O que faz uma pessoa achar que é melhor do que as outras? Posição social ou intelectual, na maioria das vezes, vem acompanhada de arrogância e prepotência. Nas novelas, o que mais vemos são personagens com topete alto e nariz empinado que demonstram indômito prazer em humilhar àqueles mais humildes ao seu redor. Em dramaturgia, esses personagens chegam a agradar a audiência e não são poucas as vezes que o vilão se sobressai sobre o mocinho na trama. Quem não se lembra com carinho da Nazaré de “Senhora do Destino” e suas hilárias tiradas sobre a “anta nordestina” e seus “flageladinhos”? E quem não tem saudades do casal de vilões mais charmosos da história da telenovela brasileira, Laura Cachorra e Renato Mendes, de “Celebridade”? Assim como a gêmea má Taís e o mega vilão Olavo, que maltratavam a própria família e quem cruzasse o seu caminho e não tivesse o mínimo de “catiguria” – incluindo a própria Bebel, autora desse célebre bordão na novela “Paraíso Tropical”. Mesmo assim, todos eles tiveram um fim bem trágico: morreram. No BBB, o psicopata Marcelo usava o seu maior nível intelectual (leia-se o fato de ser médico-que-cuida-da-mente) para manipular, coagir, pressionar, chegando às vezes a massacrar seus companheiros de confinamento. A audiência bem que subia quando uma cena desse nível ia ao ar, mas o gosto popular pelo barraco não sobressaiu o bom senso, que sempre dá o troco quando o mal começa a se destacar demais. Na era digital, o castigo vem via internet e torpedos. Desta forma, o petulante Marcelo foi eliminado do BBB 8 com mais de 70% de rejeição.
Na vida real, deveria ser assim: quem se acha melhor do que os outros se dando mal. Mas infelizmente não é bem o que acontece, não. Geralmente, o ambiente de trabalho é o local em que mais vemos as pessoas arrogantes se exaltando sobre as mais humildes. O filme “O diabo veste Prada” retrata bem essa realidade capitalista: por dinheiro, nós, simples mortais, estamos sempre engolindo sapo. Meu amigo Elton, aos 20 de idade e ainda na faculdade, já conheceu uma Miranda Priestly em sua vida. A convivência durou um mês, mas foi o suficiente para render uma boa história sobre os dramas do sucesso.
Aqui em Brasília, a arrogância predomina. Acho que a capital federal atrai esse tipo de comportamento. Por essas bandas do Planalto Central, o “você sabe com quem está falando?” é tão comum quanto as tesourinhas e os clubes de vizinhança. A cidade cresceu, criou vida própria, mas os herdeiros da corte brasileira ainda acham que vivem no tempo de JK. Eu já trabalhei no governo local e sei muito bem como um cargo transforma a vida de uma pessoa. Mas não estou falando somente do meio político, não. No meio jornalístico também existem pessoas que se acham. Há quem escreva para um Correio Braziliense, faz uma matéria para o telejornal local da Globo ou mesmo apresenta um programa de variedades na madrugada, por exemplo, que age como se fosse a Fernanda Montenegro. E olha que eu conheci a Fernandona pessoalmente e posso afirmar com certeza: que personalidade! Ela definitivamente faz jus ao título de primeira-dama da teledramaturgia brasileira. Tem talento, tem classe, tem carisma e muita, mas muita humildade. Não esqueço aquela voz suave me chamando de “meu amor” como quem fala com um filho e fazendo carinho na minha barriga enquanto posávamos para uma foto (que, aliás, eu não possuo porque a fotógrafa que a fez se acha a JR Duran de saias e recusou-me a me fornecê-la).
Enquanto Fernanda Montenegro distribui simplicidade, certo colunista de cultura de um conhecido jornal brasiliense age como se fosse o próprio Deus. À época da divulgação do show do Jorge Vercillo no Sesi Taguatinga, a pessoa em questão falava comigo como se estivesse mil anos-luz na minha frente. Algo como um rei falando com o mais reles plebeu. O cara chegava ao cúmulo de ser incapaz de dar um “olá” quando eu atendia o telefone, não perguntava meu nome quando falava comigo, fazia exigências e nem pronunciava um simples “obrigado”. Tudo isso porque, na minha função de assessor de imprensa, era importante que uma notinha do show saísse em sua coluna.
Mas ele tem razão em ser assim, sabia? Afinal de contas, sua importância é tão grande – ele tem nome na imprensa brasiliense! – que mereceu de mim – um simples jornalista (who?) em início de carreira – um espaço neste blog, que é meu. Tão meu que aqui EU sou o cara. Aqui, o dedo de prosa é meu e eu publico o que bem entender sem que seu-ninguém nenhum me censure, ok? Só não digo que sou Deus deste espaço porque Ele é perfeito e soberano e eu não teria a arrogância e a prepotência de me comparar à Sua pessoa. Mas não é que, mesmo assim, ainda há quem o faça?
Ainda bem que a vida é uma enorme roda gigante. Quem está lá em cima hoje, amanhã desce e, quem está embaixo, sobe. Porque afinal de contas, as pessoas nascem, crescem, envelhecem e morrem. E só Deus é eterno.
Tenho dito. O recado foi dado.
Tags: BBB, Senhora o destino, celebridade, catiguria, Paraiso Tropical, o diabo veste prada, Fernanda Montenegro, dramas do sucesso
Março 18, 2008 às 7:41 pm |
ahahhaa
quando vi meu nome perdido no texto, achei que fosse dizer que eu sou arrogante!
Negão, são pessoas tristes, no fundo no fundo, elas são pessoas tristes!
Abraço!