Aquele do chuveiro

By patrickselvatti

Ontem à noite caiu uma pancada de chuva em Brasília. Pancada é pouco: aquilo mais parecia um linchamento. Muita água, raios e trovoadas povoaram a noite brasiliense. Uma chuva agradabilíssima para dormir e péssima para acordar. Levantar da cama é sempre um martírio, mas hoje foi pior. A chuva trouxe o frio e o frio me lembrou que o meu chuveiro está sem água quente. Ontem de manhã, quando acordei, não estava tão frio, mas levei um susto ao abrir a torneira do chuveiro e ver que a água não esquentava. Droga, merda, porra, caralho! Meu chuveiro estava queimado e eu não sei trocar. Tive que ligar na portaria e pedir ao faz-tudo do prédio que o trocasse para mim. Ele disse: “Ta, seu Paquito (é assim que o infeliz me chama), eu troco, mas… cadê o novo para eu pôr no lugar do velho?” Pensei um monte de %$*#@*&!!!!!!!, mas disse: “Ok, vou comprar… Mas antes eu preciso tomar banho”. Mas onde? Ah, na casa da Cilene… O faz-tudo saiu, eu peguei minha toalha, minha cueca e meu xampu, fui tomar banho na minha amiga e vizinha. Banho tomado, troquei de roupa, tomei meu desjejum, peguei a chave do carro e fui até o comércio do bairro comprar o bendito chuveiro.

“Tenho os chuveiros bons que são um pouco mais caro e tem o que tá na promoção: R$ 22”, disse o vendedor. Mandei embrulhar o mais barato (lógico), paguei (no cartão de crédito), deixei o chuveiro com a chave de casa para o faz-tudo entrar e executar o serviço. Parti para o trabalho. Dia quente, trabalho cansativo e pouco produtivo. Voltei para casa somente à noite, suando em bicas de tanto calor. Certo de que o chuveiro havia sido trocado, arranquei a roupa, abri a torneira e me joguei debaixo da ducha. Mas havia alguma coisa errada: a água continuava fria. Terminei o banho assim mesmo, me sequei, vesti um short e fui ligar para o faz-tudo.

“%$*#@*&!!!!!!!Você não trocou meu chuveiro?” “Ô, seu Paquito, eu troquei, sim. Só que o chuveiro que o senhor comprou está com a resistência queimada. Tem que ir lá trocar”. Aí eu indaguei: “Mas se você viu que o chuveiro não prestava, porque deixou ele instalado?” “Eu pensei que o senhor ia querer tomar banho assim mesmo. Mas pode deixar que na sexta eu tou aí de novo e tiro pro senhor ir lá trocar” Sexta-feira? Depois de amanhã? E o que eu faço até lá? Eu não sei tirar chuveiro. Tenho trauma de levar choque e não mexo com eletricidade. Bem feito para mim! Se tivesse comprado um chuveiro decente, este post não existiria.

Bom, mas agora não adianta chorar a água fria derramada pelo chuveiro queimado. O fato é que ficar sem banho eu não posso. Preciso trabalhar, hoje vou acompanhar meu chefão a um evento com o governador, tenho que colocar, inclusive, gravata. O jeito é continuar trocando de roupa na casa da vizinha. E torcer para ninguém me ver saindo de lá pela manhã com o cabelo molhado e uma toalha na mão. Até explicar que focinho de porco não é tomada, que eu sou um tremendo dum pão-duro e que o faz-tudo do prédio faz tudo, menos pensar…

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Uma resposta para “Aquele do chuveiro”

  1. Elton Pacheco Disse:

    Eu logo pensaria que você tava pegando a vizinha do 508. Aliás, isso dá um post: “A vizinha do 508″.
    hahahaha
    fanfarrão… dos trocadilhos.

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