Aquele dos 20 anos de “Vale Tudo”

By patrickselvatti

Parece que foi ontem. O cenário, inclusive, aparenta ser quase o mesmo. Mas nesta semana completam-se exatos 20 anos que a novela “Vale Tudo” estreou no horário nobre da Rede Globo, fazendo uma revolução na teledramaturgia brasileira. Escrita por Gilberto Braga e Aguinaldo Silva, a novela estreou no dia 16 de maio de 1988 e, durante os sete meses em que ficou no ar, o que se viu foi um chocante retrato da realidade brasileira, com um forte embate entre aqueles que faziam de tudo para se dar bem na vida e os questionamentos éticos de pessoas que acreditavam que valiam a pena levar a honestidade a sério, mesmo inseridos em um ambiente onde se valia tudo.

Regina Duarte e Glória Pires garantiram o sucesso da novela com a relação de amor e ódio em torno da qual gira a trama: a filha que vende a casa da própria mãe, deixando-a sem teto enquanto viaja para o Rio de Janeiro em busca de uma vida fácil. “Vale Tudo” é marcada pela dualidade: o tempo todo Maria de Fátima, a filha, busca ficar rica por meio de um casamento arranjado, enquanto Raquel, a mãe, dá um belo exemplo de superação, vendendo sanduíches na praia, meio que acaba levando-a a subir na vida, de maneira honesta. No final, Raquel vira dona de uma rede de restaurantes industriais, enquanto o golpe de Fátima dá errado e ela retorna à rua da amargura. Mãe e filha chegam a fazer as pazes, mas a vilãzinha não se adapta à vida de pessoa de bem e, juntamente com o amante, César – o gigolô-mor da televisão brasileira, vivido com maestria por Carlos Alberto Riccelli que não transa violência -, aplica um novo golpe.

Glória Pires deu vida a uma das vilãs mais odiadas da teledramaturgia, figurando ao lado de Beatriz Segall, a intérprete da esnobe e prepotente Odete Roitman, no topo do ranking das piores vilãs (no bom sentido) de todos os tempos. O destino da personagem de Segall, inclusive, foi um dos grandes trunfos da trama, que, durante 13 dias, fez com que o Brasil se voltasse para a pergunta: “Quem matou Odete Roitmann?”. Outro vilão marcante foi o inescrupuloso e preconceituoso Marco Aurélio, vivido por Reginaldo Faria, que, no final, após ter suas falcatruas descobertas pela polícia, foge do país em um jatinho, dando uma simbólica e memorável “banana” para o Brasil. Destaque também teve Renata Sorrah, até hoje lembrada pela sua atuação como a alcoólatra Heleninha Roitmann – suas cenas, inclusive, estão entre as mais acessadas no YouTube.

Duas décadas depois, a novela poderia ser reeditada com muito de sua essência ainda inserida no cenário atual. O Brasil não vive mais aquele período de pós-ditadura, às vésperas da primeira eleição direta para presidente da República, mas a inflação ainda não atingiu seu patamar ideal e a corrupção ainda é tão intrínseca ao país quanto o verde-e-amarelo de sua bandeira. Portanto, a pergunta ainda é válida: vale a pena ser honesto no Brasil? Para esta questão, não se tem uma resposta unânime. Mas que valeria a pena ver de novo a novela, isso valeria,com certeza. Vale tudo. Nem que seja no YouTube.

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3 Respostas para “Aquele dos 20 anos de “Vale Tudo””

  1. Elton Disse:

    Hey!
    hahahaha
    releve.. eu escrevi o texto as 7 da manha..
    e vc, q me conhece bem, devia lembrar q eu tenho problema em lembrar nomes.. ahahha

  2. Gioberlândia Pereira de Andrade Disse:

    Esta novela marcou época, acredito que se a mesma passasse hoje ,muitas pessoas se veriam em alguns personagens. Com certeza é a minha novela preferida, mesmo porque tem a estrela Régina Duarte. Adorei!!!!!

  3. Humberto Féliz Santana Roitman Disse:

    Este ícone da teledramaturgia brasileira, me chamou a atenção pelo fato de usar o meu sobrenome (ROITMAN) que é pouco usado no Brasil. As peculiaridades da novela encantaram não só aqui comotambém em outros países por retratr quase fielmente a realidade injusta do mundo. A grande diferença mostrada na prática entre os mais favorecidos e os descamisados.
    Teve a participação brilhante de grandes nomes da teledramaturgia Brasileira com Beatriz Segall ( que mesmo sendo de longe o melhor papel da vida dela, abomina ouvir o nome Odete Roitman devido à sombra do mesmo que a acompanha mesmo 21 anos apos o termino da novela.) Regina Duarte que descaracterizou a destrambelhada Viúva Porcina para encarnar a Humilde, porém batalhadora Raquel Aciolli, Glória Pires, deu vida a uma ordinária que só queria se dar bem na vida, Reginaldo Farias, que esteve metido em quasde todas as tramoias da trama. Enfi foi muito bom participar de todo este trabalho como telespectador, acompanhar o desenvolvimento total da história ( que ainda hoje cosegue retratar e muito da nossa realidade ). Lamento profundamente que as novelas de hoje em dia não cheguem nem aos pés do que foi Vale Tudo. Observem que havia sedução mas não havia apelação, já hoje não se tem criatividade e nenhuma novela ( na minha opinião) conseguiu superar o sucesso desta. Era e ainda é emocionante ouvir o tema de abertura da mesma ( pena que seja apenas no youtube – e apenas parte da novela.) Forte e chamativo. Se eu soubesse como, compraria esta novela na íntegra. Vale a pena ver e rever esta obra que realmente ´pe de arte.
    Um forte abraço á todos.

    H. Roitman.

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