Aquele da descrição por meio da teledramaturgia

QUEM É VOCÊ? Sou uma pessoa normal, GENTE FINA, com CORAÇÃO DE ESTUDANTE. Não tive um PAI HERÓI e não tenho nenhum BEBÊ A BORDO nem TRÊS IRMÃS, mas não faço CARAS E BOCAS e nem me considero uma pessoa REBELDE. Não conheço O CAMINHO DAS ÍNDIAS, mas já fiz A VIAGEM da minha vida. Às vezes sou um BICHO DO MATO, vivendo NO MUNDO DA LUA e ANDANDO NAS NUVENS no meio de um CORDEL ENCANTADO.

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Aquele das retrospectivas – novelas

#post via celular

2011 foi um ano atipico na teledramaturgia brasileira. Desde sua estreia em 2010, o Canal Viva vem provocando uma revolucao boa na televisao brasileira gracas a sua iniciativa muito comemorada de reprisar grandes sucessos da Rede Globo, principalmente com o repeteco celebrado de “Vale Tudo”, de Gilberto Braga e Aguinaldo Silva. Entretanto, em 2012, com sua sucessora “Roque Santeiro”, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, o feito fantastico nao se repetiu.

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Aquela das brasilienses – A esportista do Cruzeiro

Foi um daqueles momentos de arrebatamento e privação de sentidos, em que seres humanos abrem mão de todo o avanço intelectual e emocional que levaram milênios para evoluir e retornam ao estágio de animais irracionais em que, segundo a teoria da evolução, tudo começou. O homem segura a mulher pelos cabelos e beija sua boca como se quisesse engolir seus lábios carnudos e macios, enquanto vai tirando a roupa com a violência de quem deseja rasgar todo o tecido e vai conduzindo-a, ainda pelos cabelos, até o quarto. Uma espécie de estupro consentido, em que a mulher se sente a fêmea mais desejada do reino animal, no momento em que é jogada na cama por um macho faminto que arranca sua calcinha, abre suas pernas em um gesto brusco e arranca da cueca o instrumento rijo e ereto que se apresenta como uma arma nas mãos de um guerreiro a caminho da mais épica das batalhas. O homem saca da gaveta um preservativo, rasga com o dente a embalagem, e, após vestir o escudo de látex, toma posse da mulher, com volúpia, em movimentos rítmicos de penetração profunda, enquanto mantém sua presa sem defesa sob seu corpo forte. Para o homem, uma prazerosa demonstração de virilidade e de potência; para a mulher, a submissão diante de tamanha agressividade se torna o tempero do sexo.

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Aquele dos pecados da Capital

*conto publicado originalmente na revista Meia Um. Confira o arquivo digital aqui

Naquela segunda-feira, Eunice levantou da cama antes mesmo do sol nascer. Despertou o marido, Agenor, que insistia em roncar feito um porco enrolado no cobertor, e foi para a cozinha preparar o café. Enquanto a água fervia, tratou de acordar as três filhas e arrumá-las para a escola. Correu para cozinha e arrumou a marmita do marido enquanto coava o pó de café. Após liberar a família, Eunice se arrumou rapidamente e seguiu para a parada de ônibus. Eram seis e meia da manhã. Ainda enfrentaria uma hora de viagem até o Plano Piloto e um dia de muito trabalho como empregada doméstica. Entretanto, naquela parada de ônibus lotada de Samambaia, nem sinal de qualquer transporte. Um estudante com o smartphone na mão avisou: os motoristas e cobradores do transporte público fizeram uma paralisação parcial de 30% da frota de veículos.

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Aquele do insensato coração (ou os finais de novela previstos em sinopse)

Geralmente, os autores ja escrevem as sinopses de suas novelas com comeco, meio e fim ja planejados. Eu sou assim. Porque escrever uma sinopse e’ como escrever um livro. Admiro Gilberto Braga porque ele consegue ser fiel a sua sinopse mesmo novela sendo obra aberta. O final de Insensato Coracao, comparado com o seu comeco, mostra que ja estava definido que Wanda mataria Norma por seu louco amor dedicado ao filho Leo.

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Aquele das brasilienses – A internauta de Águas Claras

Selma era filha de um fazendeiro de gado no Pantanal, e, apesar de ter sido criada entre boiadeiros, gostava das coisas urbanas: adorava filmes alternativos, ouvia Amy Winehouse e Lady Gaga em vez de Luan Santana e Paula Fernandes, devorava os livros do Harry Potter e tinha muito talento pra manejar tecnologia. Veio para Brasilia para fazer faculdade de comunicação social, com habilitação em publicidade, mas queria mesmo era ser astrônoma: dizia que se interessava muito por tudo que se referia aos astros, ao sistema planetário de um modo geral. Tinha 22 anos, era do signo de aquário com ascendente em capricórnio e lua em touro. Selma acreditava piamente na existência de vida fora da Terra e jurava já ter visto um disco voador.

Morava na Capital Federal já fazia uns dois anos, dividindo um apartamento com uma amiga em Águas Claras. Mas se quisesse encontrá-la, era só procurar em qualquer uma dessas redes sociais possíveis e imagináveis. Internauta de nome e sobrenome, Selma fazia exposição de sua vida vinte quatro horas por dia. Com um smart phone na mão, revelava cada passo por meio do Foursquare, fazia comentários do seu dia a dia no Twitter, publicava foto de tudo no Facebook e mantinha sua conta no Orkut por causa das comunidades que curtia. Mas seu maior prazer cibernético estava em participar de sites de encontros sexuais. Para isso, ela criou um perfil fake, até para sair um pouco de sua rotina, e também preservar sua identidade. Era moderninha, mas nem tanto. Pescou uma foto qualquer de mulher no Google, criou o nome de Bianca, disse que era astrônoma. E foi nessa brincadeira que sua vida realmente passou por uma revolução astral.

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Aquele das brasilienses – A beata de São Sebastião

Carolina tinha 33 anos de idade e estava decidida a nunca se casar e sair de casa. Não era nenhum exemplo de beleza feminina, mas também não era feia por natureza. Ela gostava de se vestir de uma maneira que a deixava ainda menos bonita: além de precisar usar óculos de grau com armação grossa e aparelho fixo nos dentes, seus cabelos negros e anelados estavam sempre presos e suas roupas eram sempre marcadas pelo avesso da sensualidade: vestidos longos sem molde no corpo esguio ou calças largas.  Nem parecia ser filha de uma especialista em beleza feminina. A mãe, Teresa, era uma senhora esbelta e vaidosa, dona do salão de beleza mais famoso de São Sebastião. Vestia-se bem, tinha os cabelos sempre em penteados joviais e maquiagem bem feita. Frequentava academia de ginástica, saía pra tomar cerveja com as amigas e para dançar forró e música sertaneja. Foi numa dessas que conheceu o Fabio, um rapaz de 30 anos por quem era loucamente apaixonada. Para desespero de Carolina, que não aprovava nem um pouco a postura libertina da mãe. Por sua vez, a maior tristeza de Teresa era ter consciência de que, mesmo que quisesse, a filha não conseguiria arrumar um marido nunca.

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Aquela das brasilienses – A adúltera da Ceilândia II

Tudo começou em uma noite quente de verão. Aquela foi uma das raras vezes em que Inácio não recebeu a visita de nenhuma mulher desde a morte de Norma, há cerca de um ano. O mecânico era um sujeito de 40 anos, com uma aparência rude e viril que servia de grande atrativo para as mulheres da vizinhança da Ceilândia. Por diversas vezes, Fátima observou que várias das vizinhas que se diziam amigas de sua mãe em vida estavam frequentando sua casa mais vezes após sua morte. Principalmente Katia, a virtuosa vizinha de parede que batia no peito para se vangloriar de nunca ter tido outro homem além do marido e de ser a mulher mais séria que se tinha notícia. As visitas aconteciam principalmente à noite, quando Inácio já estava em casa, de volta do trabalho. O pretexto era sempre saber como pai e filha estavam após a morte inesperada de Norma e o desaparecimento de Ângelo, ainda tão menino, solto pelo mundo, coitado. As mulheres apareciam sempre com uma cesta, vasilhame ou prato contendo comida, como bolos, tortas, sopas, sanduíches e outras iguarias que faziam com que Inácio se regozijasse em sua gula animal. Gula esta que não era saciada somente pela boca.

Nem a presença de Fátima em casa impedia que Inácio retribuísse as gentilezas das vizinhas. E não precisava nem fazer na frente da moça; esperta, mesmo fechada em seu quarto, ela percebia o clima que pairava no ar sempre que uma ou outra mulher aparecia e os gemidos que ouvia por trás da porta aguçavam sua curiosidade.

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Aquele das brasilienses – A adúltera da Ceilândia I

O destino não quis que a mineira Norma Cristina dos Anjos se transformasse em uma atriz de sucesso, conforme era seu sonho. A mudança para Brasília, o casamento com um homem 30 anos mais velho, Salvador, e o nascimento de sua filha, Fátima, no entanto, não a impediram de continuar alimentando a fantasia de que um dia estaria atuando na televisão ou no cinema. Assim como fazia na juventude no interior de Minas, Norma adorava ir ao cinema, não perdia um capítulo das novelas e tinha como maior diversão ficar no salão de beleza comentando as últimas novidades do mundo artístico. Graças ao casamento com um alto servidor do Senado, a diferença era que, em vez de emitir seus comentários enquanto cuidava das unhas de outras mulheres, agora era a sua vez de se sentar como uma madame para receber todo o tipo de tratamento de beleza. Salvador não era rico, mas tinha uma casa confortável no centro da Ceilândia e seu maior prazer era proporcionar à esposa tudo o que sua vaidade de mulher invocava. Era ainda jovem, balzaqueana, tinha mesmo que se manter linda.

Norma era freguesa assídua daquele que ela considerava o melhor salão da região e cuja proprietária, Sueli, havia se tornado sua melhor amiga e confidente. Foi lá que ela viu, através do espelho, pela primeira vez o homem por quem seria loucamente apaixonada. Era Inácio, o irmão de Sueli que estava morando em sua casa havia alguns dias.

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Aquele das brasilienses – A consumista do Lago Norte

Olívia tem 21 anos e não representava até então nenhuma figura ímpar, singular. Ao contrário: como ela, sempre foi muito fácil de ser encontrada por aí. Estava sempre acessível nos lugares mais badalados de Brasília, cercada por suas amigas, igualmente ricas e esnobes, ou pelos pais milionários e bem relacionados. Seja na faculdade de Moda, no barzinho bem frequentado, na boate do momento ou numa lancha no Lago Paranoá, aproveitava a vida e seus prazeres sem nenhum limite. Nascida em berço de ouro, habitando luxuosa mansão no Lago Norte e viajando com os pais pelos principais lugares do mundo, tinha praticamente tudo o que precisava: roupas, bolsas, sapatos, smartphone sempre com bateria carregada, mais de mil contatos nas redes sociais e tudo que colaborasse para com a sua missão na terra: ser bela, consumista e bajulada. Chegava a pagar, sem culpa, R$ 5 mil em uma única bolsa. Desembolsava pequenas fortunas para desfilar modelitos de grifes como Gucci, Prada, Dolce & Gabbana, Calvin Klein, Emporio Armani, Citizens of Humanity, comprado nos endereços mais caros de Nova Iorque, Paris, Milão, Londres, Dubai e onde precisasse ir para comprar um sapato exclusivo. Submeteu-se até mesmo a cirugias plásticas sem necessidade: um conserto banal no nariz e uma lipoaspiração para queimar gordurinhas que um mês de academia resolveria. Sentir prazer sempre, evitando qualquer tipo de chateação. O hedonismo como estilo de vida.

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