Porto Alegre (RS) - A Olimpíada do Conhecimento 2008 – segunda fase nacional – do SENAI está bombando na capital gaúcha. Tenho pela frente mais seis dias de maratona. Tudo outra vez: entrevistas, fotos, matérias, contatos com a sede em Brasília. Do hotel para o evento, do evento para o hotel. Fui medalha de ouro em Blumenau (SC) no mês passado, não posso fazer menos desta vez.
Segundo dia de evento, primeiro dia de provas. A coisa aqui está movimentada. Teremos a visita do vice-presidente da República, José Alencar, e está todo mundo sendo revistado na entrada do evento. Um atraso total. Eu demorei uns dez minutos para ser liberado. Máquina fotográfica, lap top, gravador, celular, bloquinho de anotações, caneta, isqueiro, chaves – tive que tirar tudo do bolso e das bolsas para provar que não sou um terrorista perigoso a fim de dar cabo à vida do nosso chefe de Estado. Ainda se fosse o Lula, né, talvez houvesse algum risco…
Mas vamos falar de turismo. Minha primeira impressão ao pisar em Porto Alegre não foi das melhores. Talvez por ter criado uma grande expectativa (sempre imaginei que o Rio Grande do Sul fosse um paraíso), meio que me frustrei ao constatar que se trata de uma cidade velha, sem cor, que não lembra em nada o modernismo de Brasília. A capital gaúcha me lembra – e muito – Belo Horizonte, com muitos prédios antigos, viadutos e ruas estreitas. Lembra também a Baixada Santista, por causa da região portuária. Mas ainda espero melhorar a minha impressão, quando eu tiver a oportunidade de sair para conhecer as belezas da cidade. Soube que tem parques lindos e muitos museus bacanas.
Por aqui está “frio de renguear cusco”, como dizem os próprios gaúchos. Não sei bem ao certo, mas a temperatura está em torno de 5 graus, o maior frio que já senti. Por sorte, dentro do pavilhão de eventos, não sinto tanto, já que fico “andando como pau de enchente”, ou seja, “andando de um lado para outro, ao sabor dos acontecimentos”. Por falar nisso, por aqui, o português é uma língua a ser decifrada. Ainda estou descobrindo que “elevado” é viaduto, “prenda” é moça jovem, “china” é mulher madura, “vazio” é maminha (carne), “faca na bota” é um cara grosso, “petiço” é cavalo, “bacalhau de porta de venda” é alguém muito magro, “cabeça de passarinho” é uma pessoa desatenta, “guri de agalhas” é um garoto vistoso, “empinar o braço” é beber demais – e por aí vai, daí…
Mas uma coisa é certa: o povo gaúcho é uma atração à parte aqui no Sul. O sotaque, as vestimentas típicas e, principalmente, o bairrismo é algo bem particular. Que o diga minha amiga Maria José que mora em Brasília, mas é gaúcha de Santa Maria (RS). Segundo ela, o povo gaúcho também tem defeitos, embora ela ainda não tenha descoberto nenhum. No primeiro dia, ao voltar para o hotel, nosso grupo pegou um motorista divertidíssimo que nos fez rir às pampas com seu jeito todo especial de falar. Jovem, negro, do tipo malandro, fumando Marlboro, contou um caso de um colega que, ao pegar a corrida de uma moça saindo de uma danceteria de madrugada, transou com ela no carro, manchou a cueca branca de sangue (ela estava menstruada) e mentiu para a esposa que havia feito uma aposta com outro colega de que jogaria vinho na cueca (!) para provar que era macho. Bah, tchê! Rimos demais, não do caso em si, mas da maneira descontraída como o taxista nos narrou o episódio. Se todo gaúcho tiver que reafirmar sua tradicional macheza (oi?) jogando vinho na cueca branca, haja sabão em pó Ace para tirar as manchas, daí…
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