Aquele da rainha louca e da falsa loura

By patrickselvatti

Há exatos seis meses, o circuito cultural de Brasília parava para conferir a 40ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Na semana passada, “Cleópatra” e “Falsa Loura”, dois dos cinco longas-metragens que tiveram primeira exibição por aqui, voltaram às salas de cinema da capital federal.

Consagrado campeão pelo júri oficial da disputa, “Cleópatra”, de Julio Bressane, será exibido novamente no Cine Brasília. Protagonizado por Alessandra Negrini (Candango de melhor atriz), Miguel Falabella e Bruno Garcia, o filme – uma grande alegoria em cima do mito da rainha egípcia que foi para Roma por interesses políticos – foi marcado por polêmicas em sua estréia Segundo Bressane, o longa realiza um recorte ótico (o corpo) e um recorte orgânico (o desejo), e daí sendo desenvolvido dentro dessas lógicas. “A origem da imagem é o abandono da palavra”, afirmou. Marcado por muitas cenas de nudez e um roteiro sem muito nexo, “Cleópatra” dividiu opiniões da platéia, chegando a ser vaiado solenemente no momento do anúncio de sua vitória. “Que posso dizer? Meu filme é como entrar no subconsciente”, admitiu Bressane.

Por outro lado, a primeira exibição de “Falsa Loura”, de Carlos Reichenbach, foi aplaudida e arrancou diversas gargalhadas da platéia, mesmo que o filme tenha sido definido pelo diretor como “assumidamente anárquico-libertário, político e ideológico”. A “falsa loura” do título é interpretada pela atriz brasiliense Rosanne Mulholland, que é morena e, por coincidência, está novamente loura por causa de sua personagem em “Água na boca”, a nova novela da Band. O filme, que está de volta às salas de cinema da cidade, conta a história de Silmara, bela jovem que trabalha numa fábrica para sustentar a família e envolve-se em um conto-de-fadas às avessas quando se apaixona por dois ídolos populares, o roqueiro Bruno (Cauã Reymond) e o romântico Luís Ronaldo (Mauricio Mattar). ”Retratei o meu imaginário em cima daquele universo, daquelas meninas trabalhadoras. Não me cobrem uma fotografia absoluta do real porque aquilo é o meu pensamento”, diz Carlão, que define o filme também como um semi-musical, dada a profissão dos dois protagonistas masculinos. Um dos momentos mais marcantes do longa é a cena em que Maurício Mattar surge cantando num mar de plástico enquanto a letra da música aparece com aquelas bolinhas de ritmo ao estilo videokê.

Para quem não teve a oportunidade de assistir no Festival de Cinema, vale a pena conferir estes dois filmes tão diferentes e ao mesmo tempo tão polêmicos. A diferença é que, desta vez fora de competição, “Cleópatra” e “Falsa Loura” não receberão nem vaias nem aplausos. Mas ambos não passarão desapercebidos.

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