Aquele do engarrafamento (ou do trânsito caótico de Brasília)

Meu amigo eltonpacheco.wordpress.com viajou para a Argentina. Mas não é sobre a viagem dele que eu vou falar (até porque ele vai falar sobre essa viagem exaustivamente ao alimentar seus dramas do sucesso), nem da inveja que estou dele, que deixou de viajar comigo para Buenos Aires nas férias para ir agora, na faixa. O que quero relatar é que quem o levou ao aeroporto ontem fui eu e, por pouco, o pobre não perde o seu vôo, por causa de dois grandes engarrafamentos que pegamos pelo caminho. Daí, surge o assunto que pretendo explorar: o trânsito de Brasília.

O Distrito Federal está prestes a bater a marca de 1 milhão de carros e a consolidar a segunda posição no ranking nacional de taxa de motorização, depois de São Paulo. Atualmente existe um veículo para cada grupo de 2,6 pessoas na capital. Parece pouco? Um absurdo, se compararmos com São Paulo, onde há um carro para cada 2,3 moradores. E o nosso território é mais de 40 vezes menor do que o de São Paulo!!!!

Quando decidiu trazer a capital federal para o cerrado, JK, apesar de seu perfil visionário, não imaginou que, em 50 anos, a cidade que idealizou ficaria cheia de tanta gente. Brasília foi criada para abrigar aproximadamente meio milhão de pessoas, em sua maioria funcionários públicos e pessoas ligadas à administração do país e alguns gatos-pingados de candangos que viveriam nas redondezas do Plano Piloto. Hoje, a situação é bem diferente do que foi suposto. Brasília já está próxima de alcançar o número de 2,5 milhões de habitantes. As cidades-satélites proliferaram assustadoramente nas últimas duas décadas. Com isso, o Plano Piloto – caracterizado por ruas largas e eixos suntuosos - começa a ficar pequeno para o tráfego de tantas pessoas – e seus carros.

Se hoje a situação está assim, daqui a alguns anos a tendência é só piorar. Segundo levantamento da Universidade de Brasília (UnB), a taxa de crescimento da frota é de cerca de 8% ao ano. O problema é que, como Brasília foi planejada para poucas pessoas, o centro da cidade ficará intransitável. Se hoje a falta de estacionamento já é uma realidade desgastante, imaginemos quando o DF atingir a proporção de um por um entre morador e carro. Para piorar, como é tombado pelo Patrimônio Histórico, as obras no Plano Piloto estão fora de cogitação: ou seja, nada de viadutos, passagens subterrâneas e duplicações. Ainda bem: quando cismam de fazer alguma obra por aqui, aí é que a cidade pára mesmo.

O transporte público coletivo do DF é um dos piores do país. Por aqui, a cultura de se locomover de ônibus e metrô é bem inferior às das demais capitais. Brasiliense que tem carro, locomove-se de carro para tudo. Digo isso de carteirinha. Estou aqui há cinco anos, dos quais quatro foram sem carro. Nesse período, sofri, indo trabalhar de ônibus e van irregular e dependendo de carona para locomoção com fins de lazer. De metrô, nunca andei, até porque esse tipo de transporte aqui em Brasília não é como em BH, por exemplo, onde há ligação férrea entre os mais diversos pontos da cidade. Agora, de um ano para cá, depois que comprei carro (aquele cujas prestações pagarei até 2012), nunca mais coloquei meu bumbum num banco de ônibus e de van. Só não digo que uso carro até para ir à padaria porque seria exagero (e burrice), mas assumo: vou motorizado ao supermercado que fica a poucos metros de casa.

Medidas já estão sendo tomadas pelo governo local para que o caos urbano não se instale na capital federal. A idéia é melhorar consideravelmente o transporte coletivo público para incentivar a candangada a usar o carro apenas nos fins de semana. Mas isso requer tempo e, quanto mais passa o tempo, mais carro é vendido na capital. Só no primeiro trimestre deste ano, a alta nas vendas foi de 22% ante o mesmo período do ano passado. De fevereiro para março, a alta foi de 11,3%. Enquanto isso, fica a sugestão: já que a cultura de dar carona dificilmente pegaria numa cidade individualista como Brasília, o jeito é implantar por aqui, como lei, o esquema de rodízio. Como brasileiro só aprende pela dor, quem sabe assim o fluxo de carros diminua?

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Uma resposta para “Aquele do engarrafamento (ou do trânsito caótico de Brasília)”

  1. robertocordeiro46 Disse:

    O brasiliense - digo, um milhão de motoristas - além de indivualista é também roda presa. A sugestão de fazer rodízio só funcionaria se tirássemos das ruas os carros financiados. Não seria legal? Eu e você - sem contar outros tantos - ficaríamos impedidos de entrar nas largas pistas. Agora, a questão do carro financiado tem o labo bom: diminuiram os roubos. Nenhum landrão cosnegue mercado para carro de leasing…hahahahaha
    Bom fim de semana. Fui….claro que pro Rio de Janeiro, mesmo sabendo que lá não sou tão amigo do rei….kkkkkkkkk

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