Não é segredo de ninguém: meu autor de novelas favorito é Gilberto Braga. Nele encontrei as melhores tramas, os melhores personagens, as melhores interpretações e, por conseqüência, minha inspiração, meu estilo, minhas melhores tramas. Entretanto, nesta semana, fiquei um pouco chocado com algumas declarações feitas por ele. Com a justificativa de que, “aos 62 anos não preciso ser bonzinho com ninguém”, Giba fez uma análise de sua trajetória e soltou algumas declarações um tanto quanto polêmicas a respeito, principalmente, de atores com quem trabalhou.
Sua paixão por Antonio Fagundes, Glória Pires, Tony Ramos, Malu Mader, Fábio Assunção, Claudia Abreu, Isabela Garcia, Nathalia Thimberg, Deborah Evelyn, Hugo Carvana e Daniel Dantas, entre outros, já é conhecida. Ele, sempre que pode, escala esses atores para personagens escritos sob medida. Mas, em alguns casos, suas escalações não são possíveis. Como aconteceu em “Paraíso Tropical”, em que ropical”, o autor queria ver a Cláudia Abreu no papel das gêmeas (Paula e Taís). Segundo ele, o desejo era ver “a Laura de “Celebridade” como irmã da Vitória “Belíssima”. Mas a Cacau engravidou e Alessandra Negrini foi escalada. Como se não bastasse as críticas que recebeu fora da emissora, Alessandra agora terá que lidar com a reprovação do próprio Gilberto. “Ela [Alessandra] não é a Cláudia Abreu. Ela foi competente, mas foi um pouco demais, não tem a empatia da Cláudia. Tanto é que todos os prêmios quem ganhou foi a Camila Pitanga (a Bebel). Se Cacau tivesse feito as gêmeas, todos os prêmios seriam dela”, criticou ele.
E a metralhadora giratória de Gilberto Braga não parou por aí. Outras musas, como Vera Fischer e Bruna Lombardi, foram criticadas por ele. “Não tenho química com Vera Fischer. Ela me dá a impressão de que faz uma faxina muito bem”, atira ele. “Não posso trabalhar com a Bruna. Ela não é a minha praia, não funcionou. E o Fábio Jr., par dela, também não estava bem, mas a novela [‘Louco Amor’, de 83] dava audiência”.
Nem os mortos se salvaram. Sobre Herval Rossano (morto em 2007), Gilberto disse: “Só trabalhei com ele, porque tinha que pagar meu aluguel. Ele lia os capítulos, mas não tinha qualidade. Escalar novelas era difícil, ele só trabalhava com atores que o adulassem”. Braga disse, ainda, que não aprovou a escolha de Lucélia Santos como “Escrava Isaura”, pois queria outra atriz. “Ele [Rossano] que escolheu a Lucélia Santos, não era meu ideal de Isaura. Eu queria Louise Cardoso. Quanto à novela, não entendo como fez tanto sucesso. Acho que foi pela força dos personagens, e não por Lucélia Santos, Rubens de Falco e Edwin Luisi.”
Aos que pensam que ele poupou suas próprias crias, ledo engano. “Dancin Days”, um de seus maiores sucessos, entrou na reta da metralhadora. “Achava a novela ruim, e que era impossível gostarem. Não queria a Sonia Braga como protagonista. Essa idéia foi do Daniel Filho. Eu queria a Yoná Magalhães.”
Declarações surpreendentes! Jamais imaginei ouvir boa parte dessas afirmações da boca do Gilberto Braga. Lembro-me, inclusive, de ter ouvido (ou lido) ele elogiar a Alessandra Negrini pelo papel das gêmeas. Não tenho dúvidas de que Cláudia Abreu seria perfeita para o papel duplo, mas, se fosse seguir a idéia original do autor, duvido que Mariana Ximenes faria o sucesso que Camila Pitanga fez como Bebel. Acho que nem o Selton Mello seria um Olavo tão bom como foi o Wagner Moura. Já Yoná Magalhães como Julia Mattos em vez de Sonia Braga e Louise Cardoso como Escrava Isaura eu não consigo nem imaginar…
Agora sabemos o porque da língua afiada de personagens adoravelmente odiados como Odete Roitmann, Maria de Fátima, Felipe Barreto, Idalina, Laura Prudente da Costa, Renato Mendes e Taís Grimaldi…