhido para reescreve-la: Walcyr Carrasco, outro poco de empafia que levou para os lares brasileiros aquele que pode ser considerado o grande mico de 2011: a novela “Morde e Assopra”. Vergonha alheia define aquele misto de dinossauros e robos. Mas vamos aguardar o que reserva o ano que se inicia.
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