Aquele do bafômetro

By patrickselvatti

Brasília é, de fato, a cidade das leis. Depois da proibição quase pioneira de se fumar em locais fechados e da obrigatoriedade de os carros pararem na faixa de pedestre, por aqui, agora, a moda é a Lei Seca. Seguinte: ninguém mais pode beber no DF. OK, a lei diz que “não se pode beber e dirigir”, mas, vamos combinar, numa cidade em que há praticamente um carro por habitante, dá na mesma, não?

E a coisa está feia por aqui. O Detran está nas ruas, nas madrugadas, colocando o bafômetro na boca de todo mundo, principalmente nos fins-de-semana. E não há tolerância: qualquer 0,1% de álcool no organismo é suficiente para receber uma multa de R$ 957, sete pontos na carteira além de ter a habilitação suspensa por 12 meses. Já se a pessoa tiver ingerido acima de 0,3 miligramas (ou 6 decigramas), a pena prevista no artigo 306 do Código de Trânsito é de detenção de seis meses a três anos – e o juiz pode ainda determinar uma multa adicional e a suspensão do direito de dirigir, que varia de dois meses a cinco anos.

A pergunta que eu me faço é a seguinte: essa medida terá resultado prático? Sim, pois o objetivo é evitar acidentes. Tudo bem: brasileiro só aprende quando o bolso acusa. Infelizmente. Mas, como se já não bastassem as centenas de radares espalhados pelo DF – obrigando os motoristas a dirigirem a 60 km/h em vias como o Eixinho, por exemplo, e a 80 km/h no Eixão, que é quase uma rodovia – o governo arrumou mais uma desculpa para arrancar o dinheiro do povo. E olha que o nosso governador havia prometido em campanha que acabaria com a máfia das multas de trânsito…

Somente no último fim-de-semana, 71 motoristas foram autuados no DF. Com isso, calculando por baixo, os cofres públicos já arrecadaram quase R$ 68 mil. Para onde vai esse dinheiro messsssmo? Será que o recurso será revertido para campanhas de conscientização sobre o abuso do álcool? Para investimentos na educação? Para a saúde pública, que vive cada vez mais em caos? Para obras nas ruas emburacadas ou asfaltamento nas periferias? Ou será que será mais uma verba extra para contratação de altíssimos cargos em empresas público-privadas como a BrasíliaTur? 

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