Um pouco de atraso, admito. E olha que nem saí do país para dizer que o problema está no fuso horário. Se bem que uma viagem ao sul do país é quase uma ida ao exterior, mesmo que no mesmo continente. Inda mais para Santa Catarina, que é um estado extremamente europeu. O que dizer de Blumenau, então? Nunca fui à Alemanha, mais dizem que “a cidade catarinense é mais alemã que o próprio país”. A arquitetura, pelo menos, demonstra a forte origem.
Mas vamos começar este dedo de prosa pelo início.
Fui escalado para uma viagem a trabalho. Cobertura da etapa nacional da Olimpíada do Conhecimento, realizada a cada dois anos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Trata-se de uma competição entre os melhores alunos de cursos técnicos do país, nas mais diversas modalidades industriais, realizada nos três estados do sul do país. O Distrito Federal teve oito participantes nesta primeira fase e eu fui enviado para lá, para acompanhar os trabalhos, fotografar, entrevistar personagens e fazer alguns textos com o meu peculiar dedo de prosa para o site da instituição, para o nosso jornal diário e para o mural interno, além de uma reportagem completa para a nossa revista bimestral.
Temendo meu dedo de prosa ficasse congelado, me precavi de todas as formas. Como é bom ter amigos que já viveram na Europa! Nunca vi tanto sobretudos, cachecóis e blusas tipo ceroulas na minha vida. Enchi minha mala de roupa de frio. O sobretudo não coube, teve que ir na mão, juntamente com a pasta com o notebook, a bolsa com o kit fotográfico e a pasta de objetos de anotação, tipo agenda, bloquinhos e gravador. Ao chegar Aeroporto Internacional de Brasília, quase morri de vergonha. Minhas três companheiras de viagem carregavam apenas pequenas valises, logo elas, que adoram bolsas e sapatos! Mas há uma justificativa: elas ficariam apenas dois dias e, mesmo indo a trabalho, não precisavam carregar nenhum equipamento.
Viajei de TAM, pela primeira vez. A história de conexão também era inédita. De Brasília, partimos para São Paulo, onde pegaríamos outro avião para Navegantes, cidade no litoral de Santa Catarina que fica a poucos quilômetros de Blumenau. A descida na capital paulista foi mais empolgante do que imaginei. Não gosto muito da terra da garoa: acho uma cidade muito urbana, cheia de prédios, carros poluição e gente que só pensa em trabalhar. Mas confesso que achei mágica a descida do avião por entre os arranha-céus. Por instantes, cheguei a pensar: “Fechem um pouco as asas para não bater em nenhum prédio, pelamordideus!” Apesar de já ter feito um bom número de viagens aéreas, estou acostumado com a aterrissagem em Brasília, que é um imenso cerrado. Saindo daqui, só tinha ido para o Rio, mas chegando à noite, sem direito a belas paisagens.
No Aeroporto de Congonhas, fiquei pouco menos de uma hora, na sala de embarque. Tem coisa pior do que ficar em sala de embarque, cheio de gente estranha entrando e saindo? Essa cena melancólica só me faz lembrar a música do Milton Nascimento, aquela que diz “todos os dias é um vai e vem, a vida se repete na estação”. Sala de embarque é um troço pavoroso, sempre achei. A gente fica sem comunicação com o mundo, acho. O máximo que a gente ouve é aquela voz chata, que sempre diz: “Atenção, senhores passageiros do vôo XXXX, com destino a PQP, embarque imediato pelo portão Y”. E o que é pior de tudo: é proibido fumar. Ok, antes que os antitabagistas de plantão venham me censurar, eu explico. O que eu não entendo é o seguinte: por que não criam áreas específicas para fumantes nas salas de embarque? Se o indivíduo sai, digamos, de Teresina, voa por umas três horas e faz uma conexão em Brasília antes de encarar mais umas três horas de vôo até Porto Alegre, por exemplo. Aí os horários nem sempre combinam e ele tem que ficar, no mínimo, uma hora dentro da sala de embarque do aeroporto a espera do seu novo embarque. Pô, meu, além de tudo o cara é obrigado a ficar sem fumar? Muita sacanagem! E sabem o que eu acho? Não há muita lógica nisso. Afinal, se houvessem fumódromos nas salas de espera, acho até que as vendas de café e derivados dariam uma boa alavancada.
Mas há um lado positivo em salas de embarque de aeroporto. São nelas que, geralmente, temos a oportunidade de encontrar com gente famosa. Em São Paulo, por exemplo, estavam Alexandre Borges e Julia Lemmertz. Com Julia, eu já havia estado em outra ocasião, na festa de lançamento da minissérie “JK”, aqui mesmo, em Brasília. Dançamos até juntos, ao som de “Love Generation”, do Bob Sinclair. Mas não me aproximei deles. Cumprimentei-os apenas, solenemente, para não parecer nenhum desses deslumbrados. Deve ser chato pra burro ser famoso, estar numa sala de embarque de aeroporto, muitas vezes esperando um vôo para uma viagem a trabalho, e ser abordado por alguém que você nunca viu na vida puxando conversa e tendo que sorrir para não parecer antipático.
Alexandres e Julias à parte, embarquei em meu vôo, desta vez, finalmente, com destino ao meu destino. A seguir, cenas do próximo capítulo.
Tags: aeroporto de congonhas, alemanha, blumenau, olimpíada do conhecimento, santa catarina, senai, TAM
Junho 20, 2008 às 1:41 pm |
Nossa amigo… como lhe disse, seus textos estão melhores do que filmes de comédia. Não sei porque a globo não te contratou ainda. O que vc tá fazendo nessa Federação ainda??? (rsrsrs) Mas fiquei muito orgulhosa de vc. Ver dois atores globais diate de vc e não pedir para tirar fotos e, ainda, com uma máquina profissional na mão… Incrível. Acho que vc está sendo curado. (rsrsrs) Aliás, “pelamordideus” foi ótimo! Bjos, Suzy
Junho 20, 2008 às 1:51 pm |
HAHAHAHHAAH
Curado, Suzana? Que é isso! … magina, ver dois famosos no aeroporto e dizer “OI?” como se fosse seus conhecidos. Quer dizer, conhecidos eles são. Nós que somos ‘who’ pra eles. Bem, o Patrick não existe.
E fala para esse “dizem que Blumenau é mais alemã que a própria Alemanha”, que isso dá uma tese douturado! Se conseguirem me convencer, eu mudo amanhã mesmo para a cidade. (:)
Adorei o post, mané!