Olívia tem 21 anos e não representava até então nenhuma figura ímpar, singular. Ao contrário: como ela, sempre foi muito fácil de ser encontrada por aí. Estava sempre acessível nos lugares mais badalados de Brasília, cercada por suas amigas, igualmente ricas e esnobes, ou pelos pais milionários e bem relacionados. Seja na faculdade de Moda, no barzinho bem frequentado, na boate do momento ou numa lancha no Lago Paranoá, aproveitava a vida e seus prazeres sem nenhum limite. Nascida em berço de ouro, habitando luxuosa mansão no Lago Norte e viajando com os pais pelos principais lugares do mundo, tinha praticamente tudo o que precisava: roupas, bolsas, sapatos, smartphone sempre com bateria carregada, mais de mil contatos nas redes sociais e tudo que colaborasse para com a sua missão na terra: ser bela, consumista e bajulada. Chegava a pagar, sem culpa, R$ 5 mil em uma única bolsa. Desembolsava pequenas fortunas para desfilar modelitos de grifes como Gucci, Prada, Dolce & Gabbana, Calvin Klein, Emporio Armani, Citizens of Humanity, comprado nos endereços mais caros de Nova Iorque, Paris, Milão, Londres, Dubai e onde precisasse ir para comprar um sapato exclusivo. Submeteu-se até mesmo a cirugias plásticas sem necessidade: um conserto banal no nariz e uma lipoaspiração para queimar gordurinhas que um mês de academia resolveria. Sentir prazer sempre, evitando qualquer tipo de chateação. O hedonismo como estilo de vida.
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