Aquele por quem os sinos dobram

By patrickselvatti

A morte foi a protagonista desta semana.

Na noite de domingo, eu fui informado do suicídio de um amigo muito querido lá de Teresina (PI). Nós nos conhecemos via internet na época em que aguardávamos ansiosamente o resultado do I Concurso de Novos Roteiristas de Novelas da Rede Record. Virtualmente, descobrimos muitas afinidades, trocamos sinopses, criamos histórias e até fizemos o design de algumas capas para futuras trilhas sonoras. Recebi em casa muito material referente ao fantástico mundo das telenovelas, que ele gentilmente me enviava juntamente com cd´s contendo as trilhas que inventávamos. Por causa da distância, nunca nos encontramos pessoalmente. Mas a nossa amizade era um troço muito intelectual, compartilhávamos idéias e sonhos parecidos e, muitas vezes, nossas vidas pessoais se confundiam devido à semelhança de fatos. Ele era fã incondicional de Janete Clair e compactuávamos na admiração pelas novelas e minisséries de Gilberto Braga.

Não sei ao certo se ele morreu mesmo. A verdade é que a notícia me foi dada por um amigo dele que não vai muito com a minha cara e adora fazer chacotas comigo. Mas o fato é que o nosso amigo em comum simplesmente desapareceu da internet, nunca mais me ligou e nem me enviou nenhuma das encomendas de hábito. Mais um agravante: há meses ele vinha me dizendo que estava com uma doença muito grave que iria matá-lo antes que 2007 terminasse. Desta forma, existe fundamento na versão de que ele tenha cometido suicídio no Natal. Espero que tudo não passe de uma grande brincadeira de péssimo gosto e ele apareça na internet, me telefone ou me envie alguma correspondência, já que eu não tenho nenhum telefone de contato.

Na segunda-feira, ainda pensando se a notícia da morte do meu amigo tinha fundamento, cheguei ao trabalho e recebi a informação de que o ator Luis Carlos Tourinho havia falecido, aos 42 anos, de aneurisma cerebral. Para mim, cada ator ou atriz que morre é uma dor que eu não consigo explicar. No caso do Tourinho, ele não chegava a ser alguém que eu admirasse profundamente, mas tinha talento. No ano de 2007, muita gente boa do mundo artístico foi embora, como Paulo Autran, Nair Bello, Herval Rossano, Carlos Alberto, Castro Gonzaga e Yolanda Cardoso – só para citar alguns. Saber que não terei a oportunidade de trabalhar com nenhum deles me entristece muito, mas é a vida.

Ainda digerindo a informação da morte de Tourinho, na terça-feira soube da morte igualmente precoce do ator Heath Ledger, astro de “O segredo de Brokeback Mountain”. Aos 28 anos e com uma carreira em ascensão, Ledger foi encontrado morto na terça-feira em seu apartamento em Nova York, provavelmente vítima de uma overdose de comprimidos para dormir. Em entrevista ao jornal “New York Times” de novembro, o ator revelou que as filmagens como o vilão Curinga do novo filme “Batman” o deixaram física e mentalmente exausto a ponto de precisar tomar pílulas de um remédio chamado Ambien para conseguir dormir. O medicamento pode ser fatal se ingerido em excesso ou misturado com álcool.

No mesmo dia, a ex-campeã de windsurfe Dora Bria morreu após um acidente de carro em Minas Gerais, quando estava a caminho do Rio de Janeiro. Segundo o Instituto Médico Legal (IML), a ex-atleta de 48 anos dirigia seu carro quando rodou na pista molhada e bateu de frente com uma carreta. Em seguida, o carro caiu de uma ribanceira. Parece que chovia muito na hora da colisão. Para quem não está ligado, Dora conquistou o título brasileiro de windsurfe seis vezes, foi tricampeã sul-americana e ficou entre as cinco melhores do mundo em ondas gigantes entre 1990 e 1995, no Havaí. Se você não ainda se ligou, Dora foi considerada uma das musas do esporte nacional e posou nua duas vezes: em 1993, para a revista Playboy, e, em 2000, para a revista Sexy.

Luís Carlos Tourinho, Heath Ledger e Dora Bria. Que seus espíritos descansem em paz. Refiro-me a essas mortes em especial pelo fato de terem ocorrido próximas umas das outras e porque são pessoas conhecidas do grande público. Mas existem muitos óbitos ocorrendo diariamente em todo o mundo. Acidentes, assassinatos, suicídios e mortes naturais não param de acontecer. De acordo com boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, até hoje, nove pessoas já morreram de febre amarela no país só neste início de ano. E não podemos esquecer que 2006 e 2007 foram anos de desencarne em massa no Brasil com os dois grandes acidentes aéreos da GOL e da TAM.

Que Deus permita que as tragédias parem por aí…

Uma resposta para “Aquele por quem os sinos dobram”

  1. José Roberto Disse:

    O risco de todo mundo que está vivo é morrer. Para alguns, pode acontecer a qualquer momento. Já para outros, o destino é quem manda. Os religiosos pensam diferente, a morte é quando Deus quiser. Mas o que não podemos negar é que, algum dia, todos chegarão lá.

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