“Beleza pura” é uma gíria conhecida no Brasil e tem um significado muito positivo, de que alguma coisa está indo bem. A novela das sete da Rede Globo não poderia, então, ter tido um nome mais apropriado. A estréia de Andréa Maltarolli como autora titular foi um dos maiores sucessos do horário nos últimos tempos, como não se via desde “Cobras & Lagartos”, há dois anos, do também iniciante João Emanuel Carneiro – hoje autor de “A Favorita”, a novela do horário nobre da emissora.
A novela começou despretensiosa, apresentando-se como mais uma comédia romântica açucarada do horário. Entretanto, Andréa Maltarolli – com a supervisão de texto de Silvio de Abreu – surpreendeu, presenteando o telespectador com uma trama leve, ágil, romântica e cômica, em doses muito bem equilibradas. O amor estava bem presente na trama central, não somente entre os protagonistas Guilherme (Edson Celulari) e Joana (Regiane Alves), mas também entre os “viúvos” Eduardo (Antonio Calloni) e Débora (Soraya Ravenlle). E por quê não citar a bonita relação desenvolvida entre o inicialmente vilão Renato Reis (Humberto Martins) e seu assistente Mateus, que, na verdade, era Helena (Monica Martelli) fazendo-se passar pelo marido? O machista Renato chegou ao ponto de acreditar que estava vivendo um sentimento homossexual – tudo tratado com muita leveza, de forma muito sutil – e se regenerou das vilanias inicialmente cometidas.
Houve também, na novela, espaço para o mistério, com o desaparecimento e ressurgimento das cinco vítimas da queda do helicóptero. Com o retorno de Sonia (Christiane Torloni), Olavo (Reginaldo Faria), Alex (Guilherme Fontes), Márcia (Helena Fernandes) e Mateus (Rodrigo Veronese), a trama ganhou mais agilidade e, como conseqüência, seus índices de audiência subiram consideravelmente, passando de uma média de 23 para 30 pontos, segundo o Ibope.
De qualquer forma, essa novela ficará marcada pelo seu tom de comédia – e de qualidade. Como falar de “Beleza Pura” sem citar a bela e pura Rakelli, com suas tiradas espontâneas tão engraçadas, seu choro de sirene característico e seu sonho de ser dançarina do programa “Caldeirão do Huck”. Graças a essa personagem, a atriz Ísis Valverde se consagrou como uma atriz de primeira grandeza e já tem espaço garantido na próxima novela de Glória Perez. Outro personagem cômico de destaque foi José Henrique, que marcou a estréia de Bruno Mazzeo como ator em novelas. Autor de séries de sucesso como “A Diarista” e “Sai de Baixo”, o filho de Chico Anysio e Alcione Mazzeo ficou conhecido através do seu programa “Cilada”, exibido pelo Multishow e o personagem Rick, em “Sob Nova Direção”. O personagem ainda cativou o público tanto por suas constantes trapalhadas quanto pela popularização do bordão “Tô garrando um ódio desse cara!”. Já Maria Clara Gueiros também marcou sua estréia em novelas como a divertida perua Suzy, depois de ter se destacado nos humorísticos “Zorra Total” e “Minha Nada Mole Vida”.
Após quase 200 capítulos, “Beleza Pura” termina com gostinho de quero mais. Com seu fim, atores consagrados como Reginaldo Faria, Zezé Polessa e Kadu Moliterno voltam a interpretar bons personagens, outros novatos, como Isis Valverde e Bruno Mazzeo, confirmam seus nomes no rol dos grandes talentos brasileiros e, principalmente, fica provado que existem no mercado excelentes autores em busca de oportunidades como essa. Beleza pura, mesmo.
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